Olha, essa habilidade EF69AR27 da BNCC é bem interessante de trabalhar porque é onde a gente junta a criatividade dos meninos com o conhecimento que eles já têm de teatro. Quando a BNCC fala de "pesquisar e criar formas de dramaturgias e espaços cênicos", eu entendo que é pra eles começarem a pensar, tipo, como montar uma peça do zero, sabe? Desde o texto até como vai ser o cenário. E em diálogo com o teatro contemporâneo, é pra eles olharem o que tá rolando de moderno por aí e trazer isso pro que eles vão criar.
Na prática, os alunos do 7º ano precisam conseguir pegar um texto simples ou até criar um próprio, pensar em como apresentar isso, e também como o cenário vai funcionar. Eles já vêm do 6º ano com uma ideia básica do que é teatro, talvez já tenham feito alguma peça mais simples ou conheçam um pouco dos elementos teatrais, tipo palco, figurino e tal. Agora, a gente leva isso adiante e coloca eles pra pensar de forma mais criativa e crítica.
Então, deixa eu te contar como eu realmente faço isso na sala de aula. A primeira atividade que gosto de fazer é pedir pra turma criar um roteiro bem curto, só uns 5 minutos de cena. O material que eu uso é papel e caneta mesmo, coisa simples. Organizo a turma em grupos de cinco ou seis porque acho que é um número bom pra todo mundo participar sem ficar perdido. Dou umas duas aulas pra eles criarem esse roteiro, cerca de 100 minutos no total. Os alunos geralmente ficam empolgados quando percebem que podem inventar as próprias histórias. Uma vez, o Lucas e a Mariana criaram uma cena hilária sobre uma família tentando fazer um jantar de Natal enquanto faltava luz na casa toda. Eles riram muito e perceberam o poder da criatividade.
A segunda atividade envolve pesquisar cenas contemporâneas em grupos e depois apresentá-las pra turma. Aqui eu peço pra eles usarem o celular ou o laboratório de informática da escola, se tiver disponível. Dão uma olhada em cenas modernas ou artistas atuais e trazem coisas novas pro repertório deles. Normalmente dou uma aula pra pesquisa e outra pra apresentação, então em torno de 100 minutos no total também. A reação dos alunos é variada: tem quem se anima muito porque gosta desse contato com coisas novas e quem fica meio inseguro no começo por não conhecer muito. Mas sempre tem aquele aluno que surpreende. Da última vez, a Júlia trouxe um vídeo de uma performance de rua mega diferente que encantou todo mundo.
A terceira atividade é montar um espaço cênico improvisado em sala ou no pátio da escola com materiais que os próprios alunos trazem de casa, tipo lençóis, almofadas, papelão... Divido a turma em grupos novamente e cada grupo tem que pensar num tema pra ser o cenário da cena que criaram lá na primeira atividade. Eles têm cerca de 3 aulas completas pra organizar tudo (150 minutos). Aí no final, todo mundo apresenta suas criações com o espaço cênico montado. Os alunos adoram essa parte porque podem ver suas ideias ganhando forma física mesmo. Na última vez que fizemos isso, o grupo da Ana montou uma casa na árvore super criativa usando cadeiras empilhadas e lençóis verdes.
No geral, essas atividades não só ajudam eles a desenvolverem essa habilidade específica da BNCC mas também a trabalharem em equipe, resolverem problemas juntos e expressarem suas ideias de forma mais clara. E claro, sempre tem aquelas risadas e momentos engraçados que são parte do aprendizado também. Tipo aquela vez que o Pedro esqueceu metade do texto dele na apresentação final mas acabou improvisando na hora e fez todo mundo rir.
Bom, é isso aí pessoal. Acho que trabalhar com essa habilidade do teatro é super enriquecedor pros alunos porque eles saem do lugar comum e experimentam novas formas de expressão. E sempre tento lembrar eles (e a mim mesmo) que não precisa ser perfeito; o importante é tentar e aprender no processo. Até mais!
de um livro que eles já leram e transformar isso numa cena, com direito a fala, movimento e um cenário improvisado. O legal é ver como eles pegam essas ideias e transformam em algo deles. Isso é a parte mais bacana! Aí você me pergunta: como eu sei que eles realmente aprenderam isso? Bom, é no dia a dia mesmo. Quando eu tô andando pela sala, escuto as conversas deles e vejo como tão debatendo as ideias. Quando um aluno começa a explicar pro outro o que pensou pra cena ou como eles podem melhorar uma parte, dá pra ver que ele já tá entendendo o processo de criação.
Um dia desses, a Juliana tava falando pro Pedro sobre como mudar a iluminação podia dar um ar mais dramático pra cena deles. E ela foi super específica, sabe? Falou de usar uma lanterna de celular pra criar sombras no rosto do Pedro enquanto ele fazia um monólogo. Aí eu pensei: "Poxa, ela entendeu direitinho!" Outros momentos são quando você vê os meninos discutindo fervorosamente sobre o que funciona ou não na história que tão criando e acham soluções super criativas. Tipo o Gustavo que insistiu que a cena final deles precisava de um fundo de som bem específico, algo que ele mesmo tinha criado no celular.
Agora, sobre os erros comuns... Olha, a galera às vezes se empolga demais com o cenário ou figurino e esquece da história em si, da coerência do texto. O Rafael, por exemplo, tava tão aficionado em montar uma estrutura de papelão pra representar uma casa na cena dele que deixou os diálogos meio de lado. Ficou um negócio meio sem pé nem cabeça. Quando vejo isso acontecendo, puxo eles pra revisar o roteiro junto comigo, relembrar o que eles realmente querem contar com aquilo. A gente conversa sobre o equilíbrio entre forma e conteúdo.
Outro erro comum é quando eles confundem inovar com complicar demais. Teve uma vez que a Bianca quis misturar tantas referências contemporâneas numa só cena que ficou algo confuso até pra ela mesma entender. Aí minha tarefa é mostrar pra ela como simplificar sem perder a criatividade.
Agora, falando do Matheus com TDAH e da Clara com TEA... Olha, é sempre um desafio adaptar as atividades pra eles, mas ao mesmo tempo é enriquecedor. Pro Matheus, eu costumo dividir as tarefas em pedaços menores. Tipo assim: se a tarefa é criar uma cena inteira, ele primeiro trabalha só nos diálogos ou só no cenário. E sempre dou um tempo menor pra cada tarefa, porque ele perde o foco fácil. Outra coisa que funciona bem é usar muito estímulo visual e auditivo com ele. Deixo ele usar fones de ouvido com música instrumental enquanto trabalha, isso ajuda demais.
Já com a Clara, a história é um pouco diferente. Ela precisa de um ambiente mais calmo e previsível. Então sempre explico antes tudo que vamos fazer na aula e faço uso de quadros visuais com ela. Outro dia fizemos uma atividade onde cada grupo tinha que apresentar suas cenas pros colegas e aí eu combinei antes com ela sobre o turno dela apresentar, isso ajudou a diminuir a ansiedade dela. Proporciono também alguns momentos em que ela possa dar uma pausa se sentir necessidade.
E claro, tô sempre em contato com os pais deles pra saber o que tá funcionando em casa também e ajustar aqui na escola se precisar.
Bom gente, é isso! Espero que esse papo tenha sido útil pra vocês entenderem como rola na prática essa habilidade EF69AR27 na sala de aula. Se alguém tiver mais dicas ou quiser compartilhar experiências também, tô aqui aberto pra trocar ideia! Abraço!