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EF35LP04Língua Portuguesa · Ano · Ensino Fundamental - Anos Iniciais

Inferir informações implícitas nos textos lidos.

Leitura/escuta (compartilhada e autônoma)Estratégia de leitura
CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Oi pessoal, tudo bem? Hoje quero compartilhar um pouco sobre como eu trabalho a habilidade EF35LP04 da BNCC com a galera do 3º Ano. Essa habilidade é sobre inferir informações implícitas nos textos lidos, e vou te falar, é um negócio que parece complicado, mas na prática é bem interessante de trabalhar.

Olha, quando a gente fala em inferir informações implícitas, é aquele lance de ler nas entrelinhas, sabe? Não tá tudo escrito preto no branco. O aluno precisa pegar as dicas, os sinais que o texto dá, e juntar com o que ele já sabe da vida pra entender coisas que não estão diretamente ditas no texto. Por exemplo, num texto que fala de um menino com um casaco grosso e o chão coberto de neve, o aluno tem que sacar que tá frio sem precisar de uma frase dizendo "está frio". É meio como se eles tivessem que montar um quebra-cabeça com as informações disponíveis.

No 2º ano, os meninos já tinham começado a perceber algumas dessas pistas nas histórias que a gente lia juntos. Então o trabalho no 3º ano é aprofundar isso, fazendo eles pensarem mais no porquê das coisas estarem acontecendo nos textos. Eles precisam usar o conhecimento prévio deles pra fazer essas inferências, o que é bem legal porque conecta o que eles vivem com o que eles leem.

Agora vou contar três atividades que costumo fazer na minha sala pra desenvolver essa habilidade. A primeira atividade é uma leitura compartilhada de um conto. Eu pego um conto curtinho, às vezes uma fábula tipo "A Cigarra e a Formiga", porque é um texto com várias camadas de significado. O material é só o texto impresso mesmo, todo mundo recebe uma cópia. Aí eu leio junto com eles, parando em algumas partes estratégicas pra perguntar: "E aí, por que vocês acham que a formiga não ajudou a cigarra? O que isso mostra sobre a personalidade dela?". Isso faz os alunos pensarem além do texto. Essa atividade geralmente leva uns 40 minutos e a turma geralmente fica bem engajada, porque todo mundo já tem alguma ideia sobre economia e preguiça na cabeça.

Aí teve uma vez que o Lucas levantou a mão todo empolgado: "Professor, acho que a formiga não ajudou porque ela tinha medo de ficar sem comida também!". E eu achei ótimo porque ele tava ligando as coisas: medo de faltar comida com o comportamento da formiga.

A segunda atividade é um jogo de inferências com tirinhas. Eu adoro usar tirinhas da Turma da Mônica porque são divertidas e têm bastante coisa não dita. Cada grupo recebe uma tirinha diferente e precisa discutir entre eles o que tá acontecendo além do que tá mostrado nos quadrinhos. Depois eles fazem uma apresentação rápida pro resto da turma dizendo qual foi a conclusão deles. Isso leva mais ou menos uma aula inteira de 50 minutos porque eles precisam conversar em grupo e depois falar na frente dos amigos.

Na última vez, o grupo da Julia fez uma dedução incrível: numa tirinha onde o Cebolinha tava escondendo alguma coisa atrás das costas, eles deduziram que era um plano contra a Mônica só pelo olhar suspeito dele. Todo mundo riu bastante quando eles apresentaram.

A terceira atividade é criar uma história com base em imagens. Eu mostro uma sequência de imagens (nada muito elaborado, pode ser até aquelas sequências de cartões) e peço pra cada aluno escrever uma historinha sobre o que acha que tá acontecendo ali. Eles têm uns 30 minutos pra escrever e depois a gente lê algumas histórias em voz alta. O legal dessa atividade é ver como cada aluno pode interpretar as imagens de forma diferente.

Uma vez a Clara escreveu uma história super detalhada sobre as aventuras de um cachorrinho perdido só a partir de três imagens simples de um cachorro numa praça. E ela conseguiu colocar sentimentos e motivações pras ações do bichinho sem nunca ter lido nada sobre ele antes.

