E aí, pessoal! Hoje vou compartilhar como eu trabalho a habilidade EF89LP20 da BNCC com a galera do 8º ano. Pra começar, essa habilidade é sobre ajudar os meninos a entenderem, compararem e analisarem propostas políticas e soluções de problemas. Na prática, é fazer eles pensarem criticamente sobre o que está por trás das propostas, tipo: o que querem fazer, por que querem fazer, como vão fazer isso, e se tudo isso faz sentido. Eles precisam ver se as informações batem entre diferentes fontes e se a justificativa faz sentido. Basicamente, é sobre ensinar a molecada a ser crítica e não engolir qualquer informação sem pensar.
Antes de chegar no 8º ano, a turma já teve um certo contato com textos argumentativos e um pouco de análise crítica no 7º ano. Então, a gente só aprofunda isso. Antes, eles já tinham aprendido a identificar argumentos e entender o básico de uma opinião embasada. Agora no 8º ano é como se estivéssemos fazendo eles darem um passo além, comparando vários pontos de vista e observando as contradições.
Agora vou contar como eu faço isso acontecer na prática com três atividades que rolam lá na sala de aula.
A primeira atividade que gosto de fazer é chamada "Debate das Propostas". Eu pego algumas propostas reais de candidatos políticos (pode ser até de eleição para grêmio escolar) e organizo a turma em dois grupos. Cada grupo analisa uma proposta diferente. Aí eles precisam discutir entre si os pontos principais: o que é proposto, por que essa proposta existe, quais os possíveis benefícios e como poderia ser implementada. A ideia é que cada grupo defenda sua proposta e questione a outra. Pra isso, eu imprimo as propostas com os dados mais básicos e levo pra sala. Costuma levar umas duas aulas de 50 minutos. A galera adora um debate e sempre tem uns alunos mais engajados, tipo o João e a Maria, que já saem defendendo ou criticando com vontade. Da última vez, rolou até uma comparação entre uma proposta meio exagerada de um candidato fictício que sugeria construir uma piscina olímpica na escola, enquanto outro propunha aumentar as atividades culturais. Foi divertido ver como eles percebem o absurdo de algumas promessas.
Outra atividade legal é a "Análise de Notícias". Eu seleciono duas ou três notícias sobre um mesmo tema (tipo meio ambiente ou educação) de diferentes veículos. Depois divido a turma em grupos pequenos pra facilitar o trabalho em equipe. Cada grupo analisa uma notícia: lê atentamente, discute os pontos principais e depois compara com as outras notícias dos outros grupos. Essa atividade também leva umas duas aulas. O objetivo é eles perceberem como a mesma informação pode ser apresentada de formas diferentes dependendo da fonte ou da intenção do texto. Na última vez que fizemos isso, o Pedro ficou surpreso ao ver como dois jornais podiam dar ênfase completamente diferentes pra mesma notícia sobre mudanças climáticas. Isso gerou uma discussão ótima sobre credibilidade das fontes e a importância de buscar informações em mais de um lugar.
Pra fechar, tem uma atividade chamada "Projeto Solução de Problemas". Aqui eu proponho um problema real ou fictício pra turma resolver em grupos. Eles precisam criar uma proposta completa: pensar nas motivações, nos objetivos, nas ações necessárias e até em como avaliar se deu certo ou não depois de implementar. A parte legal é que eles apresentam essas propostas pro restante da turma como se fossem verdadeiras campanhas políticas. Uso papéis grandes pra eles terem espaço pra escrever tudo que querem apresentar — tipo cartazes mesmo. O tempo varia porque às vezes eles empolgam e pedem mais tempo pra preparar bem (geralmente umas três aulas). As apresentações são sempre um show à parte! Os alunos adoram essa parte porque é quando eles veem o quanto pensaram bem nos detalhes das propostas dos colegas. Da última vez, o Lucas e o Rafael criaram uma proposta super bem pensada sobre melhorar os espaços de convivência na escola usando materiais reciclados. Foi impressionante ver como ficaram empolgados em discutir ideias sustentáveis.
