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EF12EF12Educação Física · Ano · Ensino Fundamental - Anos Iniciais

Identificar os elementos constitutivos (ritmo, espaço, gestos) das danças do contexto comunitário e regional, valorizando e respeitando as manifestações de diferentes culturas.

DançasDanças do contexto comunitário e regional
CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, essa habilidade EF12EF12 da BNCC, que fala de dança, eu entendo como uma maneira de a gente ajudar os meninos a perceberem que dança não é só movimento, mas também é cultura, é história. A ideia é que eles consigam ver a dança como uma forma de expressão da comunidade, da região onde vivem, e que cada passo, gesto, ritmo tá contando uma história sobre aquele povo. Não é só mexer o corpo, sabe? A gente quer que eles consigam identificar o que compõe uma dança: o ritmo que tá por trás da música, o espaço que a galera usa pra dançar e os gestos que fazem parte disso tudo. É mais do que só seguir uma coreografia, é entender o porquê daquela dança ser daquele jeito.

Antes mesmo de chegar no segundo ano, os alunos já tiveram algum contato com música e movimento lá no primeiro ano. Eles cantam, fazem brincadeiras de roda, então já têm uma certa noção do que é ritmo e de como se movimentar no espaço. Agora no segundo ano, a gente só amplia isso pra um nível mais consciente. Eles precisam começar a perceber que essas brincadeiras têm origem em tradições culturais e que muitas danças regionais surgem daí.

E sobre as atividades que eu faço com a turma, tem três que são certeiras e sempre rolam bem.

A primeira atividade que eu costumo fazer é a "Roda de Danças Regionais". Eu começo fazendo uma roda com a turma toda na quadra. Não precisa de muito material: um aparelho de som e uma playlist com músicas típicas de várias regiões do Brasil é suficiente. Aí eu coloco uma música de cada região e ensino um passo ou dois. Por exemplo, boto um forró e mostro um passinho básico. Depois mudo pra carimbó e mostro outro. Isso leva uns 30 minutinhos no máximo. Os meninos adoram! Na última vez, quando coloquei um frevo, a Maria ficou tão empolgada que saiu improvisando uns passos do nada. Foi um barato! Essa atividade ajuda eles a perceberem como o ritmo muda conforme a música e como isso influencia nos movimentos.

A segunda atividade é o "Desafio dos Gestos". Aqui, eu peço pra turma se dividir em grupos pequenos de 4 ou 5 alunos. Cada grupo escolhe uma dança regional (ou eu sorteio) e eles têm que criar uma mini apresentação usando os gestos característicos daquela dança. A ideia não é fazer algo perfeito, mas sim eles refletirem sobre como o corpo se comunica através desses gestos. Eu dou uns 20 minutos pra prepararem e depois cada grupo mostra o que fez para o restante da turma. É interessante porque dá pra ver a criatividade deles. Da última vez, o João inventou uns gestos engraçados para um samba, fazendo todo mundo rir, mas depois ele mesmo explicou direitinho o significado dos movimentos. Eles se divertem muito e acabam respeitando bastante o trabalho dos colegas.

A terceira é o "Mapa das Danças". Pra essa atividade eu preciso de um mapa grande do Brasil — mas nada sofisticado não; dá pra imprimir ou desenhar num papel pardo mesmo — e cartolina com canetinhas coloridas. Eu dou umas duas ou três semanas pra turma pesquisar com os pais e trazer informações sobre danças típicas das regiões do Brasil. Aí colamos essas informações no mapa onde elas pertencem. O legal dessa atividade é ver os alunos engajados fora da escola também; muitos trazem histórias dos avós ou até vídeos curtinhos de família dançando alguma dessas danças em festas comunitárias. Semana passada, o Pedro trouxe um vídeo dele dançando quadrilha na festa junina do bairro e ficou todo orgulhoso mostrando pra turma. A atividade inteira leva umas duas aulas para finalizar completamente.

Essas atividades são bacanas porque os meninos aprendem na prática sobre ritmo, espaço e gestos sem nem perceberem que tão estudando isso tudo direitinho. E mais importante ainda, eles começam a valorizar as próprias raízes culturais e as dos colegas também. Muitas vezes eles chegam achando que sabem tudo sobre uma dança só porque já viram na TV ou fizeram numa festinha, mas quando a gente vai fundo mesmo nessas atividades, eles descobrem um monte de coisa nova e ficam super curiosos pra saber mais.

