Olha, esse negócio de trabalhar a habilidade EF35EF04 da BNCC na prática é bem interessante. Pra mim, é tudo sobre trazer pra dentro da escola um pouquinho do que tá rolando lá fora, sabe? A ideia é que os meninos e meninas redescubram e experimentem brincadeiras e jogos populares, tanto nossos brasileiros quanto de outras culturas. Isso inclui aquelas brincadeiras de origem indígena e africana, que são nosso patrimônio cultural e parte importante da nossa história. E tipo, não é só brincar por brincar, né? É entender o que tá por trás dessas atividades: a cultura, a história, a forma como as pessoas se relacionam através desses jogos.
Então, o que a gente quer é que a garotada consiga recriar essas brincadeiras. Isso significa que eles devem ser capazes de adaptar os jogos aos espaços que têm disponíveis, modificar regras quando necessário e até inventar novas dinâmicas dentro do jogo. E uma coisa bacana é que isso se conecta com o que eles já aprenderam nos anos anteriores. As crianças já têm uma noção de como brincar em grupo, como seguir regras básicas, e agora a gente vai aprofundar isso trazendo mais diversidade e complexidade pra essas atividades.
A primeira atividade que eu faço com a turma tem a ver com o jogo da "Peteca". É super simples: eu peço pros meninos trazerem de casa qualquer coisa que pareça uma peteca — pode ser feita de jornal com fita adesiva, aquelas compradas ou até feita de meia velha. A gente vai pro pátio e eu divido a galera em duplas. Cada dupla fica responsável por jogar e tentar não deixar a peteca cair pro lado do outro. O legal é que eles começam a inventar jeito diferente de segurar, de lançar... Sempre tem um ou outro que cria umas regras novas na hora. Da última vez que fizemos isso, o João e a Maria inventaram de jogar com uma mão só pra ver quem tinha mais controle. Foi uma bagunça boa! Essa atividade dura mais ou menos uns 30 minutos e os meninos ficam super animados, sempre acham graça quando conseguem bolar alguma jogada nova.
Outra atividade divertida é o "Macaco Pega Banana", um jogo simples inspirado em brincadeiras africanas. Pra essa atividade eu uso bolas coloridas (que são as bananas) e um colete de cor diferente (o macaco). Escolho uma criança pra ser o macaco, enquanto as outras são os caçadores tentando pegar as bananas espalhadas pelo pátio. A ideia é que o macaco precisa proteger as bananas enquanto tenta pegar os caçadores. A organização é simples: delimito um espaço seguro onde o macaco pode guardar as bananas. O resto do pátio é zona livre pros caçadores correrem. Na última vez, o Pedro tava como macaco e foi hilário ver ele pulando e tentando proteger as bolas enquanto os colegas davam voltas rápidas pra pegar as "bananas". Essa atividade costuma durar uns 20 minutos e as crianças saem suadas e felizes.
A terceira atividade é bem interessante porque envolve rodas de conversa antes das brincadeiras: a "Roda das Culturas". A gente se junta em círculo no chão da sala mesmo e começa conversando sobre alguma brincadeira que eles já conhecem ou ouviram falar. Eu trago algumas imagens ou histórias sobre jogos indígenas e africanos pra contextualizar e deixar a imaginação fluir. Depois disso, escolhemos uma brincadeira pra recriar ali mesmo ou no pátio. Uma vez fizemos uma versão adaptada da "Cama de Gato", uma prática indígena onde você usa barbante pra criar figuras em três dimensões só com as mãos. O Thiago ficou fascinado e conseguiu fazer umas formas super complexas sozinho! Essas rodas costumam durar uns 15 minutos e depois mais uns 20 minutos recriando ou testando as novas ideias.
Eu acho incrível ver como os alunos reagem a essas atividades. Eles ficam muito empolgados em mostrar o que sabem e aprender algo novo ao mesmo tempo. E o mais interessante é ver como eles exercitam não só o corpo mas também a mente ao pensar em estratégias novas ou adaptar algo que aprenderam pro espaço ou materiais disponíveis ali na hora. Bom demais ver essa troca cultural acontecendo na prática!
