Olha, quando eu penso na habilidade EF06ER02 da BNCC, a primeira coisa que vem à mente é o quanto é importante os meninos reconhecerem e valorizarem as diferentes formas de fé e pensamento que existem por aí. Na prática, isso quer dizer que eles precisam aprender não só sobre o Cristianismo, que é algo que muitos já conhecem de casa ou da igreja, mas também sobre outras religiões como o Budismo, o Islamismo, o Judaísmo, e por aí vai. O objetivo é que eles consigam ler, entender e respeitar os textos sagrados de cada uma dessas tradições. E isso, meu amigo, não é só ficar lendo texto em sala de aula, não! É saber que tem um monte de jeito diferente de ver o mundo e que todos merecem respeito.
No quinto ano, muitos alunos já têm uma noção básica do que é religião e algumas histórias bíblicas, por exemplo. Aí no sexto ano a gente começa a ampliar esse horizonte. A ideia é sair do "eu sei" para o "eu entendo" e daí para o "eu respeito". E, olha, quando eles percebem que existem várias maneiras de ver o mundo, isso muda tudo. A galera começa a ficar mais aberta, mais curiosa.
Agora vou contar como faço isso na prática com três atividades que sempre dão certo por aqui.
A primeira atividade é o "Dia dos Textos Sagrados". Eu trago alguns trechos curtos de textos religiosos diferentes — tipo assim, uma página do Gênesis da Bíblia, um poema do Rigveda do Hinduísmo, um trecho do Alcorão, e por aí vai. Imprimo tudo de forma bem simples e distribuo em grupos. Divido a turma em grupos de cinco ou seis alunos e dou para cada grupo um texto diferente. Eles têm uns 20 minutos para ler juntos e anotar coisas que acharam interessantes ou diferentes do que já conheciam. Depois disso, cada grupo apresenta para a turma as suas descobertas.
Na última vez que fizemos essa atividade, a Sofia ficou impressionada com um trecho do Alcorão que fala sobre a criação do mundo. Ela nunca tinha lido nada do Islã antes. E o Pedro descobriu que os hindus têm muitos deuses e achou isso muito curioso porque ele só conhecia a ideia de um Deus único. A ideia aqui é abrir a mente deles pro fato de que há uma rica diversidade cultural e religiosa no mundo.
A segunda atividade é uma roda de conversa chamada "Religiões ao Redor do Mundo". Para essa atividade, eu peço para os alunos trazerem alguma informação ou objeto relacionado a uma religião ou filosofia de vida que eles pesquisaram em casa ou perguntaram para alguém da família. Aí vem tudo: imagens de deuses hindus, terços católicos, livros espíritas e até mandalas budistas. Cada aluno tem uns 3 minutos para apresentar o que trouxe e compartilhar algo interessante sobre isso.
Geralmente essa atividade leva umas duas aulas pra terminar porque a turma é grande e todo mundo quer compartilhar alguma coisa. Na última vez que fizemos isso, a Juliana trouxe uma pequena estátua de Buda que o avô dela tinha comprado numa viagem à Tailândia. Ela contou um pouco sobre como o Budismo valoriza a paz interior e foi legal ver como os outros alunos realmente ouviram com atenção. Até o João, que normalmente fica conversando no fundo da sala, fez perguntas!
A terceira atividade se chama "Escrevendo Nossa Própria História Sagrada". Nessa eu peço para os meninos criarem um pequeno texto sagrado fictício. Eles precisam escrever uma história ou um conjunto de regras para uma religião inventada por eles. A turma trabalha em duplas para isso e tem uma aula inteira (uns 50 minutos) pra bolar suas ideias.
É incrível ver como eles se empolgam. Da última vez, o Lucas e o Gabriel criaram "A Religião dos Jogos", onde um grande jogador ensina aos seus seguidores sobre trabalho em equipe e estratégia. Eles até trouxeram algumas regras éticas para essa religião imaginária! Foi hilário e ao mesmo tempo muito criativo. E no fim das contas eles percebem como as histórias sagradas servem para ensinar valores importantes.
