Olha, essa habilidade EM13CHS504 da BNCC é um baita desafio, mas também é super instigante de trabalhar com a galera do terceiro ano do ensino médio. Na prática, o que a gente quer é que os alunos consigam entender e refletir sobre os dilemas que surgem por conta das mudanças que estão rolando no mundo hoje. Tipo assim, eles precisam olhar pro que tá acontecendo em termos de cultura, sociedade, ciência, tecnologia e pensar: "E aí, como isso afeta valores, atitudes e a política?" É quase como se eles tivessem que ser um pouco detetives. Eles precisam observar o mundo ao redor e sacar essas transformações, questionar o que é certo ou errado dentro desse contexto todo.
O legal é que essa habilidade não parte do zero. Os meninos e meninas já chegam no terceiro ano com uma bagagem legal dos anos anteriores. Eles já estudaram sobre história, geografia, filosofia, sociologia... Então muitos já têm uma base boa sobre essas questões de sociedade e cultura. O que a gente faz agora é aprofundar e conectar mais com o presente, né? Por exemplo, a gente fala sobre as redes sociais, as novas tecnologias e como isso tá transformando a forma como a gente se relaciona e até mesmo as nossas identidades.
Aí vou contar algumas atividades que eu faço na sala pra trabalhar essa habilidade. Claro que tem dia que funciona melhor, tem dia que menos, mas faz parte do processo.
Uma das atividades que sempre dá pano pra manga é o chamado "debate ético". Pra essa atividade eu uso basicamente recortes de jornais e revistas atuais. Além disso, às vezes pego uns vídeos de curta-metragem ou trechos de filmes que tenham relação com alguma questão ética contemporânea. Organizo a turma em dois grupos: um que defende e outro que critica determinado ponto de vista sobre um tema polêmico. A gente gasta umas duas aulas com isso, uma pra preparação e outra pro debate em si. Os alunos costumam ficar bem animados. Dá pra ver como eles se empenham em pesquisar argumentos e pensar em contrapontos. Uma vez fizemos um debate sobre privacidade online e segurança digital. Lembro bem do João defendendo com unhas e dentes a importância da privacidade individual enquanto a Maria trazia o ponto da segurança nacional. Foi um debate quente, mas super respeitoso. No final das contas, os dois grupos saíram com uma visão mais ampla do tema.
Outra atividade que curto bastante é a análise de caso real. Aqui eu uso reportagens e casos reais que estão bombando nas notícias. Às vezes até peço pra turma sugerir temas baseados no que eles estão acompanhando na mídia. Aí, em pequenos grupos – geralmente de quatro ou cinco alunos – eles fazem uma análise crítica do caso: qual é o impasse ético-político presente ali? Como diferentes grupos sociais são afetados? A gente leva uma aula inteira pra isso porque gosto de dar espaço pra cada grupo apresentar suas conclusões no final. Da última vez, escolhemos um caso sobre a implementação de inteligência artificial em processos seletivos de emprego. O grupo da Ana Paula trouxe pontos super interessantes sobre discriminação algorítmica enquanto o grupo do Lucas focou nos benefícios de eficiência e economia pras empresas.
Uma terceira atividade é a roda de conversa com convidados da comunidade ou mesmo especialistas de áreas específicas. Já chamei psicólogo, cientista da computação, advogado... Depende muito do tema em discussão na turma naquele momento. A roda costuma rolar numa aula só, mas é tão rica! Os alunos ficam meio tímidos no começo, mas depois vão soltando perguntas e contando experiências pessoais relacionadas ao tema. Lembro quando trouxemos a Carla, advogada especialista em direitos humanos, pra falar sobre liberdade de expressão na era digital. Foi incrível ver o interesse do Pedro por esse assunto – ele fez várias perguntas sobre limites legais e morais.
Enfim, cada uma dessas atividades tem seu valor e ajuda os alunos a enxergarem o mundo por várias lentes diferentes. O mais gratificante é perceber quando eles começam a fazer conexões por conta própria entre temas aparentemente desconexos ou quando levam essas discussões pra fora da sala de aula – já ouvi algumas vezes eles comentando no corredor depois das aulas.
