Olha, essa habilidade da BNCC, a tal EF05CI01, quando a gente vai levar pra prática, é mais sobre ajudar os meninos a entender como funcionam essas propriedades físicas que tão presentes no dia a dia. Eu acho que essa habilidade é tipo fazer com que eles percebam que tudo ao redor deles tem suas características e que essas características influenciam no uso das coisas. Tipo, por que uma panela é feita de metal e não de plástico? Ou por que a gente usa vidro pra janela? É mostrar pra eles como densidade, condutividade térmica e elétrica, magnetismo e essas coisas todas fazem diferença.
Aí, na prática, eu espero que eles saquem essas diferenças. Eles já vêm do ano anterior com uma noção básica de materiais, o que são sólidos, líquidos e gases, mas agora é aprofundar um pouco mais. Eles precisam conseguir identificar nas coisas do dia a dia por que certos materiais são usados em certas situações e como isso tá ligado às suas propriedades. Não é só falar "a madeira flutua na água", mas entender o que é densidade ali. Ou pegar um ímã e entender por que ele atrai certos metais.
Bom, então deixa eu contar como eu faço isso na sala de aula. Uma atividade que sempre funciona bem é a da "Caixa de Mistérios". Eu pego uma caixa e coloco vários objetos diferentes dentro: uma colher de metal, uma de madeira, um pedaço de isopor, uma bola de borracha, um ímã e algumas moedas. A ideia é explorar cada um desses objetos com base nas propriedades físicas deles. Divido a turma em grupos de quatro ou cinco pra eles poderem discutir entre si. Isso geralmente leva umas duas aulas, porque na primeira eles exploram e anotam o que acham, e na segunda a gente discute em conjunto as observações deles. O legal é ver as reações quando percebem as diferenças. Da última vez, o Pedro ficou muito surpreso quando percebeu que as moedas eram atraídas pelo ímã e a bola de borracha não. Aí ele mesmo puxou o assunto sobre magnetismo.
Outra atividade legal é o "Desafio da Água". Essa é pra falar sobre solubilidade. Eu levo pra sala coisas como sal, açúcar, areia e óleo. Aí peço pra turma prever o que vai ou não se dissolver na água antes de fazerem o experimento. Mais uma vez, divido eles em pequenos grupos e dou um copinho com água pra cada grupo junto com os materiais pra misturar. Em meia hora dá pra fazer isso numa boa. O bacana dessa atividade é ver como eles ficam animados pra testar suas hipóteses. A Fernanda ficou toda orgulhosa quando viu que acertou quase todas as previsões dela e depois até ajudou os colegas a compreender por que o óleo não se misturava com a água.
A terceira atividade que faço é sobre condutividade térmica e elétrica usando materiais simples como fios elétricos, pilhas pequenas e lâmpadas daqueles pisca-piscas baratos. Divido novamente em grupos pequenos e dou alguns itens pra cada grupo tentar acender a lâmpada. Eles têm que descobrir qual material conduz eletricidade. Essa atividade leva umas duas aulas também porque muitos meninos precisam ajustar suas montagens até dar certo. É interessante ver a cara deles quando finalmente conseguem acender a lâmpada! Na última vez, o Lucas quase pulou da cadeira quando viu sua lâmpada acender depois de várias tentativas. Foi ótimo porque ele nem acreditava muito no começo.
Esse tipo de atividade prática faz toda diferença no entendimento deles sobre o tema porque não fica só na teoria – eles veem acontecer na frente deles. E olha só, entra muito bem nessa parte do consumo consciente também, porque quando eles entendem como os materiais funcionam, passam a ver sentido no uso consciente das coisas ao nosso redor.
Enfim, trabalhar essas habilidades acaba sendo muito gratificante porque as crianças ficam empolgadas com as descobertas delas mesmas. Não sei vocês aí no fórum, mas por aqui esses momentos são aqueles em que eu vejo o aprendizado realmente acontecer. Fico curioso pra saber como vocês trabalham essa parte!
