Olha, a habilidade EF69CO12 da BNCC é um bicho que, de primeira, pode parecer complicado, mas quando a gente pega o jeito, vira uma conversa interessante com a galera do 8º ano. É sobre fazer os alunos entenderem como a tecnologia tá presente no nosso dia a dia, não só como uma coisa boa ou ruim, mas como parte de um ciclo maior que envolve produção, consumo e aquela parte chata da obsolescência – quando o celular já não dá mais conta e você nem sabe pra onde vai aquele monte de lixo eletrônico. E mais: eles também precisam aprender a usar essas tecnologias de forma crítica pra resolver problemas e se expressar. A ideia é que eles consigam enxergar o impacto disso tudo na sociedade e na vida deles.
Então, como a molecada do 7º ano geralmente já tem um pé na cultura digital, muitos já sabem mexer bem em apps e redes sociais, mas ainda não pensaram muito sobre o que tá por trás disso tudo. O desafio aqui é levantar esse véu e mostrar que tecnologia não cai do céu nem é só diversão. A gente puxa um pouco do que eles já conhecem das aulas sobre meio ambiente, sustentabilidade e até história – como o mundo era antes de tanta tecnologia – pra começar o papo.
A primeira atividade que fiz com eles foi uma pesquisa sobre a evolução dos celulares. Eu pedi pra cada aluno trazer de casa um celular antigo – desses que ficam na gaveta, sabe? – e claro que eu trouxe uns meus também. Aí dividimos a turma em grupos de quatro e cada grupo tinha que pesquisar sobre os aparelhos: ano de lançamento, funções principais, etc. Uma aula pra coleta e outra pra apresentação. A turma adora ver essas velharias dos anos 2000! Quando vi o Pedro falando "Nossa, como vocês viviam com isso?" eu tive certeza que eles estavam começando a entender o conceito de obsolescência. E olha que no grupo da Júlia até rolou uma comparação entre o que era prioridade naquela época (como bateria durar dias) com hoje (internet rápida).
Outra atividade legal foi uma discussão em roda sobre as baterias dos celulares e seu impacto ambiental. Eu trouxe alguns artigos impressos sobre o tema – nada muito extenso pra não perder a atenção deles – pra gente ler junto. Os textos falavam do tempo que leva pra bateria se decompor, os metais pesados que elas contêm, essas coisas. A gente juntou as carteiras no meio da sala e eu joguei umas perguntas no ar: "Vocês sabiam disso? Como vocês acham que isso pode ser melhorado?". A Manuela começou a falar sobre reciclagem e logo o João entrou na conversa achando soluções criativas, tipo "E se os celulares fossem feitos de materiais biodegradáveis?". Foi legal ver eles saindo da zona de conforto e pensando em soluções.
Pra fechar esse ciclo de atividades, tivemos um projeto em dupla onde eles tinham que criar uma solução tecnológica pra resolver algum problema social ou ambiental local. Eles podiam usar qualquer recurso disponível: computador, papel e caneta, maquete, o que fosse. Dei duas semanas pra isso porque queria ver algo bem pensado. O resultado foi incrível! Uma dupla criou um app fictício que conectava agricultores locais com compradores diretos pra evitar desperdício de alimentos – o Matheus teve essa ideia depois de ouvir uma reportagem na TV. Já a Alice e a Gabriela pensaram num sensor que detecta vazamentos de água em casa e alerta pelo celular.
O mais interessante foi durante as apresentações finais. A turma tava super curiosa pra ver o trabalho dos colegas. Quem diria que numa sala onde todo mundo pega no pé um do outro na saída ia rolar tanta colaboração? Até os mais quietos estavam participando ativamente das perguntas e respostas após cada apresentação.
Essas atividades acabaram mostrando pros meninos que a tecnologia vai além do TikTok e dos joguinhos online. Eles passaram a ver como essas ferramentas podem ser usadas pra impactar positivamente nossa vida e nosso entorno. E claro, eu também aprendi muito com eles nesse processo – os jovens têm uma visão fresca das coisas que às vezes a gente esquece.
