Olha, essa habilidade EF69AR10 da BNCC, quando a gente lê assim, parece meio complicada, mas na prática é uma coisa muito bacana de trabalhar. Basicamente, a ideia é fazer com que os meninos entendam que a dança não é só um monte de passos, mas sim parte da cultura e da história de um povo. A gente quer que eles vejam como os movimentos que fazemos no dia a dia ou numa dança têm uma história por trás e como eles mudaram ao longo do tempo. É uma coisa de conectar o que eles veem na rua ou em casa com o que está nos palcos ou nas festas.
Por exemplo, no 6º ano a galera já teve contato com danças regionais e começou a perceber as diferenças entre ritmos. No 7º ano, a ideia é aprofundar isso e mostrar que cada dança tem um contexto histórico e social. E o mais importante: queremos que eles consigam criticar e falar sobre isso, sabe? Não é só aprender os movimentos, mas também entender o significado deles e como refletem na nossa sociedade.
Vou contar como eu faço isso aqui na escola. A primeira atividade que eu gosto muito de fazer é uma espécie de "parada dançante". Nada complicado: só um espaço livre na sala ou no pátio e um celular com caixa de som. Eu escolho ritmos diferentes, desde clássicos como valsa até funk. Coloco uma música por vez e peço pra os alunos dançarem como acham que se dança aquele estilo. É engraçado ver como cada um tem uma percepção diferente! Essa atividade leva uns 30 minutos. Os alunos adoram porque é bem livre e não tem certo ou errado. Da última vez, o Joãozinho, sempre mais tímido, se soltou no axé e foi muito legal ver ele se divertindo!
Depois disso, a gente faz uma roda de conversa. Aqui eu trago algumas informações sobre as danças que eles experimentaram. Falo um pouco sobre a origem de cada uma e peço pra eles compartilharem o que acharam dos movimentos e o que lembram de já terem visto nas festas de família ou na TV. É legal porque muitos trazem histórias pessoais. A Mariana contou da avó dela dançando forró na feira da cidade dela quando era criança. Essa troca enriquece muito porque eles começam a ver a dança como algo vivo e parte do dia a dia deles.
E aí vem outra atividade que acho fundamental: o "diário de dança". Peço pra eles escolherem uma dança que mais chamou atenção e fazer uma pequena pesquisa sobre ela em casa. Podem usar o celular, perguntar pra família ou procurar em livros da biblioteca. Depois escrevem num caderno especial as descobertas. Aqui eu dou uma semana pra eles fazerem com calma. Na última vez, o Pedro trouxe um relato super legal sobre o samba e como ele é forte na sua família durante as festas de fim de ano.
Pra fechar essas atividades, gosto de fazer uma apresentação onde cada grupo mostra um pouco do que pesquisou e aprendeu. Eles podem usar vídeos, trazer instrumentos ou até ensaiar uma coreografia simples. O importante é compartilhar e discutir com os colegas o que descobriram. Geralmente dou umas duas aulas pra esse preparo e mais uma aula pra apresentações. Os alunos ficam bem empolgados e capricham nas pesquisas.
Teve uma vez que a Laura trouxe até um violão pra acompanhar a apresentação dela sobre a bossa nova! Foi incrível ver o envolvimento dela e dos outros alunos tanto com a música quanto com a dança.
O mais bacana disso tudo é perceber como os alunos ficam mais interessados quando percebem que essas danças não são só algo pra aprender na escola, mas algo que eles vivem no dia a dia deles também. E sempre tem aquele aluno que diz "ah, agora entendo porque meu avô sempre fala desse ritmo!". Isso mostra que conseguimos conectar o conhecimento acadêmico com a vivência pessoal deles, o que é sensacional.
Bom, trabalhar essa habilidade na prática vai muito além de aprender passos: é abrir os olhos dos meninos para o mundo ao redor deles! É isso aí, galera! Se alguém estiver tentando algo diferente ou tiver outras ideias, compartilha aqui também!
