Olha, quando a gente fala dessa habilidade da BNCC, a EF12EF04, a gente tá basicamente ajudando os pequenos a sugerir e criar novas formas de brincar e se mexer, tanto na escola quanto fora dela. Isso quer dizer que eles não só participam das brincadeiras e jogos, mas também começam a tomar iniciativa pra propor novas atividades, adaptando as que já conhecem. Então, além de saber brincar, eles precisam aprender a pensar em como adaptar esses jogos pra diferentes situações e depois contar pros outros. Pode ser falando, escrevendo ou até fazendo um videozinho, algo assim.
Pra eles conseguirem fazer isso, é importante que eles já tenham brincado bastante e conhecido várias brincadeiras da cultura popular. Aí entra o que fizeram na educação infantil, onde eles já tiveram contato com brincadeiras como amarelinha, esconde-esconde e até mesmo pega-pega. A diferença agora no 1º ano é que eles começam a refletir mais sobre essas práticas e sugerem mudanças ou novas formas de brincar. Tipo, eles podem pegar uma brincadeira tradicional e criar uma variação com regras próprias ou adaptar pra um espaço diferente.
Agora vou contar três atividades que eu faço com os meninos aqui na escola. A primeira delas é a criação de um novo tipo de circuito de obstáculos. Pra isso, eu separo cones, cordas e caixas de papelão grandes. Organizo a turma em pequenos grupos de três ou quatro alunos, e cada grupo tem uns 15 minutos pra montar o próprio circuito usando esses materiais. Depois, eles apresentam pros colegas e todo mundo experimenta passar pelos circuitos dos outros grupos. Na última vez que fizemos isso, a turma ficou super empolgada! A Julia teve uma ideia genial de usar as caixas como túneis e o Lucas sugeriu que um dos obstáculos fosse passar por baixo das cordas sem tocar nelas. Foi legal ver como eles discutiram entre si pra chegar em algo que funcionasse.
A segunda atividade é o “dia da troca de brincadeiras”. Pra essa atividade não precisa de muito material além dos brinquedos ou objetos que já temos na sala ou no pátio. Eu peço pra cada aluno pensar em uma brincadeira que gosta muito e gostaria de ensinar pros colegas. No dia combinado, cada um tem uns 5 minutos pra explicar e mostrar como se joga. A galera adora quando tem essa troca porque eles acabam conhecendo jogos novos e diferentes. Na última vez, o Pedro ensinou uma variação do jogo de bolinhas de gude que ele aprendeu com o avô, todo mundo ficou admirado e já começaram a inventar novas regrinhas.
A terceira atividade é um projeto chamado “Brincadeiras da nossa comunidade”. Essa leva mais tempo, geralmente umas duas semanas. A ideia é que os alunos pesquisem com os familiares sobre brincadeiras tradicionais da região onde vivem. Eles podem fazer entrevistas com avós, pais ou vizinhos sobre como eram as brincadeiras no tempo deles. Depois dessa pesquisa, cada aluno cria um pequeno texto ou desenho explicando a brincadeira que descobriu. Pra finalizar o projeto, montamos um painel na escola com todas essas histórias e recriamos algumas das brincadeiras no pátio pra todo mundo experimentar.
Na última vez que fizemos esse projeto, a Ana descobriu uma brincadeira chamada “cabra-cega” que sua avó brincava na infância lá no interior de Goiás. Ela ficou toda animada explicando pras outras crianças como era o jogo e ainda teve direito a fazer uma apresentação oral pra turma toda. O mais legal foi ver como ela ficou interessada em saber mais sobre as histórias da família por causa disso.
E olha só, essas atividades são simples de fazer mas têm um impacto grande nos pequenos. Eles ficam mais conscientes das próprias tradições culturais e começam a valorizar esse conhecimento comunitário. É lindo ver quando eles conseguem propor algo novo com base no que aprenderam ou ouviram em casa. Fora que essa troca entre eles enriquece demais o aprendizado e deixa as aulas bem mais dinâmicas.
Enfim, é isso aí pessoal. Acho importante lembrar que o nosso papel como professor é facilitar esse processo e dar espaço pra que eles brilhem com suas próprias ideias! Se alguém tiver outras sugestões ou quiser compartilhar experiências parecidas, tô por aqui pra trocar uma ideia também!
