Olha, essa habilidade EF69AR25 da BNCC é uma daquelas que a gente precisa fazer os meninos entenderem que o teatro vai além do que eles veem nas novelas ou nas séries de TV. Quando eu penso em "identificar e analisar diferentes estilos cênicos", é tipo abrir a mente deles pra ver como o teatro pode ser diverso e rico. Não é só encenar, mas sim saber de onde vem cada estilo, por que ele surgiu, como ele se relaciona com a época e o lugar onde foi criado. E pra eles perceberem isso, precisam entender o contexto histórico, social, cultural. Aí vem a parte de "aprimorar a capacidade de apreciação da estética teatral", que é olhar uma peça e sacar a intenção do diretor, do autor, dos atores.
No 6º ano, eles já têm uma base de teatro bem básica mesmo, tipo conhecer o que é uma cena, um ato, essas coisas mais estruturais. Agora no 7º ano, a gente começa a aprofundar mais. Quero que eles consigam ver uma peça e falar: "Ah, isso aqui parece ser do teatro grego antigo", ou "Isso aqui tem uma pegada mais contemporânea". Então, quando falo em contextualizar no tempo e espaço, é entender por exemplo que o Shakespeare não escrevia igual uma peça de teatro moderno japonês. É fazer essa viagem no tempo e espaço mesmo.
Aí vou te contar umas atividades que faço com eles pra trabalhar essa habilidade. A primeira é uma pesquisa de estilos cênicos. Eu divido a turma em grupos e dou pra cada grupo um estilo diferente. Pode ser teatro grego, teatro elisabetano, commedia dell'arte, teatro moderno... Aí eles têm uns dois períodos de aula pra pesquisar na biblioteca ou no laboratório de informática da escola. Precisam descobrir como era esse estilo na época, quais eram as características principais, e algumas curiosidades também. Material é simples: livros que temos na biblioteca sobre teatro, acesso à internet. Eles adoram pesquisar no Google Imagens também pra ver as fotos das peças.
A última vez que fizemos essa atividade, o grupo da Amanda encontrou uma informação super bacana sobre as máscaras da commedia dell'arte. Eles vieram me contar todos empolgados porque não sabiam que cada máscara tinha um significado específico e como era importante para o ator expressar emoções por meio delas já que não dava pra ver a cara direito.
Outra atividade que faço é assistir uma peça gravada com eles. Bom, não temos muito recurso lá na escola pra levar os meninos sempre ao teatro mesmo, então a gente dá um jeito com vídeos no Youtube ou DVDs emprestados. Escolho uma peça que represente bem um estilo cênico e assistimos juntos numa sala com um projetor. Depois fazemos um debate sobre o que viram. Dura umas duas aulas porque eu pauso o vídeo direto pra discutir cenas importantes. Eles sentam em círculo e começamos a conversar sobre o que acharam da história, das atuações, dos figurinos... E aí sempre pergunto: "Como vocês acham que esse estilo se conecta ao tempo em que foi feito?"
Da última vez assistimos "Antígona", representada num estilo mais contemporâneo. Lembro do Lucas falando "Ué professor, é bem diferente dos filmes de heróis que eu vejo", e eu aproveitei pra explicar como essa diferença de estética ajuda a contar uma história de forma única.
E um outro exercício interessante é fazer uma encenação na sala mesmo. Escolhemos trechos curtos de peças de diferentes estilos e os meninos têm que reproduzir ali na frente dos colegas. Eu levo alguns adereços simples como lenços coloridos, chapéus velhos e máscaras de papelão feitas por eles mesmos em outra aula de artes. A turma se divide em pequenos grupos e cada grupo tem uns 15 minutos pra preparar a cena antes de apresentar.
A última vez fizemos isso com um trecho do teatro elisabetano, e foi engraçado ver o João tentando imitar o jeito rebuscado de falar daquela época enquanto ele vestia um lençol como capa improvisada. A turma se divertiu bastante mas também percebeu na prática como o uso da linguagem e postura corporal muda conforme o estilo.
E olha, posso te falar que essas atividades ajudam muito! Eles ficam mais curiosos sobre as diferenças entre as épocas e entendem melhor como as peças se conectam com o momento histórico de cada uma. As discussões são sempre animadas e muitas vezes os meninos vêm me perguntar outras coisas nos corredores sobre teatro ou querem dicas de filmes ou livros relacionados.
