Olha, essa habilidade da BNCC, a EF69AR15, é uma das que eu mais gosto de trabalhar com os meninos do 7º ano. A ideia é fazer eles discutirem e refletirem sobre as experiências em dança que eles já viveram, tanto na escola quanto fora dela, e aí a gente puxa o papo para quebrar estereótipos e preconceitos que aparecem nesse meio. É uma habilidade que vai além de só dançar, sabe? É sobre entender e respeitar as diferenças e se abrir para novas formas de expressão.
Na prática, eu entendo que essa habilidade é como um convite pra turma se conectar com a dança de uma forma mais profunda. Não é só sobre aprender passos ou coreografias, mas sobre reconhecer o que cada experiência de dança traz de aprendizado. Por exemplo, um aluno precisa conseguir falar sobre como foi dançar numa festa de família ou num evento da escola e refletir sobre o que isso significou pra ele. Aí entra a parte legal: discutir o que cada um sentiu e vivenciou, mas também questionar aquelas ideias fixas que a gente tem na cabeça. Tipo assim, "dança é coisa de menina" ou "só quem sabe dançar bem pode participar". Desde o 6º ano, eles já vêm com uma bagagem bacana de expressões corporais, então é uma questão de aprofundar essa conversa.
Uma das atividades que faço é o “Diário de Dança”. É simples: cada aluno recebe um caderno pequeno — aqueles mais em conta mesmo — pra anotar suas experiências e reflexões sobre dança durante umas duas semanas. Eles podem escrever sobre qualquer situação onde a dança apareceu: numa aula, num vídeo visto no celular, numa festa ou até mesmo se viram alguém dançando na rua. Depois dessas duas semanas, a gente reserva uns 30 minutos de uma aula pra compartilhar as histórias. É incrível ver como eles se abrem! Da última vez, a Ana Clara contou emocionada que no aniversário da avó dela, ela fez uma dança improvisada e todos aplaudiram. Já o João falou que nunca tinha pensado antes que poderia se sentir tão livre dançando sozinho no quarto. A galera reage super bem porque é um momento deles, sabe? Eles gostam dessa oportunidade de dividir as experiências e se escutar.
Outra atividade que tem dado certo é a “Roda de Estilos”. Nessa, a gente junta a turma em círculo e eu levo algumas músicas de diferentes estilos de dança — samba, hip hop, balé, forró — coisas bem variadas mesmo. Eu ponho as músicas pra tocar por uns 5 minutos cada uma e peço pra eles ficarem atentos ao estilo e ao movimento. Depois disso, a gente faz uma discussão rápida sobre o que cada estilo trouxe de sensação ou lembrança. Uma vez eu perguntei pro Lucas, um menino mais quieto, qual estilo tinha chamado mais atenção dele e ele disse que foi o forró porque lembrou as festas juninas da cidade dos avós dele. E aí vem aquela parte importante: questionar os estereótipos. Pergunto o que cada um acha quando vê alguém dançando hip hop ou balé, por exemplo. A galera normalmente começa a perceber como tem ideia errada por trás do que a gente pensa dessas danças.
Pra fechar, tem o “Projeto Dança Sem Preconceito”, onde a turma se divide em grupos pequenos e escolhe um tema ou estilo pra pesquisar e apresentar pros colegas. Isso pode levar umas duas semanas entre pesquisa e apresentação. Eles usam cartolinas, celulares pra buscar vídeos e até fazem entrevistas com parentes ou amigos. O legal é ver como cada grupo traz uma abordagem diferente e constrói algo único. Na última vez que fizemos isso, o grupo da Mariana apresentou sobre dança afro-brasileira e trouxe até um amigo pra fazer uma demonstração ao vivo. Foi sensacional! E depois das apresentações, sempre rola um debate sobre o que aprenderam e como isso mudou a visão deles sobre alguma dança ou cultura.
