Olha, quando eu penso na habilidade EF89EF15 da BNCC, eu imagino a turma do 9º ano dançando mais do que só dando um passo pra frente e outro pra trás. A ideia é que eles entendam o que tá por trás das danças de salão, tipo de onde vieram, como evoluíram e como a música e os movimentos contam uma história. Não é só sobre dançar, mas sobre perceber os ritmos, os gestos, as coreografias, tudo isso junto. Eu quero que os meninos consigam ver a dança como uma forma de expressão cultural, cheia de história e significado.
Na prática, por exemplo, se a gente fala de samba, quero que eles saibam que não é só sambar no carnaval. Tem todo um contexto histórico aí, né? De onde veio, como se transformou ao longo do tempo. Se eles no 8º ano já aprenderam um pouco sobre ritmos e movimentos básicos, agora é aprofundar e ver como isso pode representar um povo e uma época.
Então, deixa eu contar como eu faço isso acontecer com a galera. Uma das coisas que gosto de fazer é começar com uma atividade de escuta. Escolho umas músicas de diferentes tipos de danças de salão e levo um pequeno rádio ou até mesmo uso o celular com um alto-falante. Aí peço pra eles escutarem primeiro e depois discutirem o que sentiram. Pergunto: "Isso lembra o quê? Dá vontade de fazer qual movimento?" Da última vez que fiz isso, a Ana logo disse que uma música parecia coisa de filme antigo. E era mesmo, era um tango. O Gustavo ficou empolgado quando ouviu uma salsa, disse que dava vontade de dançar sem parar. Isso ajuda eles a perceberem os ritmos antes mesmo de começarem a se mexer.
Outra atividade que faço envolve pesquisa e apresentação. Divido a turma em grupos pequenos e cada grupo recebe uma dança para pesquisar: samba de gafieira, bolero, forró, essas coisas. Dou uns dois encontros pra eles prepararem e depois cada grupo apresenta o que descobriu pros outros. Os materiais são simples: cartolina, pincéis coloridos e o celular pra pesquisar (sempre supervisionado). A Vivi e o Rafael da última vez arrasaram nas curiosidades sobre o forró pé-de-serra. A turma sempre fica meio ansiosa no começo, mas depois se solta e até improvisa umas danças na hora da apresentação.
A terceira atividade é colocar tudo em prática com uma aula de dança. Eu mesmo dou uma introdução aos passos básicos e depois peço pra eles tentarem em duplas ou trios. Aqui eu uso um espaço maior na quadra ou no pátio da escola, dependendo do tempo. Essa parte sempre leva mais tempo porque é quando eles realmente precisam botar a mão na massa - ou melhor, os pés no chão! Da última vez, o Pedro tava todo travado no começo, mas aí a Maria Luiza entrou no ritmo e acabou puxando ele junto. No final da aula até arriscaram uma coreografia improvisada ao som de um bolero. A turma geralmente reage super bem com essa interação mais prática e muitos dizem que nunca imaginavam que podiam dançar desse jeito.
Uma situação engraçada aconteceu quando fizemos esse esquema pela última vez. Estávamos dançando samba de gafieira quando o Felipe inventou de dar uma rodopiada mais ousada na parceira dele, a Júlia. Acabou que ele perdeu o equilíbrio e os dois foram pro chão rindo muito. Claro que levantei eles rapidinho e aproveitei pra falar sobre a importância da segurança na dança! Mas essas coisas são normais de acontecer quando se trabalha com adolescentes - faz parte do aprendizado.
O mais bacana desses momentos é ver como eles acabam se conectando mais com as próprias raízes culturais sem nem perceber. E isso tudo parte das características históricas e sociais das danças que estão analisando ali na prática. É legal assistir esse processo todo acontecendo bem ali na sala (ou quadra!).
Bom, é isso aí pessoal! Espero ter ajudado quem tá começando a trabalhar essa habilidade com a turma do 9º ano. Qualquer coisa, tamos aí pra trocar ideia!
Em continuação ao que eu tava dizendo, quero que eles saibam que no samba não é só mexer o pé, tem a história do povo negro, tem resistência, tem alegria, tem uma narrativa ali. E é justamente no dia a dia, na convivência com a galera, que a gente percebe quando eles começam a pegar a coisa de verdade.
Aí você tá ali na sala, andando de um lado pro outro, e vê o João explicando pra Maria que o passo tal do forró vem de uma dança antiga lá do Nordeste, e ela faz aquela cara de surpresa e curiosidade. É nesse tipo de conversa que a gente percebe o aprendizado acontecendo. Quando eles começam a usar os termos corretos sem perceber, ou até quando questionam algo que você falou e vão buscar mais informação por conta própria.
Teve um dia que achei demais. A Ana tava lá tentando ensinar o Gabriel a fazer um passo básico de samba. Ela falou: "Gabriel, ó, pensa no batuque do tambor, sente o chão". Ele fechou os olhos e de repente, mandou bem demais. Foi ali que eu vi, ele entendeu a conexão da música com o movimento. Sempre falo pra eles que dançar não é só mexer o corpo, mas deixar fluir o que a música tá dizendo pra você.
Claro que nem tudo são flores. Tem uns erros que são comuns demais. Um exemplo clássico é o pessoal achar que é só decorar os passos e pronto, acabou. O Renan mesmo ficou nesse erro um tempo. Ele não tava sentindo a música, tava só no automático. Aí peguei ele de canto e disse: "Renan, tenta se soltar mais, presta atenção na música". Foi tipo apertar um botão de reiniciar. Depois disso ele começou a melhorar.
Outra coisa que acontece com frequência é confundirem ritmos parecidos. A Larissa misturava samba de gafieira com pagode direto. Isso acontece porque às vezes eles não param pra ouvir as nuances da música, só seguem as batidas mais óbvias. Quando isso acontece, costumo fazer uma atividade só de audição, sem dançar. Coloco diferentes tipos de música e peço pra eles identificarem só ouvindo. Isso ajuda muito.
Agora, falando do Matheus e da Clara... Bom, eles são duas figuras incríveis na turma. Com o Matheus, que tem TDAH, eu preciso adaptar um pouco as atividades. Ele se distrai fácil no meio de grupos grandes, então sempre faço pequenos grupos com ele e coloco em tarefas mais curtas e objetivas. Tem uma hora na aula que deixo livre pra explorarem os ritmos como quiserem e isso funciona bem com ele. Ele adora criar e se expressar do jeito dele.
Já com a Clara, que tem TEA, as coisas são um pouco diferentes. Ela gosta de saber exatamente o que vai acontecer em cada parte da aula. Pra ela eu sempre dou um cronograma simples no começo: primeiro faremos isso, depois aquilo... E uso cartões visuais também, mostrando passos ou movimentos. Isso dá pra ela uma segurança maior. Ah, e descobri que ela se conecta muito bem com música clássica misturada com movimentos mais suaves.
Claro que nem tudo sai perfeito sempre. Já tentei uma vez fazer uma atividade em roda com todo mundo falando ao mesmo tempo e foi um desastre completo pro Matheus e pra Clara. Eles ficaram perdidos na bagunça. Agora aprendi a fazer atividades em pares ou trios mais calmos pra não sobrecarregar ninguém.
Mas é isso aí galera! É um trabalho contínuo entender cada aluno e adaptar as aulas pros diferentes jeitos de aprender deles. Na educação física tem espaço pra todo mundo brilhar à sua maneira e essa diversidade enriquece demais as aulas.
Abraços! Espero ter ajudado alguém aí com essas dicas e experiências!