Aí, pessoal, tudo bem? Hoje quero compartilhar com vocês como eu trabalho a habilidade EF15AR16 com a minha turma do 3º Ano. Essa habilidade, de acordo com a BNCC, fala sobre explorar formas de registro musical não convencional e reconhecer notação musical. Mas vamos descomplicar isso, né? Na prática, o que eu entendo disso é que os meninos precisam aprender a representar sons de jeitos diferentes. Não é só ler e entender as partituras tradicionais, mas também criar desenhos ou usar símbolos que façam sentido pra eles e que ajudem a expressar o que estão ouvindo ou imaginando. Eles também precisam começar a ter uma noção básica de como funciona a notação musical convencional, tipo saber o que é um pentagrama, uma nota.
Na série anterior, os meninos já tiveram contato com música, mas era mais voltado pra escutar e reproduzir sons. Tipo cantar músicas, batucar ritmos com as mãos, aquelas coisas mais intuitivas mesmo. Agora, o desafio é deixá-los mais à vontade pra registrar isso de alguma forma. Então, a conexão com o que eles já sabiam tá em usar essa escuta e reprodução de sons pra agora representar isso graficamente ou até mesmo em gravação.
Uma das atividades que eu gosto de fazer é chamada "Desenho Sonoro". É bem simples e dá pra fazer sem muito material. Eu levo pra sala alguns trechos de músicas instrumentais, geralmente escolho coisas bem variadas pra dar um leque maior pra galera, tipo um trecho de música clássica, outro de jazz e um de samba. Aí entrego folhas em branco e lápis de cor pros alunos e coloco os meninos sentados em círculo. A ideia é eles ouvirem o som e desenharem o que estão sentindo ou imaginando. Não tem certo ou errado. Isso costuma levar uns 30 minutos.
Na última vez que fizemos essa atividade, teve um momento muito engraçado com o João. Ele tava ouvindo um trecho de jazz e desenhou umas linhas bem tortas e falou que era "a música meio doida". Aí a Ana fez um desenho todo colorido pro samba e explicou que as cores estavam dançando na cabeça dela. É muito legal ver como cada um interpreta os sons de maneira tão única.
Outra atividade que já trouxe ótimos resultados é a criação de partituras criativas. Aqui eu uso cartolina e adesivos de diferentes formas e cores. Divido a turma em grupos pequenos, geralmente de quatro ou cinco alunos. Cada grupo tem que criar uma “partitura” usando adesivos pra representar diferentes sons ou instrumentos. Por exemplo, um adesivo de estrela pode ser um som agudo, enquanto um quadrado pode ser um som grave. A galera adora essa parte porque é tipo brincar de inventar uma linguagem só deles.
No final da atividade, peço pra cada grupo apresentar sua partitura pros outros e tentar tocar os sons usando instrumentos simples como pandeiro ou flauta doce. Isso leva mais ou menos uma aula inteira, uns 50 minutos. Na última vez que fizemos essa atividade, o grupo do Pedro foi super criativo ao usar adesivos em zigue-zague pra representar uma melodia crescente. Todo mundo aplaudiu! Foi bem divertido ver como eles se empolgam ao explicar suas criações.
E por último, uma das atividades mais desafiadoras: o reconhecimento da notação musical convencional. Eu sei que parece complicado pra meninada dessa idade, mas tento deixar o mais prático possível. Uso flashcards com desenhos de notas musicais e o pentagrama simplificado. Faço tipo um jogo da memória com eles em duplas ou trios. Primeiro mostro as cartas pra eles verem onde estão as notas no pentagrama e depois misturo tudo pra jogarem.
Os alunos sempre ficam animados com jogos assim porque não parece tarefa chata, vira diversão mesmo. Na última vez que fizemos isso, a Maria Clara ficou super orgulhosa porque conseguiu lembrar onde estavam todas as notas corretas e ajudou seu grupo a vencer o jogo rapidinho.