Então, continuando sobre como eu percebo que os alunos entenderam a habilidade sem aquela coisa de aplicar uma prova formal, é vivendo o dia a dia na sala de aula. Quando a gente tá ali, rodando entre as mesas enquanto eles trabalham, dá pra ver na cara dos meninos quando a ficha cai. Teve uma vez que peguei a Camila e o Pedro discutindo sobre um tipo de dança urbana que tinham visto na internet. Eles estavam falando dos movimentos e comparando com uma dança tradicional que estudamos na aula anterior. Aí, do nada, o Pedro começa a explicar pra Camila como alguns movimentos tinham origem lá na África e vieram se misturando até chegar no que a gente vê hoje. Foi aí que eu pensei "ah, esse entendeu".
Outra coisa é quando eles começam a ajudar uns aos outros. Tipo, outro dia, o João tava com dificuldade num passo de dança lá que a gente tava praticando pra um trabalho. Aí o Lucas chegou perto e começou a explicar pra ele de um jeito todo simples, usando as palavras dele mesmo, e deu super certo. Nesses momentos eu vejo que não só entenderam o conteúdo, mas também estão incorporando aquele conhecimento ao ponto de passar adiante.
Agora, falando dos erros comuns, olha só: muitos alunos ainda se confundem na hora de fazer essas conexões culturais. Por exemplo, a Júlia achava que qualquer dança que tem movimento rápido era originária do mesmo lugar. Ela colocou no trabalho dela que o break-dance e o frevo tinham a mesma origem só porque são rápidos. Aí eu sentei com ela e fomos destrinchando, vendo vídeos e discutindo como cada dança tem sua história, sua carga cultural diferente. Esses erros são comuns porque os meninos, muitas vezes, já vêm com umas ideias pré-concebidas ou simplificadas do que é uma dança ou cultura.
O jeito que eu faço quando pego esses erros é sempre puxar um papo com eles. Nada de deixar passar ou só corrigir no papel depois. Pego na hora mesmo, aproveitando o momento em que a curiosidade ainda tá acesa. Quando dá, mostro vídeos, trazemos referências visuais ou até mesmo partimos pra prática no meio da aula pra consertar aquilo.
E falando dos meus alunos especiais, o Matheus com TDAH e a Clara com TEA, são dois desafios diferentes na mesma sala. Pro Matheus, eu percebi que atividades muito longas ou repetitivas não funcionam muito bem. Ele perde foco fácil. Então, uma estratégia que tenho usado é dividir as atividades em blocos menores e mais dinâmicos. Tipo durante uma aula de dança eu deixo ele liderar uma parte curta da atividade ou dar uma volta rápido pela sala pra observar os colegas e depois voltar pro trabalho dele. Isso ajuda ele a gastar energia sem se desconectar da atividade em si.
Já pra Clara, com TEA, o ritmo mais calmo e previsível é essencial. Ela gosta de saber exatamente o que vai acontecer na aula, então eu sempre começo cada aula com um cronograma no quadro só pra ela ter aquela segurança do que vem por aí. E material visual é tudo! Ela responde muito bem a vídeos e imagens onde pode ver claramente o movimento da dança antes de tentar fazer ela mesma.
Teve uma vez que tentei juntar os dois num trabalho em dupla sem preparar eles antes. Achei que podia ser bom pro Matheus ter um desafio e pra Clara uma quebra da rotina. Bom, não deu certo... foi mais confusão do que aprendizado naquele dia! Aprendi que mudanças assim precisam ser introduzidas aos poucos e com explicação clara.
Bom pessoal, acho que já dá pra ter uma ideia de como essa habilidade pode ser trabalhada e percebida no dia a dia da sala de aula sem precisar daquela prova formal chata. É tudo sobre observar os meninos e estar ali junto com eles nesse processo de descoberta. Espero ter ajudado vocês por aqui! Abraço!