Enfim, é isso aí galera! Trabalhar essa habilidade é abrir os olhos dos alunos pro fato de que eles são parte ativa nessa história toda da cultura digital. Cada aula é uma chance de plantar essa semente crítica no coração deles. Se alguém tiver outras ideias ou passou por experiências parecidas em sala de aula, compartilha aí! Tamo junto nessa missão de formar cidadãos conscientes e bem-informados!
...mas então, como é que eu vejo que os meninos realmente entenderam o lance todo sem dar uma prova? Olha, tem umas dicas que a gente pega no dia a dia, que são bem mais certeiras do que uma nota. Primeiro, é quando eu circulo pela sala e escuto as conversas. Tipo, às vezes tô passando entre as mesas e ouço o João explicando pro Lucas como ele pensa na hora de escolher um aplicativo novo pra baixar no celular. Ele fala assim: "Cara, presta atenção naquelas permissões que eles pedem, se faz sentido um joguinho precisar saber onde você tá o tempo todo". Aí eu penso: "Beleza, ele captou a ideia de pensar criticamente sobre o uso da tecnologia".
Outro momento que é massa é quando peço pra eles fazerem um trabalho em grupo e vejo um ajudando o outro. Teve uma vez que a Letícia tava meio perdida sobre o que é obsolescência programada. Aí a Mariana virou pra ela e disse: "Lê, imagina que seu celular quebra logo depois da garantia acabar, parece coincidência? Não é não!". Quando vejo essas trocas entre eles, sei que a turma tá assimilando bem.
Agora, sobre os erros mais comuns... Ah, isso acontece direto. O Gabriel, por exemplo, sempre confunde conceitos tipo "obsolescência planejada" com "reciclagem". Ele acha que os produtos são feitos pra serem reciclados logo depois de usados, em vez de entender que são feitos pra quebrar e te obrigar a comprar de novo. Isso acontece porque o termo "reciclagem" tá tão na cabeça deles como algo positivo que acabam misturando as bolas. Quando percebo isso, paro na hora e digo: "Gabriel, a gente precisa separar as coisas. Obsolescência é quando o produto já vem com defeito programado mesmo antes de você comprar". Aí faço ele repensar e tentamos outros exemplos juntos.
Outra confusão é com as novas tecnologias e privacidade. A Bia sempre acha que só porque tá usando um aplicativo gratuito, não precisa se preocupar com os dados que tá fornecendo. É aí que paro tudo e mostro pra ela como esses aplicativos lucram justamente com as informações pessoais que coletam. Gosto de mostrar exemplos concretos: "Imagina você numa loja entregando seu nome e endereço em troca de entrar sem pagar nada. Faz sentido?". Isso geralmente acende a luzinha de alerta.
Agora sobre o Matheus, que tem TDAH, e a Clara, que tem TEA, preciso adaptar algumas coisas nas atividades. Com o Matheus, eu tento usar mais recursos visuais e pausas estratégicas. Tipo assim, quando estamos discutindo algum conceito complexo, faço pausas pra ele processar a informação e uso vídeos curtos que prendem mais a atenção dele. O que funcionou foi dividir as tarefas maiores em pequenas partes. Assim ele não se sente sobrecarregado e consegue focar melhor.
Com a Clara é parecido, mas de outro jeito. Ela responde bem melhor com uma rotina estruturada e previsível. Então procuro sempre começar as aulas da mesma forma: reviso o que fizemos antes e explico claramente o que vamos fazer agora. Outra coisa que ajuda muito é deixar ela trabalhar num canto mais tranquilo da sala quando fazemos trabalhos em grupo – barulho demais pode ser um problema pra ela.
Uma vez tentamos fazer um trabalho em grupo usando realidade aumentada pra discutir os impactos tecnológicos no meio ambiente. Foi incrível pra maioria da turma, mas percebi que tanto o Matheus quanto a Clara não se adaptaram bem à tecnologia tão interativa assim – ele se distraiu demais e ela ficou ansiosa com a mudança repentina do ambiente virtual.
O bom é sempre ir ajustando conforme vou conhecendo melhor cada aluno. E assim vamos caminhando juntos nessa jornada de aprendizado.
Bom, acho que é isso por hoje. Espero que essas experiências ajudem vocês também aí na sala de aula com os desafios do dia a dia. Se alguém tiver outra dica ou quiser trocar ideia sobre alguma coisa específica, tô aqui! Até mais!