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EF35EF15Educação Física · Ano · Ensino Fundamental - Anos Iniciais

Identificar as características das lutas do contexto comunitário e regional e lutas de matriz indígena e africana, reconhecendo as diferenças entre lutas e brigas e entre lutas e as demais práticas corporais.

LutasLutas do contexto comunitário e regional Lutas de matriz indígena e africana
CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF35EF15 da BNCC, o que a gente tá querendo é que os meninos entendam que existem várias formas de lutar e que isso não é só sair dando soco e chute por aí. A ideia é sacar que tem diferença entre lutar e brigar, que luta é uma prática cultural, com regras, história, e muitas vezes até uma filosofia por trás. A garotada precisa conseguir reconhecer essas diferenças e entender de onde essas lutas vêm, especialmente aquelas de matriz indígena e africana. Na prática, eles têm que perceber se o que estão vendo ou fazendo é um esporte, uma arte marcial ou só uma confusão. Geralmente, a gente começa puxando o gancho do que eles já vêm aprendendo nos anos anteriores, tipo respeito ao próximo, trabalho em equipe e coordenação motora.

Agora, deixa eu te contar como eu faço isso na minha turma do 4º ano. Primeira coisa, não adianta só falar. Os meninos precisam experimentar, sentir na pele o que é uma luta dentro do contexto certo. Um dia desses, a gente começou com capoeira. Olha só: pra essa atividade eu usei um vídeo simples no celular pra mostrar um pouco da roda de capoeira. A galera fica encantada com o jogo dos capoeiristas. Eu organizo eles em círculo no pátio da escola, que tem um espaço bacana. Não precisa de muito tempo não, uns 20 minutos já dá pra fazer um bocado. A maioria nunca viu uma roda de verdade, então já começo mostrando os movimentos básicos e falando das origens da capoeira, como veio com a galera africana nas senzalas. Teve um dia que o João e a Mariana ficaram imitando os movimentos fazendo piada, mas quando eu expliquei que aquilo era uma forma de resistência e luta pela liberdade, eles pararam na hora e ficaram mais respeitosos. É bem legal ver a mudança de atitude deles quando entendem o contexto.

Outra atividade bacana foi com a luta indígena chamada huka-huka. Essa dá pra fazer sem muito material: só precisa de um espaço livre mesmo. Divido a turma em pares e explico que essa é uma luta tradicional dos povos indígenas do Brasil, especialmente praticada no Xingu. Falo pra eles sobre como essa luta tem mais a ver com celebração e competição amigável do que com violência. Os meninos costumam adorar porque envolve um contato físico diferente do que eles estão acostumados. Aí deixo uns 15 minutos pra eles experimentarem e depois a gente conversa sobre o que sentiram durante a prática. Lembro de uma vez que o Pedro ficou meio receoso de entrar na brincadeira por ser mais magrinho e pequeno comparado aos outros garotos. Mas aí o Lucas chamou ele pra serem parceiros e eles acabaram se divertindo muito juntos.

A terceira atividade foi sobre diferenciar luta de briga. Pra isso, organizei uma roda de conversa com a turma toda na sala mesmo. Não precisa de material nenhum além da disposição deles pra trocar ideia. Primeiro perguntei quem já tinha visto uma briga na escola ou na rua e o que acharam daquilo. A galera sempre tem umas histórias pra contar! Depois expliquei que as lutas têm regras claras pra garantir a segurança dos praticantes e são feitas num contexto específico, muitas vezes até com juízes ou árbitros presentes. Nessa conversa eu tento levar eles a entenderem que briga não tem regra nem respeito ao outro. Uma vez o Gabriel levantou a mão e contou de um dia que viu uma briga no recreio e achou esquisito porque não parecia certo brigar "de graça", como ele disse. É esse tipo de reflexão que eu busco trazer pra eles.

O bom dessas atividades é ver como os meninos começam a perceber as lutas como algo muito além da força física ou da "porrada". Eles se interessam pelo aspecto cultural e histórico também. E a gente sabe que quanto mais informação eles tiverem desde cedo sobre essas práticas corporais, menos tendência terão em associar luta com briga ou violência sem sentido.