No fim das contas, trabalhar essa habilidade EF12EF12 é proporcionar pros alunos esse reconhecimento do valor cultural das danças regionais e comunitárias. É fazê-los perceberem que a dança tem um papel social importante e que cada movimento conta uma história sobre quem nós somos como povo brasileiro. E isso aí já vale demais!

E sabe como é que eu vejo que os meninos estão pegando o jeito da coisa? Não é só na hora da apresentação no final do semestre, não. É no dia a dia mesmo, durante as aulas. Quando a gente tá ali no meio do pátio, todos juntos ensaiando uma coreografia ou discutindo sobre um novo ritmo que vamos aprender, eu fico circulando, prestando atenção nas conversas. E é nessas horas que rolam uns momentos de eureka, sabe?

Por exemplo, teve uma vez que o João e a Marcela estavam ensaiando uma parte mais complicada de um frevo. Eu vi o João explicando pra Marcela que ela tinha que sentir o ritmo da música antes de se preocupar com os passos. Ele falou algo tipo "Olha, Marcela, tenta ouvir o batuque e aí deixa seu corpo ir junto, não pensa muito nos passos agora". Nesse momento eu pensei "Ahá! Esse entendeu a essência!". É quando eles conseguem explicar uns pros outros assim que sei que absorveram o conteúdo de verdade. Outro dia, a Ana perguntou pro Pedro se ele sabia de onde vinha o maracatu e ele deu uma aula completa sobre Pernambuco pra ela. Fiquei só de canto ouvindo e me segurando pra não interromper de tanto orgulho.

Agora, claro que nem tudo são flores e tem muita confusão pelo caminho. Um erro comum é a galera achar que dança é só seguir passos sem pensar no porquê daquilo. O Felipe, por exemplo, sempre acha que decorar os passos é suficiente. Ele fica naquele automático e não percebe que cada movimento tem um significado dentro da cultura daquela dança. Aí, quando eu percebo ele escorregando nisso, chego junto e tento mostrar com exemplos concretos. Tipo assim: "Felipe, pensa no frevo. Por que será que os movimentos são tão rápidos? Tem muito a ver com a energia e a alegria do Carnaval de Recife." E vou trazendo essas explicações pra ver se vai fazendo mais sentido.

E também tem aqueles pequenos deslizes como esquecer qual parte do corpo usar mais em determinada dança. Vi isso na Letícia outro dia; ela estava tentando encaixar uns movimentos de samba numa dança mais tradicional africana e ficou um pouco perdido. Isso acontece porque às vezes eles misturam as referências sem entender direito cada estilo. Nessas horas eu procuro fazer umas comparações mais diretas tipo "Olha, Letícia, repara como no samba o quadril tem um papel maior enquanto na dança africana o foco vai mais pros pés e pro tronco".

Agora, falando dos desafios específicos com o Matheus e a Clara... Bom, com o Matheus, que tem TDAH, eu percebi que ele funciona melhor com instruções mais curtas e diretas. Se eu ficar falando demais ou explicando toda a história de uma vez só, ele se perde fácil. Então costumo dividir as atividades em passos menores pra ele ir se concentrando em cada um por vez. E deixo sempre uma atividade extra pro caso dele terminar antes dos outros — tipo assim, "Agora tenta criar um passo novo baseado nisso!". Ele adora ter esse espaço pra inventar.

Com a Clara, que tem TEA, o desafio é outro. Ela precisa de um ambiente mais tranquilo pra não se sobrecarregar com tantos estímulos. Então evito música muito alta ou muitos alunos falando ao mesmo tempo perto dela. E também procuro sempre ter imagens dos passos ou vídeos curtos pras danças que vamos aprender; isso ajuda muito ela a entender a sequência dos movimentos sem ficar ansiosa. Uma vez tentei usar um grupo grande pra ensaiar junto com ela logo de cara e não rolou — ficou muito confuso pra ela com tanta gente ao redor.

Bom, pessoal, acho que por hoje é isso! Espero ter ajudado vocês a entenderem um pouco mais sobre como observo e ajusto as coisas na sala de aula quando ensino essas habilidades da dança pros nossos meninos. Se alguém tiver alguma dica ou quiser compartilhar suas experiências também, vou adorar trocar ideia por aqui! Até a próxima!

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