Olha, essa habilidade EM13CO02 da BNCC, na prática, é um bocado de coisa interessante. Quando a gente fala em "explorar e construir a solução de problemas" é como se fosse aquele momento que o aluno precisa ser detetive e inventor ao mesmo tempo. Eles pegam um problemão, quebram ele em pedacinhos e vão tentando resolver cada parte até juntar tudo de novo de um jeito que funcione. É como montar um quebra-cabeça com peças que você mesmo cria. Um exemplo concreto seria aqueles desafios de programação em que você precisa primeiro entender bem o que está sendo pedido, pensar no que precisa fazer para chegar naquele objetivo e só depois começar a codificar. E aí você vai testando, mexendo, ajustando até o resultado final ser aquele esperado.
Os meninos chegam no 1º ano do Ensino Médio já com alguma noção de algoritmo e lógica de programação, algo que viram no Fundamental II, mas agora a gente quer que eles conectem essas ideias a problemas mais complexos, do tipo vida real, sabe? Antes eles viam algo mais básico, tipo uma receita de bolo. Agora queremos que eles sejam os chefs que inventam a receita. Eles têm que saber ver o problema por inteiro, mas também em partes menores – é aí que entra o "diversos níveis de abstração" –, e pensar em diferentes formas de resolver antes mesmo de colocar a mão na massa.
Bom, vamos às atividades que faço na sala pra trabalhar essa habilidade. Uma das minhas preferidas é o "Desafio do Labirinto". Eu uso papel milimetrado e canetas coloridas. A turma é dividida em grupos de quatro ou cinco alunos. A ideia é que cada grupo crie um labirinto num papel milimetrado e depois programe um pequeno robô para atravessar o labirinto usando uma linguagem simples como o Scratch.
Primeiro, dou uns 30 minutos para eles elaborarem o labirinto no papel. É legal ver como uns ficam focados em criar desafios impossíveis e outros já pensam no robô logo de cara. Depois disso, passamos para os computadores e eles têm cerca de uma hora para programar a solução. A bagunça boa começa aí! Da última vez, teve o João que achou estar tudo certo, mas quando o robô começou a andar fez tudo ao contrário! A risada foi geral na turma, mas ele aprendeu muito ao corrigir o erro.
Outra atividade legal é a "Missão: Resgate". Para essa, uso caixas organizadoras e alguns objetos pequenos como chaveiros ou bonequinhos. O objetivo é que a turma crie um algoritmo para resgatar esses objetos dentro das caixas sem olhar lá dentro, só com instruções verbais. Formamos duplas dessa vez e dou uns 20 minutos pra eles bolarem um plano. Aí começa a execução: um aluno fica com os olhos vendados enquanto o outro dá as instruções pra pegar os objetos.
Isso sempre gera cenas divertidas! A Ana Clara uma vez começou a rir tanto quando errou uma instrução que quase desistiu ali mesmo. Mas depois ela mesma achou um jeito mais eficaz de explicar pro colega onde estavam os objetos sem precisar ver nada.
Uma terceira coisa que gosto muito é o "Projeto Sustentável". Esse leva um pouco mais de tempo – umas duas ou três aulas – pois é mais complexo. Os alunos têm que pensar numa solução tecnológica para um problema ambiental da escola ou comunidade: pode ser reduzir o uso de papel ou melhorar a coleta seletiva. Divido a turma em grupos novamente e dou um tempo pra levantarem ideias. Depois eles precisam delinear cada etapa da implementação dessa ideia usando desenhos ou diagramas.
Lembro que na última vez um grupo queria criar uma versão digital para algumas atividades escolares pra economizar papel. O Lucas estava empolgado com a ideia de um aplicativo escolar e até começou a desenhar as telas no quadro pra explicar pro grupo. Foi ótimo ver como eles começaram a pensar em todas as etapas envolvidas, desde convencer professores até desenvolver o software.
E as reações são sempre muito boas! No início, muitos ficam perdidos porque acham complicado demais ter uma ideia tão aberta pra resolver. Mas conforme vão avançando nas atividades, dá pra ver a confiança crescendo nas carinhas deles. E quando conseguem finalizar alguma tarefa – mesmo com erros no meio do caminho –, sempre rola aquele orgulho bom! Tipo quando eles percebem que foram capazes de transformar algo abstrato em algo concreto e útil.
