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EF89LP29Língua Portuguesa · Ano · Ensino Fundamental - Anos Finais

Utilizar e perceber mecanismos de progressão temática, tais como retomadas anafóricas (“que, cujo, onde”, pronomes do caso reto e oblíquos, pronomes demonstrativos, nomes correferentes etc.), catáforas (remetendo para adiante ao invés de retomar o já dito), uso de organizadores textuais, de coesivos etc., e analisar os mecanismos de reformulação e paráfrase utilizados nos textos de divulgação do conhecimento.

OralidadeTextualização Progressão temática
CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, trabalhar essa habilidade EF89LP29 com a galera do 8º Ano é um desafio interessante, mas também muito gratificante. Basicamente, o que a BNCC quer aqui é que os meninos consigam usar e perceber uns mecanismos de progressão temática, que nada mais são do que maneiras de deixar o texto mais claro e coeso. Tem aquelas palavrinhas como "que", "cujo", "onde", os pronomes, os demonstrativos... A ideia é: o aluno precisa conseguir ligar as ideias no texto de uma forma que quem tá lendo não se perca. Eles têm que aprender a usar a informação de antes pra dar continuidade ou trazer um ponto novo que ainda vai ser desenvolvido, como no caso das catáforas.

Um exemplo concreto seria escrever um texto informativo sobre vulcões (ou qualquer outro tema de ciências, por exemplo). A molecada precisa se ligar em como usar essas expressões pra não ficar repetindo toda hora "o vulcão isso", "o vulcão aquilo". Em vez disso, eles podem usar "ele", "esses", "aquilo", e assim por diante. E quando falamos de catáforas, é como preparar o leitor para algo que vai aparecer mais à frente no texto. Tipo quando você diz: "O fenômeno que vamos entender agora é..." Aí, vem todo o desenvolvimento depois.

No 7º Ano, eles já tinham visto bastante coisa sobre coesão e coerência, mas agora é aprofundar mesmo, porque a gente vai lidar com textos mais complexos. Eles já sabem sobre pronomes e algumas conjunções, mas precisam praticar mais pra aplicar isso em textos maiores e mais voltados pra divulgação do conhecimento científico ou histórico.

Bom, agora vou contar três atividades que eu faço aqui com a galera pra trabalhar isso.

A primeira atividade que eu gosto muito de fazer envolve uma leitura compartilhada. Eu uso textos de revistas de divulgação científica bem simples, tipo Superinteressante ou Ciência Hoje das Crianças, porque têm linguagem acessível e boa progressão temática. Como material extra, costumo usar um quadro branco pra anotar algumas das expressões enquanto lemos juntos. Divido a galera em grupos pequenos, uns cinco alunos cada, e durante uns 40 minutos eles leem o texto juntos. O legal é observar a interação deles; cada grupo escolhe alguém pra ser o "leitor oficial" enquanto os outros acompanham. Na última vez, o Júlio tava todo empolgado lendo sobre buracos negros e a Sofia fez umas observações muito legais sobre como o texto usava "esse" e "aquele" para não repetir as palavras.

Outra atividade que eu faço é jogar um jogo de construção de textos. Eu dou um parágrafo inicial sobre um tema qualquer, tipo "um dia na vida de um astronauta", e cada grupo tem que continuar o texto usando expressões anafóricas e catáforas corretamente. É tipo um “cadavre exquis”, só que com regras específicas pra esse tipo de mecanismo textual. Uso papel A4 mesmo e cada aluno escreve uma frase antes de passar pro colega do lado. Dá uns 30 minutos essa brincadeira toda. Na última rodada que fizemos, a Mariana se superou! Ela começou seu trecho com uma catáfora bem legal: "O próximo desafio deles era ainda mais complicado..." E todo mundo queria saber qual era o desafio! A galera deu muitas risadas quando o Lucas tentou continuar a história sem perceber que tinha repetido várias coisas já ditas.

A terceira atividade envolve reformulação e paráfrase. Aqui eu dou textos curtos da própria turma ou antigos, escritos por eles mesmos no início do ano. Aí peço pra reescreverem tentando melhorar a coesão usando mecanismos de progressão temática. Isto leva mais tempo, umas duas aulas de 50 minutos cada, porque eles têm que reler com calma e pensar em novas formas de expressar as mesmas ideias sem perder o sentido original. É bem legal ver como eles evoluem nesse processo. Teve uma vez que o Pedro ficou surpreso ao perceber como era possível tornar o texto dele muito mais fluente sem mudar tanto o conteúdo; ele usou bastante pronomes demostrativos pra evitar repetições desnecessárias.

