Olha, essa habilidade da BNCC que você mencionou, EM13CHS503, é super importante quando a gente fala de entender as diversas formas de violência na sociedade. A ideia é que os alunos consigam identificar essas violências, que podem ser físicas, simbólicas, psicológicas, etc., e entender quem sofre mais com elas e por quê. Acho que o ponto principal aqui é instigar os meninos a pensarem sobre as causas dessas violências, que podem ser sociais, psicológicas ou afetivas, e tentar discutir como a gente pode combater isso tudo, sempre com base em argumentos éticos.
Na prática, meu amigo, o aluno precisa ser capaz de reconhecer quando uma situação é violenta e saber argumentar sobre os motivos que levam a essas violências acontecerem. Eles precisam fazer essa análise crítica das situações. Muitos chegam já com uma noção básica do que é violência física, mas quando falamos de violência simbólica ou psicológica, aí complica um pouco. Por exemplo, alguns acham que só agressão física é violência, então temos que expandir essa visão.
E aí, como é que eu faço isso na sala com a turma do 1º ano do Ensino Médio? Bom, vou te contar um pouco das atividades que já fiz.
Primeira atividade: debates em sala sobre casos reais de violência. Eu trago notícias recentes ou uso trechos de documentários que falem sobre episódios de violência que aparecem na mídia. Uso um projetor ou só levo impressos mesmo. A turma se divide em grupos pequenos pra discutir entre si por uns 20 minutos e depois fazemos um debate geral com todo mundo. A galera curte porque é uma chance de falar o que pensa e ouvir os outros. Teve uma vez que discutimos sobre uma reportagem de violência policial numa comunidade e o João ficou bem emocionado, porque ele vive numa região parecida e contou experiências pessoais. Isso fez o debate ir mais fundo.
Segunda atividade: role-playing game (RPG) de simulação de situações de conflito e violência. Parece complicado, mas é simples. Crio cenários fictícios que têm um conflito básico — tipo uma situação de bullying na escola — e divido a turma em grupos em que cada aluno tem um papel diferente dentro daquela situação: agressor, vítima, observador, mediador... Eles têm uns 30 minutos pra vivenciar o cenário e depois discutimos o que cada um sentiu no papel que estava representando. Isso ajuda muito a galera a se colocar no lugar do outro. Quando fizemos isso numa aula passada sobre assédio moral no trabalho, a Maria Clara ficou assustada com quanto ela percebeu de detalhes da situação só por estar no papel da vítima.
Terceira atividade: análise crítica de letras de música ou cenas de filmes/séries. Escolho músicas famosas ou cenas que tenham alguma representação de violência simbólica ou psicológica e a turma analisa se aquilo reflete a realidade deles ou não. Fizemos isso com uma música do Chico Buarque e outra vez com uma cena de série famosa — coisa rápida, uns 15 minutos escutando/assistindo e mais uns 30 discutindo em grupos e depois em roda com todo mundo. É impressionante como eles se engajam! Na última vez, quando discutimos uma música do Emicida, o Lucas levantou várias questões sobre como a letra tratava das desigualdades sociais e raciais e como isso se conectava com as violências nas periferias.
O bacana é que essas atividades não só ajudam eles a entenderem melhor as diferentes formas de violência, mas também promovem empatia e pensamento crítico. A galera sai da sala com uma visão menos limitada sobre o tema.
Espero que essas ideias te inspirem aí na sua prática! Qualquer dúvida ou se precisar trocar mais ideia sobre como trabalhar isso aí nas aulas, estamos juntos! Abraço!
Na prática, meu amigo, o aluno aprende um bocado quando a gente dá espaço pra ele pensar e debater, sabe? E aí eu consigo perceber que ele tá pegando a coisa sem precisar de uma prova formal. Por exemplo, tem vezes que eu tô circulando pela sala enquanto eles fazem alguma atividade em grupo ou discutem um tema em duplas. Aí eu vou ouvindo as conversas deles. Esses diálogos são ouro! Quando vejo o João, por exemplo, explicando pro Lucas que certas piadas podem ser agressivas e que nem todo mundo acha engraçado, eu penso: "Ahá, o João tá entendendo mesmo!"
E não é só isso. Às vezes, na hora do recreio ou quando eles tão saindo da escola, eu pego pedaços das conversas e noto que eles começam a usar termos que discutimos em aula. Outro dia ouvi a Júlia comentando com a Ana sobre como a novela da TV aborda questões de gênero de maneira meio ultrapassada. Ela falava dos estereótipos e de como isso pode perpetuar certos tipos de violência simbólica. Aí eu pensei: "A Júlia tá fazendo as ligações certas!"
Agora, sobre os erros mais comuns, ah, esses acontecem bastante. Muitos meninos têm dificuldade em diferenciar entre o que é uma violência simbólica e o que é só uma falta de educação, por assim dizer. Tipo o Pedro uma vez me veio com uma situação onde um colega foi grosseiro num jogo online e ele tava achando que era violência simbólica. Aí tive que explicar que, apesar de ser algo ruim e merecer correção, nem tudo é violência simbólica no sentido mais amplo da coisa.
Outro erro comum é quando eles generalizam ou simplificam demais as causas das violências. Tipo a Mariana uma vez disse que todas as violências são causadas apenas pela pobreza, sem considerar outros fatores sociais e culturais. Então, sempre tento trazer exemplos do cotidiano deles pra mostrar que a realidade é cheia de nuances. Uso filmes, séries ou até acontecimentos conhecidos da escola pra ilustrar.
Agora, falando do Matheus e da Clara... cada um tem sua maneira de aprender e se engajar nas atividades, né? Com o Matheus, que tem TDAH, o truque é manter as atividades bem dinâmicas e dividir as tarefas em pequenas etapas. Uma vez tentei fazer uma atividade longa e contínua e perdi ele no meio do caminho. Então agora faço pausas frequentes e uso muito suporte visual, como mapas mentais ou infográficos. Ele se dá super bem com isso.
Já a Clara, que tem TEA, gosta de previsibilidade. Então sempre aviso antes sobre mudanças na rotina da aula ou qualquer alteração no cronograma das atividades. Também uso materiais concretos e visuais pra ajudá-la a entender melhor os conceitos mais abstratos. Uma vez fizemos um projeto sobre desigualdade usando bonecos pra mostrar as diferenças sociais de forma mais palpável.
Com ambos, dou tempo extra quando necessário e procuro sempre um feedback direto deles pra saber o que tá funcionando ou não. Não adianta seguir cegamente um plano se não tá dando certo pra eles.
Bom, acho que já falei demais por hoje. Espero que essas experiências possam ajudar vocês também aí nas suas salas de aula. Afinal, cada aluno é único e encontrar maneiras de apoiar cada um deles é o desafio — e a beleza — dessa profissão nossa.
Abraço e até a próxima conversa!