E é isso pessoal! Trabalhar essa habilidade exige paciência mas é super recompensador ver os meninos desenvolvendo um olhar crítico sobre o mundo ao redor deles. Espero que essas dicas ajudem vocês por aí também! Grande abraço!
E aí, continuando a conversa sobre a habilidade EF89LP20, queria contar como é que eu percebo que os meninos realmente entenderam o conteúdo sem ter que aplicar aquela prova formal. Olha, o legal é que no dia a dia de sala de aula, quando a gente fica de olho e ouvido atento, dá pra sacar quem pegou a ideia.
Quando eu tô circulando entre as carteiras, é incrível como dá pra perceber pelo jeito que eles falam. Às vezes, eu ouço o Pedro explicando todo empolgado pro Lucas sobre como a proposta de um projeto de lei tem que ter justificativa clara. É naquela hora que eu penso “esse moleque pegou o espírito da coisa!”. Tem também aquele momento mágico quando eles começam a debater entre si, tipo quando a Júlia e a Mariana discordam sobre uma notícia e cada uma traz argumentos pra defender seu ponto de vista, usando exemplos que discutimos em aula. Isso é música pros meus ouvidos!
Outra situação é quando alguém vem me perguntar algo, mas não só pra tirar dúvida — vem com uma curiosidade genuína. Igual da vez que o Caio veio me questionar sobre uma propaganda eleitoral específica e queria saber mais sobre quem financia isso e aquilo. Ele tava ali, interessado em saber o que tá por trás das cortinas, e isso mostra que ele tá aplicando o que aprendeu.
Agora, falando dos erros comuns que os meninos cometem nesse conteúdo, tem bastante coisa pra compartilhar. Um erro recorrente é confundir opinião pessoal com fato. A Ana, por exemplo, veio várias vezes com um texto opinativo achando que tava apresentando argumentos sólidos só porque tinha algo forte a dizer. Eu paro e explico pra ela que uma coisa é sua opinião e outra é um argumento fundamentado. Aí eu mostro como buscar dados e usar exemplos concretos pra fortalecer o ponto de vista.
Outra coisa é não fazer comparação entre fontes diferentes. O Joãozinho sempre trazia material de só uma fonte e tirava suas conclusões dali mesmo. Quando pego isso na hora, já puxo ele pro lado e digo: “Joãozinho, bora ver o que outras fontes falam?”. Aí vamos juntos buscar mais materiais e comparar.
Sobre o Matheus e a Clara, desafios diferentes mas ambos me ensinam muito. O Matheus tem TDAH, então eu preciso sempre buscar maneiras de manter ele focado sem sobrecarregar. Atividades muito longas não rolam com ele. O que funciona é dividir tudo em etapas menores com pausas no meio e usar bastante recurso visual.
Com a Clara, que tem TEA, é importante manter uma rotina bem definida e prever qualquer mudança com antecedência. Ela responde bem quando faço adaptações visuais no material — uso gráficos, tabelas coloridas e diagramas pra transmitir as ideias principais. Também percebi que ela se engaja muito mais quando pode trabalhar com temas ligados aos seus interesses pessoais.
Agora, o que não funcionou? Bom, tentei uma vez usar vídeos longos com o Matheus achando que ia prender a atenção dele mais tempo... foi um desastre! Perdi ele em menos de cinco minutos. Com a Clara, uma vez mudei a ordem da aula sem avisar antes e foi complicado pra ela se ajustar. Aprendi rápido a importância da previsibilidade.
No fim das contas, perceber se eles entenderam ou não é menos sobre provas formais e mais sobre estar junto deles nessa caminhada do dia a dia escolar. A gente vai ajustando aqui e ali pra garantir que todos consigam participar do processo de aprendizado.
Bom, pessoal, vou ficando por aqui. Sempre bom trocar essas experiências por aqui e ouvir vocês também! Se tiverem alguma dica ou quiserem compartilhar algo que funcionou com vocês, tô na escuta! Abraços!