É interessante ver como essas atividades também despertam nos meninos um senso crítico em relação ao próprio jeito de escrever. Cada vez mais eles começam a se questionar sobre como se expressam melhor em seus textos.

Bom, pessoal, é por aí que eu vou levando na sala com essa habilidade. Claro que sempre tem ajustes conforme vejo a reação deles ou quando algo não sai como planejado. Ainda assim, vejo muito progresso neles e isso me anima a continuar explorando novas formas de ensino! E vocês? Como têm trabalhado isso nas suas turmas? Bora compartilhar ideias!

Bom, aí você me pergunta: mas Carlos, como é que você percebe se eles aprenderam isso sem meter uma prova formal, né? Olha, a mágica acontece no dia a dia mesmo, na interação com eles. Por exemplo, quando tô circulando pela sala, dá pra ver os olhinhos brilhando quando eles conseguem conectar as ideias de um texto ou quando explicam isso uns pros outros. Lembro uma vez que o João tava discutindo um texto em grupo e ele virou pra Maria e falou: "Não, Maria! Olha aqui, quando a gente fala 'o qual' tá se referindo à ideia anterior, saca?" Aí eu pensei: opa, esse já tá pegando a manha!

E tem também aqueles momentos em que tô só de cantinho ouvindo as conversas deles. Outro dia, o Pedro tava comentando com a Júlia sobre um texto que a gente leu e disse algo tipo: "Ah, por isso que ele usou 'onde', porque tá falando daquele lugar lá". Nessa hora dá pra perceber que eles tão começando a entender como essas palavras fazem o texto fluir melhor.

Agora, os erros mais comuns... Olha, não são poucos não. O Marcos, por exemplo, sempre esquece de usar o pronome certo e mistura tudo. Uma vez ele escreveu um texto que tinha "a qual" pra falar de uma coisa abstrata, mas aí não faz sentido, né? Aí sentei do lado dele e expliquei que "a qual" tá mais ligado a coisas concretas ou específicas. A maioria desses erros vem mesmo da pressa ou da falta de atenção na hora de revisar.

Outro erro comum é trocar os pronomes muito próximos entre si. A Ana vive confundindo "este" e "esse". Eu sempre falo: "Ana, 'este' é aqui, pertinho de quem tá falando; 'esse' é ali, perto de quem ouve". E a galera ri, mas funciona! E quando pego o erro na hora, geralmente paro tudo e fazemos juntos ali mesmo. Às vezes uma anotação em post-it resolve na hora.

Agora o Matheus e a Clara... Ah, esses dois são um caso à parte. O Matheus tem TDAH e precisa de estratégias diferentes. Com ele, divido as atividades em partes menores e dou mais pausas. Ele responde super bem quando faz pequenos intervalos pra dar uma respirada. Já tentei usar timer no celular com ele e até funcionou um tempo, mas ele começou a ficar ansioso com o barulho do alarme. Então troquei por um sinal visual mais sutil.

Já a Clara, que tem TEA, gosta de previsibilidade. Ela se dá melhor com rotina bem estabelecida. Então deixo claro no início da aula o que vamos fazer e às vezes faço cartõezinhos coloridos com passos da atividade. Ah, e ela se comunica melhor por escrito do que oralmente em algumas situações. Então quando fazemos discussões em grupo, deixo ela escrever antes de compartilhar.

O material visual ajuda muito os dois. Pro Matheus uso mapas mentais coloridos que ele adora ajudar a fazer no quadro. Com a Clara uso histórias em quadrinhos pra ensinar progressão temática; parece que ela entende melhor o encadeamento visual da narrativa.

E assim vou ajustando as coisas conforme preciso. Nem sempre acerto de primeira com eles, sabe? Uma vez tentei uma atividade prática de montar frases com cartas embaralhadas e foi um caos pro Matheus ficar parado na mesa arrumando as cartas. Mas aí vou experimentando.

Então é isso pessoal! Cada dia é um desafio diferente na nossa sala de aula, mas é desse jeito que vamos caminhando juntos: errando aqui, acertando ali e aprendendo sempre mais. Vou parando por aqui que já falei demais! Espero ter ajudado um pouco com as dicas. Se alguém tiver mais sugestões ou quiser compartilhar experiências parecidas, tô por aqui! Até a próxima!

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