Então é isso aí! Trabalhar essa habilidade é puxado mas ver eles começando a apreciar o teatro de outra forma faz tudo valer a pena. Se tiver alguma dica também compartilha aí!
E vou te falar, gente, perceber que os alunos realmente entenderam a habilidade EF69AR25 vai muito além de aplicar uma prova formal. No dia a dia da sala, eu fico de olho aberto com as antenas ligadas em tudo que acontece. Quando tô circulando pela sala, eu presto muita atenção nas conversas que rolam entre eles. Muitas vezes, é na troca de ideias que você saca o entendimento.
Teve uma vez que eu tava passando pelas mesas e ouvi a Júlia explicando pro Lucas sobre a diferença entre o teatro grego e o teatro moderno. Ela falou algo do tipo “...no teatro grego eles usavam máscaras porque queriam representar os deuses e heróis, mas no moderno a gente vê mais o lado humano, a vida como ela é, né?”. Aí eu saquei que ela tinha captado bem o espírito da coisa! Aos poucos, vou ouvindo esse tipo de conversa e vou percebendo que eles estão realmente ligando os pontos.
Outro jeito que eu vejo que eles estão entendendo é quando eles começam a fazer perguntas mais profundas ou associam o assunto com alguma coisa fora da sala de aula. O João, por exemplo, veio outro dia me perguntar sobre um filme que ele assistiu e achou parecido com um estilo teatral que estudamos. Quando eles começam a fazer essas conexões, é um sinal claro que tão absorvendo.
Agora, quanto aos erros comuns, olha... A turma dá suas escorregadinhas também. O Felipe, por exemplo, sempre confunde teatro de revista com teatro musical. Eles acham que só porque tem música e dança já é a mesma coisa. Aí eu paro e explico novamente, mostrando exemplos, falando das origens diferentes e características distintas. Repetição é chave!
Tem também aqueles que acham que o teatro do absurdo é só aleatório e sem sentido. A Ana uma vez fez uma cena que era só bagunça e falou “olha prof, teatro do absurdo!”. Aí expliquei que não é só bagunça por bagunça, mas tem uma crítica por trás, uma mensagem sobre a condição humana. Esses erros acontecem porque às vezes eles pegam só uma parte do conceito e fazem uma conclusão rápida demais. Quando vejo esse tipo de erro na hora, paro tudo e dou uma mini-aula ali mesmo.
Agora falando da turma inclusiva... O Matheus tem TDAH e a Clara tem TEA, então preciso adaptar algumas coisas pra eles. Pro Matheus, eu sempre dou atividades mais curtas com períodos de intervalo pra ele poder se movimentar um pouco. Se ele ficar sentado por muito tempo sem fazer nada com a mão, ele se perde fácil na atividade. Então deixo ele fazer parte dos cenários ou das músicas durante as apresentações. Isso ajuda ele a manter o foco.
Com a Clara, as coisas são um pouco diferentes. Ela costuma precisar de um espaço mais tranquilo pra trabalhar. Então quando fazemos atividades em grupo ou quando tem apresentações, eu tento encontrar um lugar mais calmo pra ela ficar e ajudo com materiais visuais que descrevem cada passo certinho do que estamos fazendo. Tipo assim, em vez de só dizer “agora vamos ensaiar”, eu mostro pra ela como vai ser em imagens ou num roteiro mais visual.
O material visual ajuda muito tanto pro Matheus quanto pra Clara. Eles dois se beneficiam muito quando têm acesso a vídeos ou histórias em quadrinhos que explicam os diferentes estilos teatrais de forma mais concreta e menos abstrata.
Teve um dia que tentei fazer uma atividade bem livre onde eles tinham que criar seus próprios estilos teatrais misturando elementos diversos. Foi um caos pra Clara porque ela ficou perdida sem entender por onde começar ou terminar. Depois disso comecei a usar roteiros mais organizados pra ela ter alguma estrutura.
Bom, pessoal, é isso! Dá pra ver que ensinar e aprender não é uma linha reta nem pra gente nem pros meninos. Cada dia é diferente e cheio de pequenos desafios e conquistas. E vamo que vamo porque todo mundo pode aprender! abraço aí!