Olha, quando a gente fala da habilidade EF15AR17 da BNCC, acho que a ideia é bem legal. É sobre dar aos alunos a chance de explorar e criar com sons e música. A gente quer que eles experimentem e brinquem com vozes, estalos de dedos, batidas nas mesas, ou até com instrumentos que a gente improvisa, tipo garrafas cheias de arroz ou latas. É ver eles entendendo que música é mais do que só tocar um instrumento certinho ou cantar afinado. É descobrir que dá pra fazer música de várias formas e em conjunto com os colegas.
No terceiro ano, os meninos já chegam com uma noção básica do que é som, ritmo e talvez algumas músicas simples que aprenderam a cantar no ano anterior. Eles sabem bater palmas em ritmo, cantar em rodinha, essas coisas. Mas essa habilidade é pra ir além. É sobre eles perceberem que toda aquela barulheira pode virar música se eles trabalharem juntos e pensarem um pouco fora da caixa.
Uma das primeiras atividades que faço com eles é a nossa famosa "orquestra de sala de aula". Eu peço pro pessoal trazer de casa qualquer coisa que faça som: tampas de panela, garrafas pet, latinhas... o que tiver à mão. No dia da atividade, organizo a turma em pequenos grupos — cada grupo com uns quatro ou cinco alunos — e eles têm uns 30 minutos pra experimentar os sons que conseguem tirar dos objetos. Depois, cada grupo apresenta pro resto da turma o "show" deles. E olha, é sempre uma diversão! Na última vez, a Maria inventou uma batida super legal com duas tampinhas de refrigerante e o João complementou com um som grave usando uma caixa de papelão. Todo mundo ficou empolgado e aplaudiu! É uma atividade simples mas poderosa porque eles precisam ouvir um ao outro e coordenar os sons pra criar uma música coerente.
Outra atividade que faço é a "história sonorizada". A galera adora inventar histórias malucas e aí eu aproveito isso. Primeiro, dividimos a turma em duplas ou trios e cada grupo cria uma história curtinha. Depois, eles têm que pensar nos sons que poderiam acompanhar a narrativa. Por exemplo, se a história tem um cachorro correndo no parque, alguém pode latir ou bater suavemente nas pernas pra imitar passos. Eles têm uns 40 minutos pra ensaiar e depois apresentam pros colegas. Na última vez, o Pedro ficou encarregado de fazer os sons de uma floresta e ele mandou muito bem usando só umas folhas secas que achou no pátio! A Gabriela, por outro lado, fez um trovão super convincente balançando uma sacola plástica bem devagar.
E tem também a atividade chamada "coral maluco". Pra essa atividade, não precisa trazer nada além da criatividade e da voz mesmo. Eu escolho uma música bem conhecida da turma — tipo "Atirei o Pau no Gato" — e divido eles em grupos novamente. Cada grupo precisa reinterpretar a música usando apenas sons vocais diferentes. Pode ser sussurrando, fazendo beatbox ou qualquer outro som engraçado que eles inventem. Cada grupo tem uns 20 minutos pra se preparar e depois todos apresentam para o restante da turma. Da última vez, foi hilário ver o Lucas tentando fazer uma versão heavy metal com um rosnado engraçado enquanto o restante do grupo fazia o acompanhamento com estalos de língua. A reação do pessoal foi incrível; teve muita risada e aplausos!
Essas atividades são maneiras eficazes de trabalhar essa habilidade porque permitem que os alunos experimentem a criação musical de forma colaborativa e sem medo do julgamento. Eles aprendem na prática o valor do trabalho em equipe enquanto desenvolvem sua criatividade e percepção sonora. E é sempre bacana ver como cada aluno traz algo único para o grupo; às vezes aquele aluno mais tímido se destaca com uma ideia brilhante de sonorização.
No fim das contas, é tudo sobre dar espaço pros meninos se expressarem e entenderem que música é mais do que notas no papel; é sobre sentimentos, colaboração e criatividade. E depois dessas atividades, quando vejo eles comentando entre si ou até refazendo as brincadeiras no recreio, fico com aquela sensação boa de missão cumprida.