Então é assim que eu trabalho essa habilidade na sala com a minha turma do 4º ano: trazendo prática, conversa boa e informação contextualizada pra fazer sentido na vida deles. Espero ter conseguido passar um pouco do meu dia a dia aqui e quem sabe ajudar outros professores também! Se alguém tiver ideias diferentes ou quiser compartilhar experiências, tô por aqui!

Quando estou com a galera na sala, fico sempre de olho pra ver quem tá entendendo de verdade essa questão das lutas. Não é só pelo que respondem nas atividades, é mais pelo jeito que eles interagem com o conteúdo e entre si. Por exemplo, outro dia tava circulando pela sala enquanto o pessoal fazia uma atividade em grupo sobre as diferentes lutas e suas origens. Escutei a Júlia explicando pro Lucas como a capoeira não é só um esporte, mas também uma expressão cultural afro-brasileira. Ela usou uns exemplos da música e da dança envolvidas, e dava pra ver na cara do Lucas aquele "ah, saquei!" típico. Nesses momentos, você percebe que a mensagem tá chegando do jeito certo.

Outro sinal que me ajuda a ver se eles captaram o conceito é durante as conversas informais. Às vezes escuto um ou outro comentando no recreio coisas tipo "não, jiu-jitsu é diferente de judô por causa disso e daquilo". Se eles conseguem fazer essas distinções, é porque estão assimilando o que discutimos em aula.

Aí, claro, tem os erros comuns. O João, por exemplo, sempre confunde arte marcial com briga de rua. Ele já chegou pra mim dizendo que viu uma cena de briga num filme e ficou achando que era algo relacionado à aula. A confusão dele acontece porque ele tem aquela imagem do filme na cabeça onde soco e chute são usados sem propósito. Quando noto isso, eu paro tudo e mostro que uma arte marcial tem técnica, respeito e muita disciplina envolvida. A briga de rua é só caos.

E tem a Ana, que acha que todas as lutas são violentas e fica com medo só de ouvir falar em luta. Falta ela perceber que existem lutas mais voltadas pro autocontrole e autodefesa do que pro ataque. Com ela, tento mostrar vídeos de crianças praticando judô ou taekwondo em torneios amigáveis, onde todo mundo se respeita e segue regras rigorosas.

Quanto ao Matheus, com TDAH, tenho que adaptar o tempo das atividades pra ele conseguir acompanhar sem desanimar. Durante uma aula prática onde a gente tava explorando as posturas básicas do karatê, eu dei tarefas mais curtas pra ele, com intervalos frequentes pra mexer o corpo de outras formas. Ele precisa dessa liberdade controlada pra não perder o foco totalmente. Também uso cartões visuais com imagens das posturas que ajudam ele a saber o que precisa fazer sem esperar a explicação longa.

Já a Clara, que tem TEA, precisa de uma abordagem bem visual e estruturada. Pra ela, eu crio um quadro com imagens mostrando passo a passo das movimentações ou regras da luta do dia. Uma vez estávamos falando sobre a origem do muay thai e eu levei fotos dos diferentes movimentos numa sequência lógica. Isso ajuda ela a processar a informação no tempo dela sem ficar sobrecarregada.

Agora, falando sinceramente, nem tudo funciona sempre né? Já testei vídeo-aulas mais dinâmicas na tentativa de prender a atenção do Matheus e ele acabou se distraindo ainda mais com o movimento na tela. Então voltei pro básico: explicação direta e curta seguida de prática guiada.

Bom, é isso aí pessoal! Ensinar esses meninos sobre as diferenças nas lutas pode ser desafiador mas também muito gratificante quando você vê aquela faísca de entendimento nos olhos deles. É preciso paciência e criatividade pra lidar com os erros e adaptar o aprendizado às necessidades de cada um. Espero que essas histórias ajudem vocês aí também! E te espero nos próximos posts pra gente continuar trocando experiências. Abraço!

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