Olha, essa habilidade EF35LP21 da BNCC é fundamental pra galera do 3º ano, viu? Na prática, ela quer que os alunos leiam e entendam textos literários de vários tipos sozinhos, tipo fábulas, contos, poesias, e até aqueles textos sem ilustração. O desafio é eles conseguirem se virar sozinhos na leitura e começarem a ter suas preferências literárias. Isso é um baita passo pra torná-los leitores de verdade, aqueles que lêem porque gostam e não só porque a gente pediu.
Quando os meninos chegam no 3º ano, eles já têm uma base de leitura lá do 2º ano. Já sabem decodificar as palavras e entender textos mais simples com ajuda. O que a gente faz agora é meio que afiar essa faca, sabe? A ideia é que eles começam a fazer tudo isso sem nosso apoio direto. No fundo, esse negócio de ler sem ilustração é pra ajudar a galera a imaginar mais por conta própria, criar aquelas imagens mentais doidas que a literatura proporciona.
Bom, agora deixa eu te contar as atividades que faço por aqui. Primeiro de tudo, estou sempre buscando material simples e acessível. Você não precisa de muito luxo pra fazer a coisa andar.
Uma atividade que rola é a "Hora da leitura silenciosa". Eu trago uma seleção de livros infantis variados, pego emprestado na biblioteca da escola mesmo, e cada aluno escolhe o que mais atrai. Nessa atividade eles têm uns 20-30 minutos pra lerem sozinhos. A turma se espalha pela sala, uns no cantinho, outros sentados embaixo das mesas (é mole?) e aí começa a mágica. Da última vez que fizemos isso, o João, que sempre é agitado demais pra focar, estava tão envolvido que nem ouviu quando pedi pro pessoal começar a fechar os livros. Esse tipo de situação mostra como a autonomia na leitura vai crescendo.
Outra atividade que gosto de fazer é o "Clube do livro". Funciona assim: cada aluno escolhe um livro pra levar pra casa durante uma semana. Quando voltam, eles compartilham com o resto da turma o que acharam da história. Aqui o lance é mais sobre conversar sobre o livro do que resumir. Dou sempre uns 10 minutos pra cada um se preparar antes de falar, escrevendo um ou dois pontos principais num pedaço de papel. Lembro do dia em que a Ana falou sobre um conto de fadas sem ilustração e descreveu tão bem o castelo do príncipe que até me emocionei. A interação entre eles é sensacional e eu só media essa conversa.
Por último, faço uma atividade chamada "Cria teu conto". Divido a turma em grupos de três ou quatro e dou um empurrão inicial com umas palavras-chave ou frases curtas tipo "um menino perdido na floresta". Eles têm uns 40 minutos pra criar uma história juntos e depois cada grupo vem à frente da sala contar pro resto da turma. Da última vez eu dei "uma viagem ao espaço" como tema e o Pedro fez um personagem alienígena que roubou a cena! Os alunos ficam super animados e se divertem muito enquanto trabalham juntos no desenvolvimento das histórias.
Essas atividades não só ajudam no desenvolvimento da leitura autônoma como também vão lapidando o gosto literário deles. Começo a perceber quem gosta mais de drama, quem curte aventura ou quem prefere poesia. E outra coisa bacana é que nessas conversas entre eles sempre surgem indicações espontâneas: "Ah, Maria tu vai gostar desse livro aqui!", e isso cria uma comunidade leitora na sala.
Acho que a chave tá em criar um ambiente onde eles se sintam à vontade pra explorar livros diferentes sem pressão e onde vejam valor em compartilhar suas leituras com os colegas. Geralmente vejo que quanto mais liberdade dou nesse sentido – claro mantendo umas regras básicas – mais engajados eles ficam.
Então é por aí meu amigo (ou amiga), trabalhando essas habilidades aos poucos mas com consistência. Sempre observo os pequenos progressos – o jeito como começam a preferir certos autores ou gêneros – e isso já me mostra que tô indo no caminho certo com esses meninos danados lá do 3º Ano. É isso aí!
Então, pessoal, perceber que o aluno aprendeu sem fazer uma prova formal é tipo um jogo de observação e escuta, sabe? A primeira coisa que eu faço é dar umas voltas pela sala enquanto eles estão trabalhando nos textos. Aí eu fico atento às expressões deles, aos comentários que fazem com os colegas. É na troca entre eles que a mágica acontece. Por exemplo, já vi a Júlia explicando pra Luana o que era uma metáfora num poema. Ela disse algo tipo: "É quando as palavras querem dizer outra coisa, sabe? Tipo 'coração de pedra' quer dizer que a pessoa não sente nada". Quando eu escuto um comentário desses, aí sim eu sei que ela entendeu o conceito.
Outro momento bacana é quando eles começam a relacionar o texto com alguma coisa do dia a dia deles. Teve um dia que o Pedro tava lendo uma fábula e falou alto: "Nossa, isso aqui é igualzinho ao que minha avó diz pra mim!". Isso mostra que ele não só entendeu, mas também conectou a leitura com a realidade dele. É lindo ver isso acontecendo.
Quanto aos erros comuns, tem de monte, viu? Os meninos às vezes se confundem com o vocabulário diferente ou não captam bem a moral da história em algumas fábulas. O João, por exemplo, uma vez leu um conto e achou que o personagem foi burro por seguir o conselho errado. Ele não percebeu a ironia no texto! Peguei ele na hora e disse: "João, dá uma olhada aqui, será que o autor não tava querendo brincar um pouco com essa situação?". Aí ele parou pra refletir e deu aquele estalo: "Ahhh, entendi!". Muitos erros acontecem por causa da pressa ou da falta de familiaridade com diferentes tipos de texto. Quando vejo isso, tento puxar uma conversa na hora ou depois da aula pra esclarecer.
Agora, falar do Matheus que tem TDAH e da Clara com TEA é importante porque cada um tem seu jeito especial de aprender. Com o Matheus, eu procuro dar instruções mais curtas e diretas. Deixo ele levantar e se movimentar quando precisa porque ficar parado por muito tempo não rola. Também dou pra ele fichas com palavras-chave na hora dos textos pra ajudar a manter o foco. Já percebi que textos com muitos parágrafos longos sobrecarregam ele, então tento quebrar em partes menores.
Com a Clara, é um pouco diferente. Ela gosta de rotina e previsibilidade, então sempre aviso antes qualquer mudança de atividade. Uso muito recurso visual pra ela, como quadros e imagens que ajudem a contextualizar a leitura. Ela também curte ler em voz alta pra si mesma num cantinho mais quieto da sala quando tá concentrada num texto difícil. Outra coisa que funciona bem pra ela é ter acesso a livros que tenham personagens fixos e histórias mais lineares.
O que não deu muito certo foi achar que era só adaptar as atividades sem considerar o tempo deles. No começo, eu tentava seguir o mesmo tempo de atividade igual pros dois e percebi que não funcionava. Agora deixo eles irem no ritmo deles, respeitando essas diferenças.
Bom, galera, acho que é isso por hoje! O desafio tá sempre ali, numa esquina, mas ver os meninos crescendo como leitores faz valer cada esforço. E aí na sala de aula, cada dia é um aprendizado novo pra mim também. Se tiverem dicas ou quiserem compartilhar experiências parecidas, tô aqui pra gente trocar ideia! Até mais!