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EF35EF13Educação Física · Ano · Ensino Fundamental - Anos Iniciais

Experimentar, fruir e recriar diferentes lutas presentes no contexto comunitário e regional e lutas de matriz indígena e africana.

LutasLutas do contexto comunitário e regional Lutas de matriz indígena e africana
CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, trabalhar a habilidade EF35EF13 da BNCC no 4º ano, para mim, é como abrir o mundo das lutas para os meninos e meninas de uma forma que eles entendam que a luta não é só briga, mas é cultura, é história, é respeito. Quando falamos dessa habilidade, estamos querendo que eles experimentem diferentes tipos de lutas que fazem parte da nossa comunidade e também aquelas com raízes indígenas e africanas. A ideia é que eles consigam reconhecer essas lutas, entendam um pouco da história por trás e, claro, tentem praticar de uma forma respeitosa e segura. A turma já vinha do 3º ano com alguma noção de movimentos corporais básicos e regras de jogos, então a ideia aqui é expandir isso.

Bom, uma das atividades que faço é o "dia da capoeira". É uma das lutas de matriz africana bem representativas e tem toda uma musicalidade envolvida. Costumo levar um pandeiro e um berimbau (às vezes eu mesmo toco, mesmo não sendo expert) e a gente organiza a turma em roda. Primeiro a gente conversa um pouco sobre o que eles sabem da capoeira – muitos acham que é só dança – aí explico rapidinho sobre as origens, os escravos no Brasil e como eles usavam a capoeira como forma de resistência. Depois disso, levo uns 30 min pra eles experimentarem alguns movimentos básicos como a ginga, o au e a negativa. A galera adora quando chega na parte dos movimentos. Teve um dia que o João se empolgou tanto que começou a inventar uns passos próprios, ele se divertiu e conseguiu engajar os outros também. O Matheus, que era mais tímido, acabou participando e se soltou bastante.

Outra coisa que faço é introduzir a ideia do "torneio indígena", onde a gente explora lutas ou jogos inspirados em práticas indígenas. Um exemplo é o cabo de guerra. Uso uma corda bem grande e divido a turma em dois grupos equilibrados em força e número. Antes de começar, falo um pouco sobre as tribos indígenas aqui do Brasil e como esses jogos eram importantes para o preparo físico e espiritual deles. Explico as regras e divido em rodadas. No começo, são uns 10 minutos explicando tudo, depois mais uns 20 minutos para as rodadas do jogo. Os alunos ficam animadíssimos com essa competição saudável. No último torneio, a Maria conseguiu segurar firme até o final, mesmo com os colegas gritando e torcendo muito alto. Foi legal ver o quanto eles ficaram envolvidos.

A terceira atividade é o "circuito de lutas", onde misturamos várias atividades inspiradas por diferentes tipos de lutas regionais. Aqui uso cones para demarcar áreas específicas onde cada mini-atividade vai acontecer. Por exemplo, temos uma área com almofadas grandes onde eles podem simular quedas seguras (inspirado no jiu-jítsu), outra área onde praticam movimentos de esquiva (tipo boxe) com sacos de pancada improvisados (uma bola amarrada numa corda). Normalmente levo uns 40 minutos com essa atividade porque dá tempo pra todo mundo passar por todas as estações ao menos duas vezes. A turma adora ter opções diferentes e experimentar algo novo sem pressão de competição direta. Na última vez que fizemos isso, o Lucas ficou encantado com a área de esquivas e até me pediu dicas depois pra continuar praticando.

E assim vamos indo. O importante é ver como essas atividades ajudam os meninos a entenderem que as lutas são mais do que aparentam: são cultura viva. E também são oportunidades pra eles desenvolverem disciplina, respeito ao outro e autoconfiança. Claro, sempre tem aquele aluno mais agitado ou aquele mais introspectivo, mas quando a gente faz essas atividades dá pra perceber como todos acabam se envolvendo do seu jeito.

