Então, pessoal, essa habilidade EF04ER05 da BNCC é bem interessante de trabalhar com os meninos do 4º Ano. Na prática, a gente quer que eles consigam identificar e entender como a religião se mistura com a arte e como isso faz parte da identidade de várias culturas ao redor do mundo. Não é só olhar uma pintura ou uma escultura e achar bonita ou esquisita, mas é entender o porquê dela existir daquele jeito, o contexto, sabe? Olha só, por exemplo, quando a gente fala de uma igreja em estilo gótico, com aqueles vitrais coloridos e torres bem altas, o aluno precisa conseguir reconhecer que aquilo é uma forma de expressão religiosa e parte da história e cultura daquela comunidade. Eles vêm pro 4º Ano já conhecendo algumas histórias bíblicas e mitos de outras culturas, então a gente aproveita esse conhecimento pra aprofundar a conversa sobre arte religiosa.
Agora, sobre as atividades que faço em sala, tem uma que gosto muito e que sempre dá certo. Eu preparo um “tour virtual” com imagens projetadas na lousa de diferentes expressões artísticas religiosas: mostro templos famosos como a Catedral de Notre-Dame, as pirâmides do Egito, esculturas budistas e até pinturas de Michelangelo na Capela Sistina. Não precisa de muito mais além de um projetor e acesso à internet. Divido a turma em grupos pequenos e dou a cada um deles a missão de discutir entre si o que enxergam naquelas imagens e o que acham que elas significam. Aí, olha que legal, cada grupo depois vem à frente compartilhar suas ideias com o resto da turma. Leva uma aula inteira fácil, mas é muito enriquecedor ver como eles se envolvem. Da última vez que fiz essa atividade, o Joãozinho ficou super empolgado falando das pirâmides do Egito como lugar de descanso para os faraós e todo o simbolismo que os egípcios colocavam ali por causa da sua religião.
Outra atividade que faço é um debate em sala sobre símbolos religiosos que encontramos no nosso cotidiano. Antes do debate, peço pra eles pesquisarem em casa sobre símbolos religiosos que conheçam ou já tenham visto por aí – pode ser uma cruz, um yin-yang, o Om do hinduísmo, enfim. Na aula seguinte, organizo eles em círculo (uso as carteiras pra isso) pra poderem se ver melhor e começamos o debate. É interessante como alguns se sentem meio tímidos no começo, mas logo a coisa flui. Da última vez, a Mariazinha trouxe uma foto de um colar com um crucifixo que ela viu na casa da avó e começou a explicar pros colegas o significado dele. Ela mesmo ficou surpresa quando percebeu que sabia mais sobre o simbolismo do que pensava! O debate geralmente leva uns 45 minutos e depois fazemos um fechamento juntos sobre o que foi discutido.
E tem também aquela atividade clássica de produção artística individual. Depois de estudar todas essas manifestações religiosas na arte, dou pra eles uma folha grande de papel e alguns materiais simples como lápis de cor e canetinhas. A tarefa deles é criar sua própria representação artística inspirada em algo religioso. Não precisa ser algo que eles seguem ou acreditam, mas algo que tenham achado interessante nas aulas anteriores. Bom, aí cada um solta a criatividade! Da última vez que fizemos isso, o Pedrinho desenhou um templo japonês com um jardim zen ao redor – tudo bem detalhado! Ele explicou que gostou da calma e serenidade que aquelas imagens passavam pra ele.
O mais legal dessas atividades é ver como eles percebem que religião não é só uma questão de fé ou doutrina, mas também está ligada à arte e à cultura das pessoas pelo mundo todo. Acho importante trazer essas discussões pra dentro da sala porque ajudam os meninos a desenvolverem respeito e compreensão pelas diferenças culturais e religiosas que existem por aí. E olha, quando mostro pra eles essas representações religiosas em diferentes expressões artísticas, não estou só ensinando religião; estou ensinando história, cultura e até um pouquinho de arte, tudo junto!
