Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF07CI12 aí da BNCC para o 7º Ano, o que a gente realmente quer é que os meninos entendam que o ar não é uma coisa só. É tipo assim: eles precisam perceber que o ar é uma mistura de gases, principalmente nitrogênio e oxigênio, mas tem outros também, como gás carbônico e uns traços de gases nobres. E é importante que eles consigam associar isso com fenômenos que mudam a composição do ar, sejam eles naturais, como erupções vulcânicas, ou coisas causadas por nós mesmos, tipo poluição das indústrias e carros.
Na prática, o que esperamos é que os alunos sejam capazes de olhar pro céu e não só pensar no ar como um vazio, mas entender que ali tem uma combinação complexa de gases e que certas atividades podem mudar essa combinação e causar impactos. E isso se liga bastante com o que eles já viram nos anos anteriores sobre os estados da matéria e as mudanças de estado. Eles já têm uma noção de que o gás é um estado físico e agora precisam aprofundar mais na ideia de mistura.
Bom, vou contar umas atividades que faço com a turma pra trabalhar isso direitinho.
Uma das atividades é bem mão na massa mesmo. A gente faz um experimento bem simples usando gelo seco. Eu pego um pouco de gelo seco (CO2 sólido) e coloco em uma bacia com água morna. O gelo seco começa a sublimar, formando aquela fumaça legal que os meninos acham o máximo. Daí conversamos sobre o que está acontecendo ali: o gás carbônico é liberado na atmosfera. Aproveito pra explicar como essas pequenas mudanças podem somar em larga escala e afetar o clima, tipo o efeito estufa. Eu organizo a turma em grupos de 4 ou 5 alunos pra todo mundo ter a chance de ver de perto e discutir entre eles. Essa atividade dura uns 30 minutos, porque rola bastante conversa depois da demonstração. Uma vez, a Ana Paula ficou toda animada e disse que agora entende por que os poluentes podem ser invisíveis mas ainda assim prejudiciais.
Outra coisa que faço é um debate na sala sobre as queimadas na Amazônia. Primeiro, trago umas notícias recentes e uns dados sobre emissão de carbono e desmatamento. Aí divido a turma em dois grupos: um defende o ponto de vista dos ambientalistas e outro defende os interesses econômicos das indústrias. Eles têm uns 20 minutos para se preparar em grupo e depois começa a discussão. Isso pega uma aula inteira fácil! Eles adoram dar opinião, se empolgam bastante. O Lucas uma vez trouxe umas ideias super legais sobre como conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental, fiquei até orgulhoso do garoto!
A terceira atividade envolve criar um modelo da atmosfera usando objetos do dia a dia. Peço para trazerem potes transparentes de casa (tipo potes de sorvete), algodão, papel alumínio, essas coisas simples. A ideia é montar camadas atmosféricas dentro do pote usando esses materiais para representar as diferentes composições gasosas em cada camada. Essa atividade é mais demorada, leva umas duas aulas pra terminar tudo porque eles também fazem rótulos explicando cada parte. Enquanto montam, vamos conversando sobre como certos fenômenos ocorrem mais em algumas camadas do que em outras, tipo os aviões voando na estratosfera ou os satélites na termosfera. Na última vez que fizemos isso, o João ficou todo empolgado montando uma camada extra lá no modelo dele "só pra garantir" que não ia faltar nada.
Essas atividades são legais porque colocam mesmo a garotada pra pensar além do livro didático. Eles começam a questionar mais as notícias e até trazer sugestões pro nosso cotidiano na escola pra ser mais sustentável. É gratificante ver quando eles percebem que aquilo tudo ali é ciência aplicada no mundo real deles.
E é isso aí, gente! Essas são algumas das formas que tenho trabalhado essa habilidade com a galera do 7º Ano. Espero que tenha dado umas ideias pra quem tá chegando agora ou quer tentar algo novo na sala de aula. Qualquer coisa tô por aqui!