Acho que trabalhar essa habilidade ajuda muito os meninos a serem mais críticos e abertos. Eles começam a reconhecer que dançar é bem mais do que seguir passos; é uma forma de expressão poderosa e conectada com nossa identidade. E ver eles se empolgando com isso é recompensador demais! É tipo plantar aquela sementinha de respeito e empatia pela diversidade desde cedo.
Bom, pessoal, espero ter ajudado vocês a entenderem melhor como essa habilidade pode ser trabalhada na prática! Se alguém aí tiver outras ideias ou quiser compartilhar suas experiências também, vou adorar ouvir! Até mais!
seguir uns passos, é sobre se expressar e se sentir parte de algo maior. E é nesse ponto que eu percebo quando o aluno realmente aprendeu. Não é na prova escrita, não. É lá no meio das aulas, quando eu tô circulando pela sala e vejo a galera comentando entre eles, tipo: “Ah, mas cada um dança de um jeito mesmo”, ou “olha como ficou legal misturar esses estilos”. Quando eles começam a fazer essas conexões, aí eu sei que tá rolando aprendizado de verdade.
Teve uma vez que eu tava andando pela sala e vi a Marcela explicando pro João que “dançar não é só mexer o corpo, mas também sentir a música”. Poxa, nessa hora você percebe que ela entendeu o espírito da coisa. E tem situações em que você vê a Ana ensinando pro Gabriel uns passos diferentes que ela aprendeu no final de semana e ele dizendo: “Ah, isso parece com aquele estilo que a gente discutiu na aula!”. Essas trocas entre eles mostram que eles estão absorvendo e ressignificando o conteúdo.
Os erros mais comuns que vejo os meninos cometerem são meio que fruto da pressa de entender tudo de uma vez. Tipo, o Pedro sempre quer fazer tudo rápido e acaba esquecendo de respeitar o ritmo dos outros, ou o Vinícius que sempre acha que tem uma única forma de fazer um movimento. Eles ainda se prendem muito ao que acham ser certo ou errado na dança e esquecem que cada expressão tem seu valor. Isso acontece porque, muitas vezes, eles trazem aquilo que veem na mídia como verdade absoluta. O jeito que eu tento corrigir isso é incentivando eles a experimentarem sem medo do erro. Quando pego alguém cometendo esse tipo de engano bem na hora da aula, eu sempre tento trazer uma situação prática pra mostrar a importância da diversidade. Tipo assim, chamo um aluno pra mostrar como ele faz e outro pra mostrar uma variação, aí a turma toda vê que não tem certo ou errado, só jeitos diferentes.
Agora, com o Matheus, que tem TDAH, o desafio é manter ele engajado sem sobrecarregar. A melhor estratégia foi dividir as atividades em blocos menores. Em vez de uma aula longa sem pausa, eu faço várias atividades curtinhas com intervalos. Ele reage bem quando tem algo mais dinâmico, então a gente usa muita música e movimento rápido. Outro dia coloquei uma música rápida e pedi uma atividade de improviso em pares e ele ficou super focado porque não tinha que ficar parado muito tempo.
Já com a Clara, que tem TEA, é importante ter um ambiente previsível e seguro. O que funciona bem pra ela é apresentar o planejamento da aula logo no início e usar figuras pra indicar cada fase da aula. Ela adora quando pode participar da escolha das músicas, isso dá mais segurança pra ela também. Uma coisa que não funcionou foi tentar improvisar sem aviso prévio; percebi que ela se sentia perdida e ansiosa. Então agora sempre aviso antes se vamos fazer algo fora do planejado.
Essas adaptações são importantes pra incluir todo mundo nas atividades e garantir que cada um possa aprender no seu ritmo. E olha, confesso que aprendo muito mais com eles do que ensino. Eles me mostram todos os dias novas formas de ver e entender o mundo através da dança.
Bom, era isso que eu queria compartilhar por hoje. Se alguém tiver outras experiências ou dicas, tô aqui pra ouvir! Valeu pessoal!