Olha, quando a gente fala dessa habilidade EM13CHS305 aí da BNCC, a ideia é que os meninos saiam da escola com uma visão clara de como funcionam as coisas quando o assunto é meio ambiente. Tipo, não adianta nada saber só que tem lei pra isso e acordos entre os países. Tem que entender mesmo como esses organismos nacionais e internacionais funcionam, o que eles têm poder pra fazer, o que não têm, e por que isso tudo importa na prática do dia a dia deles e do futuro do planeta. Os alunos precisam conseguir discutir, analisar se esses órgãos estão fazendo bem o trabalho, se os acordos estão sendo cumpridos e o impacto disso tudo. E olha, eu sempre tento conectar esse conteúdo com o que eles já viram antes, principalmente nas aulas de geografia e biologia, onde conversamos sobre impactos ambientais e sustentabilidade.
Agora vou contar como eu coloco isso em prática na sala de aula. A primeira atividade que faço é um debate simulado. Eu dou para os alunos recortes de notícias de jornal (impresso mesmo, gosto de levar alguns exemplares velhinhos) sobre algum acordo internacional importante, tipo o Acordo de Paris ou a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas. Divido a turma em grupos e cada um representa uma parte interessada: governo brasileiro, ONGs ambientais, empresas e sociedade civil. Eles têm cerca de 2 aulas pra se preparar, pesquisar sobre o papel do grupo deles e depois fazemos o debate numa aula inteira. Aí você vê uma coisa muito legal acontecer: o João, que era todo tímido, começa a dar opinião mais forte quando defende o lado das ONGs, enquanto a Maria tenta argumentar que as empresas têm limitações. No final, sempre tem discussão boa e eles começam a entender que cada órgão tem suas dificuldades e sua importância.
A segunda atividade é mais prática: dia de campo na cidade. A gente vai até um parque próximo à escola (tem um aqui em Goiânia que é bem bacana) e eu peço pra eles observarem as práticas ambientais do local. Antes do passeio, dou uma introdução em sala sobre quem faz a gestão desse parque, quais são as leis ambientais locais aplicadas ali e por quê. Os alunos precisam fazer anotações sobre o que veem: coleta seletiva de lixo? Placas educativas? Presença de agentes fiscalizadores? No fim da visita, sentamos em círculo no parque mesmo pra uma conversa sobre o que observaram e como esses aspectos estão ligados a um controle maior. Da última vez que fizemos isso, a Ana percebeu que tinha um lugar onde as lixeiras estavam mal distribuídas e sugeriu colocarmos isso num relatório para enviar à administração do parque. Ela ficou toda animada com a ideia de ver se isso ia resultar em alguma mudança.
Por último, gosto de trabalhar com estudos de caso. Escolho uns três casos de problemas ambientais relevantes, como desmatamento na Amazônia ou derramamento de óleo no mar. Dou um pequeno texto pra eles lerem em casa e na aula seguinte dividimos a turma em grupos pequenos para discutir o caso designado pra eles. Eles têm que identificar quais organismos nacionais ou internacionais estão envolvidos ou deveriam estar envolvidos na situação e propor soluções ou melhorias na atuação desses organismos. Eu dou mais ou menos duas aulas pra essa atividade porque eles precisam se aprofundar. Uma coisa engraçada aconteceu com o Paulo: ele estava num grupo discutindo as queimadas na Amazônia e ficou tão indignado com a falta de ação efetiva relatada no texto que começou a pesquisar em casa sobre organizações internacionais que atuam no Brasil.
Essas atividades sempre me surpreendem porque fazem os alunos saírem daquela posição passiva e começarem a pensar nas coisas de forma crítica. Eles deixam de ver os acordos ambientais só como notícias chatas no jornal e começam a perceber a importância real disso tudo nas nossas vidas e no futuro deles. E é bacana porque acaba ligando todo aquele conteúdo teórico com algo prático e palpável.
Bom, essas são algumas das formas como eu tento trabalhar essa habilidade com os meninos do terceiro ano do ensino médio aqui em Goiânia. Sempre dá pra ajustar uma coisa ou outra dependendo da turma, mas no geral acho que esse tipo de abordagem funciona bem pra engajar os alunos e fazer com que eles realmente entendam o papel desses organismos no mundo em que vivemos.