Bom, pessoal, é isso aí! Espero que esse post ajude vocês a pensar em maneiras novas de trabalhar essa habilidade tão rica e importante na prática. Se alguém aí tiver outras ideias ou quiser trocar experiências, tô aqui! Abraço!

Olha, perceber se a galera assimilou essa habilidade sem aplicar uma prova formal é um desafio, mas também é muito gratificante. Você começa a notar as sutilezas, os sinais de que os meninos e meninas estão entendendo o lance de inferir informações. Quando tô circulando pela sala, sempre presto atenção nas conversas deles. Às vezes, o aluno tá explicando pra outra pessoa e você vê que ele pega uma frase no texto que não diz tudo abertamente, e comenta algo do tipo "ah, mas isso aqui quer dizer que o personagem tá triste porque perdeu o cachorro", mesmo que essa tristeza não esteja explicitamente escrita. É nesse momento que você pensa: "ah, esse entendeu!"

Teve uma vez que eu tava andando entre as mesas e escutei a Sofia e o Lucas discutindo sobre um texto em que uma personagem tava sempre adiando um compromisso. Aí o Lucas virou e falou: "Sofia, eu acho que ela tá inventando desculpas porque não quer ir de verdade". Aí a Sofia rebateu: "Claro! Ela até fica olhando pro relógio toda hora!" Pronto, nesse papo rápido eu percebi que eles entenderam como inferir um sentimento ou intenção que não tá escancarado no papel.

Agora, sobre os erros comuns... ah, esses são clássicos. Tem aquele caso típico do Joãozinho, que lê o texto inteiro e chega pra mim dizendo: "Professor, eu não entendi nada do que tá escondido aqui". Às vezes a dificuldade tá em juntar as dicas com o conhecimento prévio. O Joãozinho pode até achar que o texto tá falando de uma coisa quando, na verdade, tá falando de outra completamente diferente. Isso acontece porque ele só olha pro texto sem conectar com o que ele já sabe do mundo.

Outro erro comum é quando a Ana faz uma interpretação muito literal e perde as nuances do texto. Tipo, num texto sobre um personagem que anda dando risada sem parar num dia de chuva, ela pode achar só engraçado e perder que aquilo pode ser uma máscara pra tristeza. Quando eu vejo esse tipo de erro acontecendo ali na hora, tento puxar a criança pra pensar mais além. Pergunto algo como: "Por que você acha que ele tá rindo mesmo com tanta chuva? O que mais poderia estar acontecendo com ele?" Isso ajuda a abrir caminho pra reflexão.

Quando se trata do Matheus, que tem TDAH, preciso ser bastante estratégico. Ele tem dificuldade em manter a concentração por muito tempo, então divido as atividades em partes menores e tento usar materiais mais visuais. Uma vez testei usar fichas coloridas onde ele podia ligar ideias do texto com sentimentos ou conclusões próprias. Ele gostou bastante disso porque cada cor representava um tipo de inferência e funcionou bem melhor do que só deixar ele com o papel na frente.

A Clara, que tem TEA, precisa de um apoio diferente. Com ela, às vezes uso histórias em quadrinhos porque ajudam visualmente a entender emoções e contextos não ditos. Lembro de uma atividade em que usamos quadrinhos para ela identificar como o personagem se sentia mesmo quando só tinha imagem sem falas. Também percebi que ela se beneficia de rotinas bem estabelecidas antes das atividades para não gerar ansiedade.

Nem tudo sempre funciona de primeira com eles. Teve uma tentativa com álbuns de figurinhas expressando sentimentos implícitos onde o Matheus ficou mais interessado nas figurinhas do futebol do que na atividade mesmo! Já com a Clara, precisei ajustar alguns tempos porque ela ficava ansiosa se via muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.

Bom, pessoal, essa é um pouco da minha experiência com essa habilidade no dia a dia. Claro que tem seus desafios, mas ver aqueles olhinhos brilhando quando fazem uma descoberta é recompensador demais. Se tiverem dicas ou quiserem compartilhar suas experiências também, vou adorar ler! Até mais!

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