Enfim, acho que trabalhar essa habilidade vai além do simples ato de brincar. É proporcionar momentos onde eles podem se expressar livremente, aprender sobre outras culturas e ainda desenvolver habilidades sociais importantes pro futuro deles. E aí, quem mais tem dicas de atividades assim? Tô sempre aberto pra trocar ideias!
Aí, continuando aqui sobre a habilidade EF35EF04, vou contar como eu percebo que a galera tá sacando mesmo o conteúdo sem precisar de uma prova formal. É no dia a dia, sabe? Tipo quando eu tô lá circulando pela sala ou pelo pátio, prestando atenção na conversa dos meninos. Tem horas que um aluno explica pro outro como funciona uma brincadeira e aí você vê que eles realmente entenderam o espírito da coisa.
Teve uma vez que o João e a Maria estavam explicando pro grupo como jogar peteca. O João, todo empolgado, tava falando sobre a origem indígena do jogo e disse: "Galera, isso aqui já era jogado pelos índios antes de Portugal aparecer na fita!" E a Maria completou: "E não é só pra brincar, tem toda uma técnica, olha só!" Aí eu pensei: “Poxa, eles tão entendendo a conexão com a cultura e a habilidade física envolvida!” Quando vejo esse tipo de interação, sei que eles tão captando a essência do que aquela habilidade pede.
Agora, sobre os erros mais comuns, tem alguns que sempre aparecem. Por exemplo, olha só o caso do Pedro. Ele sempre acaba confundindo as regras dos jogos. Já cansei de ver ele misturando as regras da queimada com as do pique-bandeira. Mas aí acho que isso acontece porque ele é muito ansioso e já quer partir pra ação sem prestar muita atenção. Quando pego ele errando na hora, chamo ele de canto e explico de novo, com calma: "Pedro, olha só, na queimada você tem que pegar quem tá fora do campo adversário. Não é igual ao pique-bandeira." E aí faço ele repetir as regras em voz alta pra fixar.
Outra situação foi com a Ana, que confunde as brincadeiras de roda. Ela sempre troca as letras das músicas tradicionais. Um dia desses ela tava cantando "Ciranda Cirandinha" misturando com "Atirei o Pau no Gato". Ela começou: "Atirei o pau na ciranda..." Eu ri por dentro e expliquei que são músicas diferentes e cada uma tem um contexto. Acho que ela se enrola porque aprende as coisas ouvindo e às vezes acaba misturando tudo.
Sobre lidar com alunos que têm necessidades especiais, como o Matheus e a Clara, é um desafio maravilhoso. O Matheus tem TDAH e é super agitado. Com ele, o segredo é manter sempre tudo muito claro e em movimento. Eu costumo usar atividades que envolvem mais estímulos visuais e auditivos pra manter ele engajado. Tipo jogos com sinais visuais ou sons diferentes pra cada instrução. Uma vez usei um sistema de cartões coloridos pra comandar diferentes fases da atividade e isso funcionou super bem pra ele.
Com a Clara, que tem TEA, o cuidado precisa ser outro. Ela gosta de rotinas bem definidas e previsíveis. Pra ela se sentir confortável, eu planejo atividades mais estruturadas e uso materiais visuais antecipadamente pra mostrar como será cada etapa do jogo ou da brincadeira. Uma coisa que não deu certo foi uma vez tentar improvisar uma mudança de atividade em cima da hora; ela ficou bem perdida e desconfortável. Aí aprendi que preciso me planejar melhor quando vou fazer qualquer ajuste.
Por exemplo, na roda de capoeira eu sempre mostro os movimentos antes dela participar e dou um tempo pra ela observar antes de entrar no jogo. Isso ajuda ela a se preparar mentalmente pro que vem pela frente sem surpresas.
Bom, é isso aí pessoal! Acho que cada aula é uma chance de aprender tanto quanto esses meninos aprendem comigo. E na real, ver eles se desenvolvendo assim é o melhor retorno do nosso trabalho como professor. Se tiverem outras dicas ou quiserem compartilhar suas experiências também, manda aí! Abraços!