E vocês aí? Como fazem pra trabalhar essa habilidade? Alguma ideia nova? Vamos trocar umas experiências!
... cumpridos, e isso é um baita exercício de cidadania, né?
Mas aí, como é que eu percebo que a galera tá realmente pegando o jeito da coisa sem precisar aplicar uma prova formal? Olha, é no dia a dia mesmo. Quando você passa pelas carteiras e ouve as conversas, quando vê um aluno ajudando o outro a entender algo. Um dia desses, por exemplo, eu tava circulando pela sala enquanto eles faziam uma atividade em grupo. O Lucas tava explicando pra Maria como os tratados internacionais não são só palavras bonitas no papel. Ele tava dizendo “Olha, Maria, se tal país assina um acordo ambiental e não cumpre, tem consequências, não só pra eles mas pro mundo todo!” Aí vi que ele tava conseguindo conectar as ideias e entender o impacto dessas coisas na vida real.
Outra situação foi quando vi a Júlia discutindo com o Pedro sobre a eficácia de um órgão internacional de meio ambiente. Eles tavam debatendo se tal órgão tinha conseguido reduzir a poluição em certas áreas. A Júlia colocou um ponto que achei super bacana: "Mas Pedro, se eles só multam e não fiscalizam de verdade, você acha que vai mudar alguma coisa?" Isso mostra que ela não tá só decorando informação; ela tá criticando e analisando a efetividade desses órgãos na prática.
Agora, erros comuns que os alunos cometem nesse conteúdo... Olha, tem vários! Muitos acabam confundindo as funções dos órgãos ambientais. Tipo, o Felipe achou que o IBAMA fazia parte de um programa global de meio ambiente. Acontece porque às vezes a gente sobrepõe informações nacionais e internacionais e eles acabam misturando tudo. O que eu faço? Bom, na hora é importante tentar clarear essa confusão. Eu pego exemplos práticos: “Felipe, pensa no IBAMA como o cara que cuida do quintal da nossa casa Brasil, enquanto uma organização tipo a ONU olha pro quintal do mundo todo.” Isso ajuda eles a visualizarem melhor.
Tem também aquela coisa de achar que qualquer acordo internacional foi feito pra resolver tudo de imediato. A Carolina achou que o Protocolo de Kyoto por si só iria acabar com a emissão de gases. E esse tipo de pensamento é comum porque às vezes os meninos têm uma visão meio mágica das soluções globais. Pra isso, eu tento sempre mostrar os prós e contras dos acordos e explicar que muitos deles são passos iniciais pra mudanças graduais.
Agora, sobre lidar com o Matheus e a Clara... Cada um tem suas necessidades específicas e requer adaptações no nosso dia a dia de sala. O Matheus tem TDAH e precisa de atividades que mantenham ele engajado e focado. Então, eu tento variar bastante os métodos: momentos mais curtos de conversa, seguidos de atividades práticas ou audiovisuais que captem bem a atenção dele. Uma vez usei um documentário curto com animações sobre mudanças climáticas e isso segurou bem o foco dele por um bom tempo.
Já com a Clara, que tem TEA, é crucial ser claro nas instruções e usar materiais visuais mais concretos. Ela se dá bem quando eu uso infográficos ou mapas conceituais. Teve uma vez que preparei um esquema bem colorido das funções dos principais órgãos ambientais e isso ajudou bastante. Também deixo ela consultar esses materiais durante as discussões em grupo pra ela se sentir mais segura.
Claro, nem tudo funciona sempre... Tentei uma vez fazer uma dinâmica em grupo onde Matheus tivesse que coordenar as falas dos colegas num debatezinho simulado... Não rolou tão bem porque ele acabou se perdendo com muita informação ao mesmo tempo. Com a Clara também já tive problema numa atividade muito aberta onde cada grupo podia escolher qualquer tema relacionado ao conteúdo. Ela ficou um pouco perdida sem uma orientação mais direta.
Bom, então é isso pessoal! Cada dia é um aprendizado diferente na sala de aula e cada aluno me ensina tanto quanto eu ensino pra eles. Espero que essas histórias aí tenham ajudado vocês de alguma forma ou só trazido um sorriso pensando nos desafios do nosso cotidiano. Bora continuar nessa troca aí no fórum? Grande abraço!