Olhando tudo isso, percebo como essas atividades ajudam os alunos a se expressarem melhor musicalmente. Eles vão além do "ouvir e repetir", começam a entender a música como uma linguagem cheia de possibilidades. E é esse tipo de aprendizado que ficamos felizes em proporcionar! Se alguém tiver outras ideias bacanas aí ou quiser compartilhar como faz na sua turma, tô aqui na escuta! Abraços!
E aí, continuando a conversa sobre como eu percebo que os alunos aprenderam essa habilidade, é bem interessante ver isso rolando na prática. Eu não fico só sentado esperando a hora da prova, porque, na verdade, é no dia a dia que a gente saca quem tá pegando o jeito da coisa. Quando eu circulo pela sala, dá pra notar detalhes que uma prova formal dificilmente mostraria. Tipo, quando vejo o Pedro ajudando a Ana a entender como desenhar os sons de um jeito que faz sentido pra eles dois, ou quando tô passando por perto e ouço o Tiago explicando pro João como ele imagina o som de uma buzina usando umas ondas e umas estrelas. É nesses momentos que penso: "Ah, esse entendeu mesmo o lance".
Um exemplo concreto disso aconteceu outro dia. A Letícia tava fazendo uma atividade de representar sons com desenhos enquanto eu passava pelas mesas. Ela levantou a mão e me chamou, perguntando se um espiral podia representar o som gradual de uma ambulância se aproximando. Aí já saquei que ela tava conectando o som com uma imagem visual clara. E é isso que queremos, né? Criatividade e conexão!
Agora, sobre os erros comuns. Olha, os meninos geralmente têm dificuldade em entender que não existe um jeito certo ou errado de representar o som. Uma vez o Lucas tava todo inseguro porque o desenho dele era diferente dos outros colegas e ele achava que tinha feito errado. Isso acontece bastante porque eles estão acostumados com respostas certas e erradas nas outras matérias. Aí eu sempre falo: "Lucas, aqui a gente tá inventando nosso próprio jeito de mostrar o som! Não tem erro!" Tento sempre reforçar esse lance da criatividade e da liberdade.
Outra situação é quando eles confundem conceitos de altura do som com volume. Por exemplo, a Júlia fez um desenho onde as linhas maiores eram pra representar sons mais altos (de altura) quando na verdade eram pra ser mais altos (de volume). Na hora que percebo isso, paro um pouquinho com ela pra explicar. Mostro exemplos na prática, tipo usando um teclado pra demonstrar como o som pode ser agudo ou grave independentemente do volume. Vou ajustando essas confusões assim que acontecem.
Falando agora sobre adaptações para os alunos como o Matheus e a Clara. O Matheus tem TDAH e precisa de atividades que mantenham sua atenção por mais tempo. Com ele, mudo um pouco o ritmo das atividades, faço pausas e introduzo tarefas curtas entre as atividades mais longas. Ele se beneficia muito de materiais visuais e físicos, então uso cartazes coloridos e instrumentos musicais de fácil acesso. Um tamborzinho ou um xilofone podem fazer maravilhas pra ele! E às vezes deixo ele mexer no teclado digital só pra dar aquela liberada na energia.
Já com a Clara, que tem TEA, faço alguns ajustes na organização do ambiente e no estilo das atividades. Ela precisa de rotinas bem definidas e previsíveis pra se sentir confortável. Então sempre aviso os passos da atividade antes de começar e às vezes uso cartões visuais pra ela seguir as etapas. O interessante é que a Clara adora padrões e repetição, então atividades onde ela possa repetir sons ou sequências viram um sucesso! Lembro uma vez em que criamos uma "partitura" só com círculos e quadrados em sequência repetida — foi uma das vezes em que ela mais se engajou.
Claro que nem tudo funciona sempre. Teve uma vez que tentei usar um aplicativo de música no tablet pensando que seria mais interativo pra eles dois, mas acabou distraindo mais do que ajudando. Então aprendi que com essas ferramentas é preciso cautela.
Bom, pessoal, é isso aí! Compartilhar essas experiências faz parte do nosso constante aprendizado também. Espero que tenha dado algumas ideias pra vocês trabalharem por aí. Vamos trocando figurinhas! Até a próxima!