Bom, espero que tenha ajudado quem tá começando nessa jornada da BNCC! Não tem segredo; é só deixar os meninos soltos dentro do propósito certo e dar umas boas risadas junto com eles.
Aí, continuando sobre a habilidade EF15AR17, sabe como eu percebo que os meninos estão pegando o jeito, mesmo sem fazer uma prova formal? É bem no dia a dia mesmo, naquelas interações que vão além do papel e lápis. Quando eu dou uma atividade pra eles criarem música com materiais diferentes, gosto de circular pela sala e prestar atenção no que tá rolando. Se eu vejo a Maria ajudando o João a achar o ritmo certo com as tampinhas de garrafa ou o Lucas explicando pra Ana como fazer um som diferente batendo na mesa, aí eu já sei que eles entenderam. Outra coisa que gosto de observar é quando eles começam a inventar as próprias ideias. Outro dia, vi a Sofia e o Pedro experimentando fazer um som ecoante usando copos plásticos. Eles estavam tão empolgados, explicando um pro outro como mudar o som movendo os dedos em volta do copo. Isso é um sinal claro de que a aprendizagem tá acontecendo.
Mas, claro, os erros também fazem parte do processo. Uma coisa que noto bastante é uma confusão entre ritmo e melodia. O Caio, por exemplo, às vezes mistura as duas coisas quando tenta criar uma batida com uma melodia cantada ao mesmo tempo. Acho que esse erro acontece porque nessa idade eles ainda tão desenvolvendo a habilidade de separar esses elementos musicais na cabeça. Quando eu pego esse tipo de erro na hora, tento dar um exemplo concreto bem ali no momento. Tipo assim: faço uma batida simples com as palmas e depois canto uma melodia pra ele perceber a diferença. Ajuda bastante!
Outra coisa comum é eles se perderem no tempo quando estão num grupo grande. Já vi isso acontecer com o grupo da Júlia e do Bruno. Eles começam super empolgados a fazer música juntos, mas aí vão acelerando até perderem completamente o ritmo original. Pra isso, costumo usar uma contagem em voz alta ou batidas regulares pra ajudá-los a manter o tempo.
Falando do Matheus, que tem TDAH, e da Clara, com TEA, eu sempre busco adaptar as atividades pra incluir todo mundo no processo de aprendizado. O Matheus é um menino cheio de energia e, às vezes, tem dificuldade em ficar concentrado por muito tempo em uma atividade só. Então, pra ele funcionar legal, costumo dividir as atividades em pedaços menores e dar pequenas pausas entre elas. Isso evita que ele fique sobrecarregado. Além disso, deixo ele escolher os instrumentos que quer usar primeiro pra engajar mais.
Com a Clara é um pouco diferente. Ela é super sensível a sons altos e ambientes muito agitados podem deixá-la desconfortável. Uma coisa que funciona bem é oferecer fones de ouvido quando estamos fazendo atividades em grupo com muitos sons ao mesmo tempo. Esses fones ajudam a minimizar o barulho e deixam ela mais confortável pra participar. Também gosto de dar instruções visuais pra ela — tipo cartõezinhos ou imagens mostrando o passo a passo da atividade. Isso dá um apoio visual e ajuda ela a entender melhor o que deve fazer.
Olha, já testei umas coisas que não funcionaram tão bem também. Tentei uma vez introduzir instrumentos novos numa mesma aula pra toda turma e acabei percebendo que tinha sido informação demais pro Matheus processar de uma vez só. Daí agora vou inserindo um pouquinho por vez.
E assim vou levando, testando uma coisa aqui, ajustando outra ali. Cada aluno tem seu jeito e acho que parte do nosso trabalho é encontrar essa chave única pra cada um deles aprender à sua maneira. Quem tem sala de aula sabe que não tem fórmula mágica, mas quando a gente vê aquele brilho no olhar deles ao descobrir algo novo, vale todo esforço.
Bom pessoal, é isso! Espero ter contribuído aí com vocês nesse bate-papo sobre música na escola. Se alguém tiver mais dicas ou quiser trocar ideia sobre outros desafios em sala de aula, tô por aqui! Valeu demais!