Bom, olha, essa habilidade EF35LP11 da BNCC é uma daquelas que eu gosto muito de trabalhar com os meninos aqui na escola. Basicamente, quer que os alunos escutem diferentes tipos de fala e reconheçam as variedades na maneira como a gente fala pelo Brasil afora. Sabe, um povo fala de um jeito no interior, outro na cidade grande, cada estado tem sua pegada própria e nossos meninos precisam aprender a perceber isso direitinho. A ideia é que eles entendam e respeitem essas diferenças, que são super naturais, sem achar que uma forma de falar é melhor que a outra.
Então, quando paro pra pensar nisso aqui com a turma do 3º Ano, a primeira coisa é ajudar a galera a perceber que não existe só um jeito certo de se comunicar. Na série anterior, eles já começaram a entender que a língua pode mudar dependendo da situação. Por exemplo, eles sabem que não falam com o professor do mesmo jeito que conversam no recreio, né? Agora eu levo isso mais longe e mostro como pessoas de diferentes lugares do país falam diferente também. É bem legal ver como eles começam a pensar sobre isso.
Uma das atividades que eu faço e sempre dá certo é a roda de escuta. Junto algumas gravações de áudio com pessoas falando diferentes sotaques e expressões regionais. Tem coisa tipo uma receita mineira, uma entrevista com um gaúcho falando sobre chimarrão e um pedacinho de novela com personagem nordestino. O material é simples, pego tudo da internet mesmo. Coloco esses áudios durante umas duas ou três aulas seguidas e depois a gente senta em círculo pra discutir o que ouviram. Às vezes eles não entendem uma palavra ou expressão e aí vira uma piada interna entre a gente.
Lembro que na última vez que fizemos isso, o João ficou impressionado com o sotaque do gaúcho e perguntou por que ele falava tão "cantado". Aí foi uma ótima deixa pra explicar sobre as influências culturais e históricas nas regiões. Os meninos sempre têm reações curiosas, tipo: "Por que eles falam assim?" ou "Nossa, parece outra língua!". Isso leva umas duas aulas pra ficar redondinho.
Outra atividade boa é trazer algumas músicas de várias partes do Brasil. Eu escolho umas músicas conhecidas, tipo Luiz Gonzaga pro Nordeste ou Elis Regina pro Sul. Aí coloco as letras e a gente analisa junto na sala. Nessa parte, os alunos ficam em duplas ou pequenos grupos e cada um pega uma música diferente pra estudar. Eles têm que identificar palavras ou expressões típicas daquela região e depois apresentar pro resto da classe o que descobriram. Normalmente isso leva mais duas aulas.
Teve uma vez que o Pedro escolheu uma música do Gilberto Gil e ficou super empolgado porque descobriu o significado de "xaxado". Ele chegou todo animado dizendo: "Professor, agora sei o que é xaxado! Parece dança!" E essas descobertas são muito valiosas porque eles começam a conectar isso com a cultura local.
A última atividade que eu faço é convidar alguém da comunidade pra vir falar sobre suas experiências pessoais, especialmente se for alguém de outra região do Brasil. Uma vez conseguimos trazer um colega professor aposentado do Paraná que contou histórias da vida dele na roça. A turma adora quando tem alguém contando experiências ao vivo porque eles podem fazer perguntas e ouvir diferentes formas de falar diretamente.
Uma situação engraçada dessa visita foi quando a Ana perguntou como era comer pinhão pela primeira vez. O professor começou a explicar como se cozinha pinhão e usou várias expressões típicas da região sul, o que gerou bastante risada porque os meninos nunca tinham ouvido algumas delas. Esse tipo de interação é ótima porque humaniza ainda mais o processo de aprendizagem.
Aí, durante essas atividades todas eu sempre reforço com os meninos a importância do respeito pelas diferenças linguísticas. Eles precisam entender que não existem erros quando se trata de sotaques ou variações regionais; são só maneiras diferentes de falar e todas têm seu valor.
Enfim, trabalhar essa habilidade é bem gratificante porque abro um mundo novo pros alunos e eles começam a valorizar mais as diferenças culturais do país todo. E no fim das contas, ver esse brilho nos olhos deles quando descobrem algo novo é o que faz tudo valer a pena.
