Oi pessoal, tudo bem? Hoje eu quero compartilhar como eu trabalho a habilidade EF35EF10 da BNCC na minha turma do 4º Ano. Pra quem não tá com o texto decorado, essa habilidade é sobre comparar e identificar os elementos comuns e diferentes nas danças populares do Brasil e do mundo, além das danças de matriz indígena e africana. Mas calma, deixa eu explicar com mais leveza.
Olha, na prática, essa habilidade é sobre os meninos entenderem que dançar não é só mexer o corpo. É perceber que cada dança tem seu jeito próprio, sabe? Tipo ritmo, espaço onde acontece, os gestos que se usa. No final das contas, eles têm que conseguir ver o que tem de igual e diferente entre uma ciranda brasileira e uma dança indígena, por exemplo. Na série anterior, a turma já teve algum contato com ritmos simples e brincadeiras cantadas. Então essa continuidade ajuda porque eles já têm um certo ouvido musical e sabem um pouco sobre diferentes culturas.
Bom, agora deixa eu contar o que rola na sala de aula pra desenvolver essa habilidade. Vou falar de três atividades que gosto de fazer.
Primeira coisa: a dança das cadeiras multicultural. É bem simples: eu pego umas músicas de várias partes do Brasil e de outros países e faço uma dança das cadeiras com a galera. Você só precisa de cadeiras (claro!), um celular ou caixinha de som pra tocar música. Organizo as cadeiras em círculo, sempre deixando uma a menos que o número de alunos, igual à dança das cadeiras tradicional. A cada rodada eu troco a música: começa com um samba, depois vai pra uma salsa, passamos por um frevo, uma música indígena... enfim, vou variando. Isso leva umas duas aulas de 50 minutos porque depois da brincadeira a gente conversa sobre as diferenças no ritmo e nos movimentos que cada música pediu.
Uma vez o João quase caiu de tanto rir quando percebeu que no forró os passos eram mais rápidos do que ele conseguia acompanhar. E a Clarinha ficou encantada com uma música africana que tocou, ela falou que parecia com algo que o avô dela ouvia.
Depois temos o projeto "Dança em Foco". Nessa atividade, a gente usa vídeos curtos de danças do YouTube. Eu escolho uns bem legais e variados: tem capoeira, balé clássico, dança africana, tudo misturado. A turma assiste aos vídeos e em grupos (uns 4 ou 5 por grupo) eles têm que escolher uma dança pra apresentar depois pra classe. Aí vem o legal: eles precisam explicar quais diferenças encontraram nos vídeos em termos de ritmo e movimento. Isso dá um trabalhinho maior, leva umas três aulas porque eles pesquisam um pouco sobre a origem da dança também.
Teve uma vez que as meninas do grupo da Mariana escolheram uma dança irlandesa e elas riram tanto porque era tudo muito sincronizado e rápido. Foi um desafio pra elas tentar reproduzir os passos depois!
Por último, gosto de fazer a "Roda de Histórias dançantes". Aqui a ideia é unir narrativa com movimento. Eu leio ou conto pequenas histórias tradicionais indígenas ou africanas (às vezes invento alguma também) enquanto eles têm que criar gestos e movimentos que combinem com a história narrada. A gente não usa material além do espaço da sala mesmo e isso leva umas duas aulas.
Numa dessas atividades, o Lucas inventou uns passos tão engraçados pra uma lenda africana sobre animais da floresta que toda a turma entrou na brincadeira dele. No final ele explicou: "professor, meu passo era tipo o leão andando preguiçoso na selva". Foi fantástico ver como eles se entregaram à imaginação!
No fim das contas, o importante dessas atividades é que os meninos percebam a riqueza cultural em cada dança e como essas tradições contam histórias e carregam identidades. Sempre tento fechar as atividades com uma roda de conversa onde todo mundo fala o que aprendeu ou o que achou mais interessante.
Bom pessoal, é assim que tenho trabalhado essa habilidade por aqui. Os alunos se divertem muito e acabam aprendendo sem nem perceber. Espero que tenha ajudado ou inspirado alguém! Até a próxima!
Quando eu tô na sala, é incrível ver como os meninos começam a entender as coisas mesmo sem precisar de uma prova formal. Eu sempre circulo pela sala, fico de olho nas reações deles. Aí, é na hora das conversas entre eles que a mágica acontece. Por exemplo, teve uma vez que a gente tava trabalhando com o frevo. A Marina virou pro João e explicou que o frevo tem um passo bem rápido e que é por isso que a música é tão acelerada, e não dava pra confundir com uma valsa, por exemplo. Na hora que ela fez essa comparação, eu pensei: "ah, essa entendeu".
Outra situação foi quando o Lucas começou a explicar pro grupo dele que no forró os pares dançam bem juntinhos, enquanto no maracatu tem um grupo maior e as pessoas tocam instrumentos enquanto dançam. Isso foi durante uma atividade em que eles tinham que criar um cartaz sobre diferentes danças. Ele fez essa diferenciação e eu percebi que ele tava captando a essência da coisa.
Agora, sobre os erros comuns... Ah, tem uns bem típicos. Vou contar de uma vez que a Camila confundiu samba com samba de gafieira. Aí ela disse que era tudo a mesma coisa porque "samba é samba, né?" Eu vejo que esse erro acontece porque eles ainda tão começando a aprender sobre as nuances dessas danças. Então o que eu faço é mostrar vídeos, trazer exemplos visuais ali na hora, pra eles verem as diferenças na prática. Às vezes coloco eles pra fazerem uns passos básicos, só pra sentir como cada dança tem um jeito próprio.
Outro erro comum é quando os meninos tentam fazer comparações meio apressadas. Tipo o Pedro, que disse que todo ritmo africano era igual por causa do tambor. No caso dele, eu sentei ao lado e comecei a tocar diferentes ritmos com uma tampa de caneta e a mesa mesmo — ok, não sou um percussionista — mas ajudei ele a perceber as diferenças nos ritmos.
Agora, falando do Matheus e da Clara... O Matheus tem TDAH, então eu preciso fazer umas adaptações pra ele conseguir acompanhar melhor. Ele se distrai fácil, então eu dou pequenas tarefas pra ele durante as atividades. Coisas como "me ajuda a pegar os materiais" ou "vamos ser os primeiros a testar esse novo passo de dança". E funcionou bem quando coloquei ele mais perto de mim durante as explicações — isso ajuda muito.
Com a Clara, que tem TEA, eu uso materiais visuais mais detalhados. Cartazes com imagens dos passos das danças ajudam bastante! Também deixo ela sentir o tempo das atividades no ritmo dela. Às vezes ela não quer participar ativamente logo de cara e tá tudo bem, porque sei que ela tá observando atenta. Já testei usar fones com música ambiente pra ajudar no foco dela quando tem muita agitação na sala, mas não rolou tão bem — ela se sentiu isolada.
Em uma atividade de roda de conversa onde cada um falava sobre a dança que mais gostou até agora, ela surpreendeu todo mundo falando sobre o carimbó e como ela achou interessante o uso das saias rodadas e como parecia divertido girar daquele jeito. Isso mostrou pra mim que ela tava absorvendo tudo do jeito dela.
Bom, galera, acho que é isso por hoje! Espero ter ajudado alguém aí com essas histórias da nossa sala de aula. Se vocês tiverem dicas ou quiserem trocar ideia sobre essas experiências, vou adorar continuar essa conversa. Até a próxima!