É isso aí galera! Trabalhar essa habilidade pode ser desafiador às vezes, mas vale muito a pena! Se alguém tiver outra ideia ou sugestão de atividade nesse sentido, estou super aberto a trocar figurinhas! Abraço!
Aí, pensando em como a gente percebe que os alunos realmente aprenderam sem precisar de uma prova formal, vou te contar: é na convivência diária, sabe? Aquela hora que você circula pela sala e ouve as conversas entre eles é muito reveladora. Por exemplo, teve um dia que eu tava passando perto do grupo da Ana e do Felipe, e eles estavam discutindo sobre como a tecnologia tá mudando as relações de trabalho. A Ana disse algo tipo "Ah, esse lance do home office tá fazendo a gente pensar diferente sobre a vida profissional e pessoal". Aí o Felipe completou "Sim, e tem gente que até prefere ganhar menos pra ter mais tempo livre". Nesse momento eu pensei: "Ah, esses aí entenderam o ponto". Eles estavam aplicando o que a gente discutiu na aula de uma forma que fazia sentido pra vida deles.
Outra situação que adoro ver é quando um aluno explica pro outro. Um dia, o Lucas tava com dificuldade num exercício sobre impactos das redes sociais. Aí a Júlia, sentada do lado dele, começou a explicar com exemplos do dia a dia dela e dos amigos. Ela falou algo tipo "Olha, tem gente que fica tão preso em mostrar uma vida perfeita online que esquece de viver de verdade. Isso não é saudável". E o Lucas foi acenando com a cabeça, entendendo tudo. Quando eles conseguem se ajudar assim, é um sinal claro de que entenderam.
Agora, os erros mais comuns que eu vejo os meninos cometerem nesse tipo de conteúdo... Olha, um erro clássico é simplificar demais as coisas. Vou te dar um exemplo: o Rodrigo tava falando sobre globalização e disse "Ah, globalização é só coisa de mercado e grandes empresas". Aí eu precisei intervir e mostrar pra ele que não é bem assim, tem todo um impacto cultural e social também. Isso acontece porque muitos deles ainda tão se acostumando a pensar de forma mais ampla, sabe? Eles pegam uma parte do conteúdo e acham que é tudo aquilo.
Quando pego esse tipo de erro na hora, costumo usar exemplos práticos pra trazer à tona a complexidade da coisa. Tipo assim: "Rodrigo, pensa na música que você ouve hoje. Tem influência de diferentes países? Isso também é globalização". Geralmente quando trago pra algo mais próximo do universo deles fica mais fácil de entender.
Sobre lidar com alunos como Matheus e Clara... Bom, cada um tem suas necessidades, né? O Matheus tem TDAH então pra ele preciso quebrar as atividades em partes menores. Se tiver muitas informações ao mesmo tempo, ele se perde fácil. Uma coisa que funciona bem pra ele é o uso de cartões com tópicos principais durante as atividades em grupo. Assim ele pode se concentrar em uma coisa de cada vez.
Já a Clara, com TEA, precisa de um ambiente mais previsível e menos caótico. Muitas vezes eu antecipo pra ela como vai ser a aula do dia seguinte ou as mudanças no cronograma. Pra atividades em grupo com ela, costumo escolher pares ou trios mais tranquilos e compreensivos. Outra coisa que ajuda é deixar claro o tempo exato das atividades com um timer visível porque aí ela consegue se organizar melhor.
O que não funcionou muito bem foi tentar fazer exercícios usando muita tecnologia pra atrair o Matheus. Ele ficava distraído com as possibilidades da ferramenta em vez de focar no conteúdo. E com a Clara tentei uma vez mudar de duplas frequentemente achando que seria bom socialmente, mas percebi que ela ficava ansiosa toda vez que tinha essa troca.
Bom gente, acho que é isso! É incrível ver como pequenas mudanças podem fazer uma diferença enorme no aprendizado dos alunos. É um desafio constante, mas também muito gratificante quando vemos os resultados no dia a dia. Adoro ver quando eles começam a conectar os pontos sozinhos e fazer aquelas perguntas que nos deixam até com vontade de pesquisar junto com eles! Fico por aqui nesse post porque já falei bastante. Abraço!