A gente termina as aulas com aquele espírito de missão cumprida e sempre rola uma conversinha sobre o que deu certo ou não nas atividades. Essa troca final sempre traz umas pérolas de aprendizagem tanto pra mim quanto pra eles.
E é isso! A habilidade EM13CO02 no fundo é sobre mostrar pros meninos como olhar pra um problema grande, destrinchar ele e construir soluções inovadoras do começo ao fim. Espero que tenham curtido compartilhar essas experiências comigo!
Aí, no dia a dia de sala de aula, você percebe que os meninos estão pegando a habilidade quando começam a trocar ideia entre eles e o assunto flui, sabe? Tipo, quando estou circulando pela sala e vejo o João explicando pro Lucas alguma lógica de programação e ele usa exemplos do dia a dia, tipo "imagina que você tá fazendo um bolo e precisa seguir a receita pra dar certo", aí eu penso "ah, esse entendeu!". E não é só isso, é ver a empolgação nos olhos deles quando conseguem resolver um problema. É tipo mágico, você vê o estalo!
Outro momento que me faz perceber que eles estão sacando mesmo é quando começam a fazer perguntas mais profundas. A Maria, por exemplo, chegou e perguntou como poderia otimizar o código dela pra ele rodar mais rápido. Olha só, isso mostra que ela não tá só seguindo o básico, mas tá pensando além, querendo melhorar o trabalho dela. E nessas conversas informais entre eles você vê que a coisa tá andando bem. Quando um aluno explica pro outro e usa exemplos que fazem sentido pra eles, é muito poderoso.
Mas nem tudo são flores, né? Tem também os erros mais comuns desse conteúdo. O Rafael, por exemplo, sempre tenta pular etapas na hora de resolver os problemas. Ele acha que já entendeu tudo e quer chegar logo na solução. Mas aí acaba se enrolando lá na frente porque pulou uma parte importante do raciocínio. Isso acontece muito. Já peguei ele algumas vezes nessa situação e precisei voltar com ele passo a passo no processo pra ele ver onde tava pisando na bola.
Outra coisa comum é a galera esquecer de testar as soluções com casos diferentes. Tipo a Ana, que achou que o programa dela tava tinindo porque funcionava com um exemplo só. Aí eu pedi pra ela usar números negativos e bichou tudo! Mostrei pra ela como era importante testar com variáveis diferentes pra garantir que a solução dela era mesmo robusta. Isso acontece porque às vezes eles ficam tão focados em resolver logo que acabam não considerando cenários diferentes.
E quando pego esses erros na hora, procuro dar um toque ali mesmo. Dou umas dicas pra eles se ligarem no que estão perdendo ou esquecendo de fazer. Tento sempre mostrar o erro como uma oportunidade de aprendizado em vez de algo negativo.
Agora, falando do Matheus e da Clara, que têm TDAH e TEA respectivamente, eu preciso adaptar bastante coisa. Pro Matheus, manter atividades curtas ajuda muito. Ele se distrai fácil, então divido os exercícios em partes menores e vou acompanhando mais de perto. Uso cronômetros também pra ajudar ele a focar por períodos curtos, uns 10 ou 15 minutos de cada vez. Funciona bem com ele porque tem essa coisa do tempo definido e ele consegue ver as pequenas conquistas.
Já com a Clara, que tem TEA, o visual é muito importante. Tô sempre usando gráficos e esquemas nas explicações dela. Peço que ela desenhe também enquanto resolve os problemas pra ajudar no entendimento. Algo que aprendi com ela é que rotinas fixas ajudam demais. Se desorganizar a rotina da aula ou mudar tudo de repente sem avisar antes, ela fica bem desconfortável.
O que não funcionou muito foi tentar fazer as atividades deles igual ao resto da turma sem adaptar nada. Percebi rápido que eles precisavam de atenção diferente pra realmente conseguir acompanhar e se envolver com o conteúdo.
Bom, pessoal, acho que é isso por hoje! Espero ter dado uma visão clara de como rolam as coisas por aqui nessa questão da habilidade EM13CO02. É sempre uma jornada acompanhar o aprendizado dos meninos e meninas e saber ajustar as velas quando necessário pra seguir esse caminho cheio de desafios, mas também muito gratificante. Tô sempre por aqui pra trocar ideia sobre nossas experiências! Até a próxima!