Olha, pra perceber se os meninos estão entendendo essa habilidade, não precisa de prova formal, não. A gente que tá lá todo dia aprende a sentir, sabe? Tipo, quando eu tô circulando pela sala ou na quadra durante as atividades, dá pra ver quem pegou a ideia. Tem horas que eu tô ali passando perto e escuto as conversas entre eles, e é ali que muitas vezes eu percebo "ah, esse entendeu".
Teve uma vez, por exemplo, que o João tava explicando pro Lucas como eles podiam mudar as regras do pique-pega pra incluir um espaço novo do pátio. O João falou pra ele: "Vamos fazer assim, em vez de só correr, a gente pode se esconder atrás das árvores, e quando a gente for pego, tem que ficar parado até alguém tocar". E o Lucas respondeu: "Nossa, boa ideia! Assim fica mais legal!", e os outros começaram a se animar e discutir mais ideias. Pra mim, essa troca de ideias é um sinal claro de que eles tão entendendo o espírito da coisa, sabe? É a adaptação e a criação coletiva acontecendo.
Agora, os erros mais comuns... Ah, esses sempre têm. A Mariana, por exemplo, ela costuma esquecer que todo mundo tem que entender as regras antes de começar. Ela tem tantas ideias legais que às vezes começa a brincar sem explicar direito o que mudou. Aí fica aquele monte de criança parada sem saber o que fazer. Acho que acontece porque ela tá tão empolgada com a ideia nova que esquece de se comunicar. Quando isso rola, eu chego perto e pergunto: "Mariana, vamos explicar direitinho pro pessoal como vai ser agora?" Geralmente ela se liga e começa a contar com mais calma.
Outro erro é com o Felipe. Ele sempre quer deixar o jogo mais difícil, mas esquece dos colegas que ainda tão sacando como jogar. Outro dia ele inventou uma regra nova pro jogo da amarelinha que só ele entendeu e as outras crianças ficaram perdidas. Acho que ele gosta do desafio e quer motivar os colegas a serem melhores, mas acaba excluindo sem querer quem tá aprendendo ainda. Quando vejo isso acontecendo, eu digo: "Felipe, que tal pensar numa regra que todo mundo consiga fazer? Assim a gente garante que ninguém vai ficar de fora". E aí ele se toca e tenta balancear melhor.
Agora sobre o Matheus e a Clara... Bom, é um desafio constante adaptar as atividades pra eles, mas não é impossível não. O Matheus tem TDAH e precisa de um pouco mais de estrutura. Pra ele funcionar bem nas atividades, eu tento dividir o tempo em partes menores e bem definidas. Então eu falo: "Matheus, agora a gente vai brincar assim por 5 minutos e depois muda". Isso ajuda ele a manter o foco porque ele sabe quanto tempo cada parte vai durar.
Com a Clara, que tem TEA, a coisa é um pouco diferente. A gente usa muito material visual. Cartazes com sequência de passos nas brincadeiras ajudam bastante. E outra coisa que faço é tentar manter a rotina das atividades bem parecida todo dia. Assim ela já sabe o que esperar e fica mais tranquila pra participar. Uma vez tentamos mudar radicalmente uma atividade sem avisar antes e ela ficou muito angustiada, aí aprendi a sempre introduzir novidades gradualmente.
Mas olha, nem tudo funciona sempre. Teve um dia que tentei usar um aplicativo no tablet pra explicar uma brincadeira nova pro Matheus achando que ia ajudar ele a focar mais, mas acabou distraindo ele ainda mais com as outras funções do tablet. Resultado: tive que voltar pro bom e velho quadro branco com desenhos simples.
Enfim, cada dia é um aprendizado e ajustar as coisas faz parte do processo. Acho que o segredo mesmo é estar atento às reações deles e não ter medo de mudar o plano quando necessário. Como professor da escola pública há tanto tempo aprendi que flexibilidade é tudo na educação.
Bom pessoal, vou ficando por aqui por hoje. Espero que essas histórias ajudem vocês a pensar nas suas aulas também. E qualquer dúvida ou sugestão estamos aí pra trocar ideia! Valeu!