Aí, na sala de aula, é engraçado como dá pra perceber quando a galera começa a pegar o jeito da coisa. Tipo, eu tô ali circulando entre as mesas e ouvindo as conversas, às vezes eles nem notam que eu tô prestando atenção. E é nesses momentos que você saca: "ah, esse entendeu". Por exemplo, teve um dia que a Ana e o Pedro estavam discutindo sobre por que a colher de metal fica quente mais rápido que a de plástico quando mexe no café. E o Pedro explicou pra Ana sobre a tal da condutividade térmica, usando palavras dele. Nesse momento, eu pensei: pronto, missão cumprida com ele.
Outra situação: o João tava tentando ajudar o Lucas a entender densidade. Sabe aquelas garrafas PET cheias de água e óleo? O João pegou uma e começou a mostrar pro Lucas como o óleo sempre fica em cima por causa da densidade. O Lucas tava meio perdido no começo, mas quando o João fez aquela demonstração prática, vi na cara do Lucas aquela expressão de "eureka".
Agora, claro, nem tudo são flores. Os erros mais comuns que vejo a galera cometendo têm muito a ver com as palavras e conceitos que eles confundem. Por exemplo, a Maria sempre troca condutividade térmica por elétrica. Aí ela acha que o cobre é bom pra fazer panela porque conduz eletricidade bem. Esse tipo de confusão é normal, porque os termos são parecidos e às vezes eles não se ligam nos detalhes.
Outra situação comum é quando eles pensam que todo metal é magnético. Semana passada, o Lucas tava convencido de que uma moeda ia grudar no ímã só porque era de metal. A gente teve que fazer várias experiências com materiais diferentes pra ele entender que não é bem assim. Quando pega o erro na hora, eu gosto de usar perguntas pra fazer eles pensarem. Tipo, "você acha que isso acontece com todo tipo de metal? Por quê?" Isso ajuda eles a corrigir o pensamento na própria cabeça.
Agora sobre o Matheus, ele tem TDAH e precisa de um pouco mais de atenção da minha parte pra se manter focado. Eu tento fazer as atividades serem bem dinâmicas e com coisas que ele possa tocar e mexer. Por exemplo, ele adora quando a gente faz experiências práticas. Uma vez, pedi pra ele ajudar a misturar os materiais pra gente ver quais flutuavam ou afundavam numa bacia d'água. Ele ficou super engajado e acabou até ajudando outros colegas.
Já com a Clara, que tem TEA, eu procuro usar muita visualização. Ela reage melhor quando tem cartazes ou figuras pra olhar enquanto eu explico. Por exemplo, quando fizemos aqueles experimentos com garrafas PET e líquidos coloridos pra falar sobre densidade, deixei ela montar um painel com imagens das substâncias e suas posições nos recipientes. Isso ajuda ela a associar as informações visuais com os conceitos que estamos discutindo.
Eu também tento ajustar o tempo das atividades pra eles dois. O Matheus se beneficia de pausas curtas entre as etapas da atividade, porque assim não perde o foco tão fácil. Já com a Clara, dou um pouco mais de tempo pra processar as informações antes de mudar de atividade ou conceito.
Claro que nem tudo funciona sempre como esperado. Teve uma vez que tentei usar um aplicativo no tablet pra mostrar umas animações sobre magnetismo pro Matheus, mas ele ficou mais interessado no tablet em si do que no conteúdo. Aprendi que é melhor manter as coisas no plano físico e palpável pra ele.
Bom, pessoal, acho que é isso por hoje sobre como essa habilidade EF05CI01 se desenrola aqui na sala de aula. Espero que essas experiências ajudem quem tá aí do outro lado tentando ensinar essas coisas pros pequenos também. Continuo aqui aberto pra conversar mais sobre o assunto ou ouvir o que vocês andam fazendo por aí nas salas de aula de vocês! Até mais!