No final dessas atividades todas, sempre rola uma discussão sobre como foi tudo e o que cada um aprendeu. Isso ajuda os meninos a refletirem sobre suas próprias crenças e o lugar delas num mundo cheio de diversidade. O mais bacana é ver como essas atividades ajudam na construção do respeito pelo outro.
Então é isso, pessoal! Espero que essas ideias ajudem vocês aí na sala de aula também. Se alguém tiver outras sugestões ou histórias pra compartilhar, estou sempre por aqui!
Então, continuando o papo sobre a habilidade EF06ER02... Olha, perceber que o aluno aprendeu mesmo sem uma prova formal é um exercício de observação constante. Vou te contar como faço isso no dia a dia. Sabe aquele momento que você tá andando pela sala, olhando os cadernos e escutando as conversas? É ali que muita coisa acontece. Outro dia mesmo, estava passando pelas mesas quando escutei a Ana explicando pro João sobre como o Budismo valoriza a meditação e a compaixão. E ela falava com tanta convicção, como se estivesse contando uma história incrível pra ele. Foi ali que pensei: "Ah, ela entendeu!"
Outra situação foi com o Lucas. Ele tava debatendo com a galera sobre como as festas do Judaísmo são cheias de significado e tradição. Eu via ele gesticulando e ouvindo os colegas atentamente, isso mostrou que ele não só compreendeu, mas também conseguia se expressar e argumentar sobre o tema. Esses momentos são valiosos pra mim, porque mostram que os alunos não estão só decorando informações; eles estão incorporando esse conhecimento.
Agora, falando dos erros comuns, isso também faz parte do aprendizado. A Maria, por exemplo, confundiu outro dia os conceitos do Islamismo com o Hinduísmo. Ela começou a falar sobre o Alcorão e, do nada, mencionou algo sobre reencarnação. Aí tive que intervir e perguntar: "Maria, você tá juntando duas religiões diferentes aí, né?" Ela riu e logo percebeu o deslize. Isso acontece porque muitas vezes eles ainda estão tentando encaixar as peças do quebra-cabeça espiritual que é entender várias religiões ao mesmo tempo. Quando pego esses erros na hora, procuro sempre fazer uma pergunta que leve eles mesmos a perceberem onde foi que erraram.
Agora sobre lidar com o Matheus que tem TDAH e a Clara que tem TEA... São dois alunos incríveis, mas cada um com suas necessidades diferentes. Pro Matheus, é importante manter tudo bem dinâmico. Ele se distrai fácil, então nas minhas atividades sempre tento incluir algo que ele possa mexer ou fazer. Uma vez fizemos um mapa mental das religiões usando cartões coloridos para representar cada uma delas. O Matheus adorou poder se levantar e organizar os cartões na mesa. Isso ajudou a manter ele focado e envolvido.
Já a Clara precisa de uma abordagem diferente. Ela gosta de previsibilidade e às vezes se sente sobrecarregada com muita informação ao mesmo tempo. Com ela, funciona bem usar histórias em formato de quadrinhos sobre as diferentes religiões. Ela adora ler assim porque é tudo muito visual e organizado em pequenas partes sequenciais. Uma vez tentamos fazer uma atividade de grupo grande e não foi legal pra ela; percebi que ficou incomodada com tanto barulho e movimento. Então agora procuro sempre dar a opção dela trabalhar em grupos menores ou até sozinha se ela preferir.
Além disso, dou sempre um tempo extra pra Clara finalizar suas atividades e estou sempre atento pra ver se ela não tá ficando perdida durante as explicações. Com o Matheus, também estabelecemos pequenos intervalos durante as aulas pras atividades mais longas; assim ele pode dar uma voltinha rápida pela sala e depois voltar mais concentrado.
Bom, é isso aí galera! Cada aluno é único e entender as necessidades de cada um faz toda diferença na hora de ensinar algo tão abrangente como o Ensino Religioso. Espero ter ajudado vocês a pensar em novas formas de observar e interagir com os alunos aí na escola de vocês! Qualquer coisa, tô por aqui pra gente continuar trocando ideias!
Um abraço!