No fim das contas, esses momentos são preciosos não só pra aprender sobre lutas mas pra aprender sobre si mesmos também. E as risadas no meio do caminho fazem tudo valer a pena! Vale lembrar que sempre termino incentivando eles a respeitar o corpo do colega durante as práticas – isso é fundamental.

Bom, fico por aqui hoje! Até mais pessoal!

Então, como é que eu percebo que os alunos entenderam a habilidade EF35EF13 sem precisar aplicar uma prova tradicional? Bom, o segredo tá no dia a dia, nas pequenas coisas que os meninos e meninas fazem e falam. Por exemplo, quando a gente tá praticando capoeira, eu fico circulando pela turma e escutando as conversas. Outro dia eu tava passando entre os grupos e ouvi a Júlia explicando pro Paulo como era importante manter a ginga constante, porque isso não só era uma forma de se defender, mas também uma maneira de respeitar o parceiro. Ela dizia: "Não é só ficar parado esperando, você tem que se movimentar sempre, aí o outro também vai saber que você tá respeitando ele". Aí eu pensei: "Ahá! Essa entendeu o espírito da coisa".

Outro momento que mostra que eles pegaram o jeito é durante as rodas de conversa depois das atividades. Eu sempre deixo um tempo pra galera compartilhar o que sentiu, o que achou legal ou difícil. Tem vezes que um aluno usa um termo ou faz um comentário que mostra claramente que absorveu a ideia. O Lucas, por exemplo, comentou uma vez: "Quando a gente tava fazendo judô, deu pra perceber como é diferente do boxe, né? No judô a gente tá sempre tentando usar a força do outro pra se equilibrar". Isso é ouro pra mim, porque mostra que ele tá começando a pensar sobre as diferenças culturais e técnicas das lutas.

Agora, sobre os erros mais comuns, olha... tem alguns clássicos. O João, por exemplo, vive confundindo capoeira com dança. Ele acha que é só se mexer no ritmo da música e esquece da parte do jogo e da defesa. E isso acontece muito porque eles ficam tão empolgados com a música e os movimentos que acabam deixando de lado o objetivo principal. Quando eu pego esse erro na hora, eu paro a atividade e chamo atenção pro conceito de jogo dentro da capoeira, mostro como cada movimento tem um sentido dentro do jogo. Já com a Maria, ela sempre tenta usar força demais no judô, esquecendo que a técnica é mais importante. Aí eu tenho que lembrar ela de relaxar e mostrar como pode usar o movimento do parceiro ao invés de tentar derrubar só com força.

Quanto ao Matheus, que tem TDAH, tenho aprendido que ele precisa de pequenas pausas durante as atividades. Se a aula tá muito longa pro ritmo dele, ele perde o foco rapidinho. Eu já tentei deixar ele como meu ajudante em algumas atividades pra dar aquela responsabilidade a mais e funcionou bem. Tipo assim, quando estamos na roda de capoeira, ele me ajuda a manter a ordem dos participantes, ele fica super engajado. Mas também tive experiências que não deram certo. Uma vez achei que seria uma boa ideia usar vídeos sobre lutas pra ele assistir enquanto não tava participando diretamente da atividade prática... mas ele acabou se distraindo com outras coisas.

Já com a Clara, que tem TEA, eu preciso adaptar mais as instruções. Costumo usar cartões visuais pras sequências dos movimentos nas aulas de judô. Ela se dá super bem quando sabe exatamente o que esperar e o que fazer depois. Eu também tento manter uma rotina bem definida porque mudanças bruscas podem deixá-la desconfortável. Teve uma vez que mudamos de atividade sem avisar direito e ela ficou bastante perdida... então aprendi que com ela preciso sempre avisar tudo com antecedência.

Bom pessoal, é isso. Trabalhar essa habilidade é um desafio diário mas também uma baita oportunidade de crescimento pra todos nós. A gente vai aprendendo junto com eles onde ajustar o ritmo e encontrar novas formas de ensinar e aprender. E olha, se vocês tiverem mais dicas ou quiserem trocar figurinhas sobre o tema, fico à disposição por aqui! Abraços!

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