Na prática, o que esperamos é que os alunos façam essas associações na vida real. E olha, você percebe que o aluno aprendeu mesmo quando ele começa a fazer perguntas mais profundas ou até a questionar. Por exemplo, teve um dia que eu tava circulando pela sala enquanto eles faziam uma atividade em grupo, e ouvi o João perguntando pro Pedro uma coisa tipo "se a gente tá respirando oxigênio o tempo todo, por que a gente não acaba com ele logo?" Aí eu pensei: "Ah, esse entendeu!" Porque essa é uma pergunta legítima e mostra que ele tá pensando além do que tá no papel. E o Pedro respondeu: "É porque as plantas tão sempre produzindo mais, né?" E ali, naquela troca entre eles, deu pra ver como um tava ajudando o outro a construir o conhecimento.
Aí tem vezes que você vê na hora das apresentações de trabalho. A Ana tava apresentando com a Maria sobre as causas da poluição e soltou um "e aí um vulcão em erupção solta gases que mudam a composição do ar". Cara, ela nem olhou pra folha, falou direto, convicta. Dá pra perceber que internalizou o conteúdo.
Agora, quanto aos erros mais comuns... ah, esses surgem aos montes também. Um clássico é confundir os gases principais do ar. Teve uma vez que o Felipe escreveu numa atividade que o ar era composto principalmente de gás carbônico e oxigênio. Isso é comum demais! Acontece porque eles ouvem tanto sobre gás carbônico na questão de poluição e efeito estufa que acabam misturando as bolas. Quando pego isso na hora, já dou aquele toque: "Felipe, lembra lá da nossa 'receita' do ar no começo da aula? Qual é o ingrediente principal mesmo?" E ele corrige rapidinho.
Outra dificuldade é eles entenderem a ideia de mistura de gases, como se estivesse tudo junto mas separado ao mesmo tempo. Tipo assim: a Júlia achou que como tem oxigênio e nitrogênio no ar, a gente respira um de cada vez. Aí tive que explicar com um exemplo prático: imagina que você tá bebendo um suco de laranja batido com morango. Você sente os dois sabores juntos; é uma mistura homogênea. Aí ela deu aquela piscada de entendimento.
Falando do Matheus, que tem TDAH, é sempre um desafio manter ele focado nas atividades, mas não impossível. Uma coisa que funciona bem é dividir as tarefas em partes menores e dar intervalos mais frequentes. Por exemplo, quando estamos fazendo um experimento sobre filtragem do ar com materiais simples tipo algodão e funil, eu divido em passos bem curtos e claro: primeiro pega o material, depois coloca o algodão no funil e assim vai. Isso ajuda ele a se manter mais atento e não se perder no meio do caminho.
Além disso, o tempo pra ele precisa ser diferente. Eu permito que ele comece antes ou termine depois dos outros em algumas atividades práticas. E olha, não adianta querer usar material visual demais porque isso funciona melhor é com a Clara!
A Clara tem TEA e responde super bem quando eu incorporo elementos visuais nas explicações. Usar gráficos, desenhos e até vídeos curtos ajuda muito ela a entender conceitos abstratos como esse da composição do ar. Uma vez fizemos um cartaz com recortes de revista mostrando diferentes fontes de poluição do ar e as expressões no rosto dela mostravam que ela tava entendendo tudo direitinho.
Por outro lado, atividades muito barulhentas ou tumultuadas são complicadas pra Clara. Teve uma vez que tentamos fazer um debate em forma de jogo sobre mudanças climáticas e foi muita informação ao mesmo tempo pra ela. Acabei ajustando para ela participar de uma forma mais tranquila: ela ajudava na parte de registro das ideias num cartaz enquanto os outros debatiam.
No fim das contas, cada aluno é diferente e o segredo tá em observar cada um deles e adaptar conforme necessário. Não existe fórmula mágica, mas sim muita tentativa e erro até achar o jeito certo de chegar até eles.
Bom gente, acho que é isso por hoje! Espero que tenha ajudado alguém aí com essas dicas práticas do dia a dia na sala. Qualquer coisa tô por aqui se precisarem trocar uma ideia ou tiverem alguma dúvida específica! Abraço!