Vamos trocando ideias por aqui! Se alguém tiver outras sugestões ou quiser contar suas experiências também, vou adorar saber como vocês lidam com essa habilidade nas suas turmas! Abraço!
Então, quando paro pra pensar nisso, vejo que o bacana mesmo é perceber como os meninos vão pegando essa ideia no dia a dia. É muito mais do que fazer uma provinha e ver se eles acertam ou erram. Eu circulo bastante pela sala, dou uma passada em cada grupinho, e é ali que a gente vê se eles tão sacando o lance ou não. Por exemplo, teve uma vez que eu tava andando pela sala e passei por perto do João e do Pedro. O João tava explicando pro Pedro que lá na terra da avó dele, no interior de Minas, eles chamam "pão de queijo" de "queijim". Aí o Pedro arregalou os olhos e disse: "Sério, que massa! Aqui a gente fala pão de queijo mesmo." Ali eu entendi que eles estavam realmente percebendo as diferenças e respeitando isso numa boa. É esse tipo de conversa que mostra que o conteúdo tá sendo absorvido.
Outra situação bacana foi quando a Luana, que é uma figurinha, falou na roda de conversa sobre uma viagem que fez pro Nordeste. Disse que lá eles falavam "oxente" e "arretado" e chamou a atenção do grupo pra isso. Ela explicou pro pessoal o que cada coisa significava e os meninos ficaram super interessados, rindo e tentando imitar o sotaque. Nessas horas você vê que eles não só entenderam a diferença, mas também tão curtindo aprender sobre ela.
Agora, os erros mais comuns... Olha, tem uns clássicos. Tipo assim, a Ana Clara sempre confunde quando fala de variação de sotaque com erro de português. Uma vez ela comentou: "Ah, eles falam tudo errado por lá". Aí eu tive que entrar e explicar que, na verdade, não é errado, é só diferente. Outro dia mesmo o Matheus falou que lá no Rio Grande do Sul eles "erram" ao dizerem "tu" em vez de "você". Aí a gente aproveita essa deixa pra mostrar que não é questão de erro, mas sim de diversidade linguística. E também rola muita troca entre os próprios alunos — o Rafael corrigiu a Alice dizendo que um amigo dele do Maranhão fala certo quando usa palavras como "baião de dois". A interação entre eles é incrível nesse sentido.
Quando vejo um erro desses na conversa, eu costumo parar um pouquinho e trazer um exemplo concreto pra eles entenderem melhor. Tipo pegar um vídeo ou um áudio de uma região específica do Brasil e mostrar ali na hora como as pessoas falam naturalmente daquela maneira. Isso ajuda demais porque visualizam na prática.
Agora, falando dos alunos com necessidades específicas — Matheus com TDAH e Clara com TEA — tenho umas estratégias pra ajudar. O Matheus tem muita energia e às vezes se perde nas atividades mais demoradas. Então o que faço é dividir as tarefas em partes menores pra ele. Tipo assim: ao invés de pedir pra ele fazer uma pesquisa longa sobre variações linguísticas de uma vez só, eu divido a pesquisa em pequenas etapas. Uma hora ele busca vídeos curtos de sotaques diferentes, depois escreve umas frases sobre o que viu, e assim vai.
E quanto à Clara, que tem TEA, eu percebi que ela lida bem com materiais visuais. Então sempre preparo cartazes com imagens representando diferentes regiões e sotaques do Brasil. Ela gosta muito quando trabalhamos com música também: ouvir canções típicas de cada lugar ajuda bastante na compreensão dela sobre as diferenças.
Claro que já teve coisa que não deu certo. Lembro de uma vez que tentei fazer uma dinâmica em grupo sem adaptar nada pro Matheus e ele ficou super disperso. Depois disso aprendi a dar instruções bem claras pra ele antes de começar qualquer atividade em grupo. Com a Clara, já errei ao usar muito texto e pouca imagem; agora sempre priorizo recursos mais visuais.
É isso aí. A gente vai aprendendo junto com os meninos, ajustando aqui e ali pra garantir que cada um deles explore essas riquezas culturais do nosso país da melhor forma possível. Se tiverem dicas ou experiências parecidas, manda aí! Sempre bom trocar ideia com vocês.
Até a próxima conversa!