Enfim, essas são algumas das formas como eu tenho trabalhado essa habilidade com os meninos do 4º Ano. Espero que essas ideias possam ajudar outros professores aqui no fórum também! Se alguém tiver outra sugestão ou quiser compartilhar como faz na sua escola, vou adorar saber! Até mais!
significa mais do que só uma construção bonita. Aquelas torres apontando pro céu têm um significado religioso, uma intenção de estar mais próximo de Deus. E os vitrais, além de deixarem a luz entrar de forma colorida, também contam histórias bíblicas pra quem não sabia ler na época em que foram feitos.
Aí, pra saber se os meninos pegaram a ideia, eu fico de olho no dia a dia da sala. Quando tô circulando entre as mesas, observando as conversas entre eles ou até mesmo prestando atenção quando um aluno explica algo pro colega. Por exemplo, teve um dia que eu tava passando pelas duplas e ouvi a Sofia falando pro Pedro sobre uma pintura do Michelangelo. Ela falou algo tipo "Olha, não é só um cara pintando teto, é a história da criação do mundo segundo a Bíblia! Tá vendo as mãos? Aquilo é Deus criando o homem!" Na hora eu pensei "Ah, essa entendeu direitinho o que eu queria passar". Outro dia percebi que o João tava concentrado desenhando no caderno e quando perguntei o que era, ele explicou todo empolgado que era uma mandala inspirada em arte budista e falou um pouco sobre como as cores representam coisas diferentes. Esse tipo de coisa é sinal claro de que eles tão internalizando o conteúdo.
Mas claro, nem tudo são flores. Os erros aparecem, e alguns são bem comuns. Por exemplo, o Lucas às vezes confunde tudo e acha que qualquer obra antiga tem a ver com religião. Uma vez ele achou que uma pintura sobre mitologia grega era religiosa no mesmo sentido que uma pintura da Santa Ceia. Aí tive que sentar com ele e explicar a diferença entre mitologia e religião como sistemas de crença e prática. Outra situação foi com a Ana, que misturou influências culturais e religiosas de forma errada. Ela disse que todas as igrejas católicas eram iguais ao templo budista que mostramos, porque ambas têm estátuas. Isso acontece porque é fácil ver semelhanças na estética e esquecer o contexto cultural por trás. Quando esses erros surgem na hora, paro tudo e tento explicar ali mesmo antes que vire confusão na cabeça deles.
E agora falando um pouco dos alunos com necessidades especiais, tem o Matheus com TDAH e a Clara com TEA na turma. Com o Matheus, eu procuro quebrar as atividades em partes menores e dar intervalos mais frequentes pra ele não perder o foco. Por exemplo, se estamos fazendo uma atividade de desenho ou colagem, divido em etapas: primeiro escolhemos a imagem, depois trabalhamos nas cores e por último colamos tudo num cartaz. Outra coisa que funciona é deixar ele movimentar um pouco entre essas etapas. Já tentei usar fones de ouvido com música tranquila pra ele se concentrar melhor, mas isso não deu muito certo porque ele se distraiu mais ainda tentando acompanhar a música.
Com a Clara, que tem TEA, o desafio é diferente. Preciso ser bem claro nas instruções e usar bastante apoio visual. Uma vez fizemos cartões com imagens das obras que íamos estudar junto com ícones das religiões correspondentes, isso ajudou muito ela a entender melhor o conteúdo sem se perder nos detalhes verbais. Algumas vezes ela fica bem focada em detalhes específicos e ignora o restante; então às vezes tenho que lembrá-la gentilmente pra olhar pro quadro todo e não só pras partes dele. Uma coisa que não deu certo foi tentar usar dinâmicas em grupo sem adaptá-las antes – ela ficava nervosa com a confusão dos grupos grandes, então passei a fazer atividades em duplas ou trios onde ela se sente mais confortável.
Bom pessoal, é isso aí por hoje! Trabalhar essas habilidades não é fácil, mas ver os meninos entendendo e se interessando por esse mix cultural-religioso é gratificante demais. Espero ter ajudado compartilhando um pouco da minha experiência aqui com vocês. Vamos nos falando! Abraço!