Oi pessoal! Hoje vim aqui falar sobre como trabalho a habilidade EF02LP13 na minha turma do 2º Ano. Pra quem tá começando agora, essa habilidade é sobre planejar e produzir bilhetes e cartas, tanto em papel como digital. Na prática, isso significa que os alunos precisam conseguir escrever um texto pensando em quem vai ler, sobre qual assunto estão escrevendo e por que estão escrevendo. O foco é a escrita autônoma e compartilhada.
No segundo ano, os meninos já vêm com uma noção básica de letras, formação de palavras e algumas frases. Eles já sabem fazer listas de compras, por exemplo, que é uma coisa que a gente fez muito no primeiro ano. Então, quando chegam no segundo ano, a ideia é trazer mais complexidade: eles não só fazem uma lista, mas escrevem um bilhete pra mãe pedindo pra ela comprar alguma coisa específica do mercado ou escrevem uma carta pro amiguinho contando o que fizeram nas férias.
Agora vou contar três atividades que eu costumo fazer pra trabalhar essa habilidade com eles:
Primeira atividade: Bilhetes para amigos Essa é uma das favoritas da turma. Eu levo folhas de papel colorido pra dar uma animada e divido a sala em duplas. Cada dupla tem que escrever um bilhete pro colega da dupla. Aí a gente fala sobre o que pode ser um bilhete: dar um recado, convidar pra brincar, perguntar algo... aí cada um escreve seu bilhete e depois trocam entre si. Em uma aula de 50 minutos dá pra fazer tranquilo. Da última vez que fizemos, o Pedro escreveu um bilhete perguntando pro João se ele queria trocar figurinhas de futebol na hora do recreio. O João ficou todo empolgado e respondeu que sim, claro! Aí foi engraçado porque o Pedro esqueceu as figurinhas em casa, mas já valeu pela troca de recados!
Segunda atividade: Cartas para um autor Essa eu já faço mais próximo do fim do ano. A gente escolhe um livro que todos já leram (normalmente um livro pequeno de historinha) e cada um escreve uma carta pro autor do livro. Eu trago envelopes e folhas pautadas pra eles. A turma fica em círculo e a gente conversa sobre o que achamos do livro, qual personagem gostamos mais... O legal é ver como cada um expressa sua opinião! Depois eles escrevem suas cartas e colocam nos envelopes com o nome do autor (mesmo sem endereçar de verdade). É mais extenso, leva umas duas aulas de 50 minutos. No ano passado, a Ana escreveu pro autor dizendo que adorou o personagem principal porque ele era corajoso como ela! E perguntou se ele tinha outros livros com aventuras legais assim.
Terceira atividade: Mensagens digitais para a família Como hoje em dia tudo é muito digital, achei importante incluir uma atividade nesse formato. Pra essa atividade uso tablets da escola ou até celulares dos próprios pais (quando possível). Cada aluno escreve uma mensagem digital pros pais ou responsáveis contando alguma coisa legal que aconteceu na escola naquela semana. A gente faz isso em grupos pequenos pra facilitar o uso dos aparelhos. Em uma aula já conseguimos terminar. Os meninos adoram porque eles sabem que os pais vão ler na mesma hora! Na última vez, a Júlia mandou uma mensagem toda empolgada contando que foi escolhida pra ser monitora do grupo de leitura e até tiramos foto dela pra mandar junto! Teve pai respondendo imediatamente todo orgulhoso.
Essas atividades ajudam muito os alunos a entenderem que a escrita tem função prática no dia a dia e podem ser adaptadas de várias formas conforme o interesse da turma vai mudando ao longo do ano. A prática contínua faz com que eles ganhem confiança na escrita e também na capacidade de se expressar para diferentes pessoas e situações. Claro que tem dias que sai tudo meio bagunçado, mas faz parte do aprendizado!
E aí, galera? Como vocês têm trabalhado essas habilidades nas turmas de vocês? Sempre bom trocar ideias!
Oi pessoal! Continuando sobre a habilidade EF02LP13, uma coisa que me ajuda muito a perceber se os meninos aprenderam é ficar de olho neles durante as atividades. Olha, tem uns sinais que são bem claros. Tipo, quando tô circulando pela sala e vejo a Marcela explicando pro Joãozinho como ela escolheu as palavras pra começar a carta dela, eu já fico com aquele sentimento de “opa, tá começando a entender”. Aí, quando um aluno consegue perguntar pro colega se ele recebeu o bilhete e o colega responde que sim e ainda comenta algo sobre o que leu, é mais um sinal de que eles estão pegando a ideia de comunicação que a habilidade pede.
Outra situação que eu acho sensacional é quando eles estão lá, concentrados, e você ouve aquela conversa entre um e outro: “Ei, você acha que minha mãe vai entender o que eu quis dizer aqui?” ou “Acho que preciso explicar melhor isso pro meu avô”. Isso mostra que eles tão pensando no leitor e no propósito do que tão escrevendo. É bem legal ver como vão se desenvolvendo e aplicando o que aprendem de forma natural.
Agora, falando dos erros comuns... Ah, os meninos têm bastante. Um erro clássico é não pensar em quem vai ler o texto. O Pedrinho, por exemplo, uma vez escreveu uma carta pro amigo como se estivesse escrevendo um bilhete pra professora. Ele usou umas palavras mais formais, nada a ver com uma conversa entre amigos. Aí eu expliquei pra ele: "Pedrinho, imagina que você tá falando mesmo com seu amigo, como você conversaria com ele?" E ele entendeu na hora.
Outro erro é esquecer de colocar informações importantes. A Ana Clara escreveu um bilhete pra mãe pedindo pra trazer um livro da biblioteca, mas não disse qual livro era. Aí você precisa dar aquele toque: "Ana Clara, pensa se fosse sua mãe lendo isso. Ela ia saber qual livro você quer?" Esses erros acontecem porque ainda estão aprendendo a se colocar no lugar do outro e pensar em todos os detalhes.
E quando vejo esses erros na hora, tento sempre conversar com eles individualmente ou em pequenos grupos. Faço umas perguntas pra eles pensarem nas soluções e muitas vezes eles mesmos encontram o caminho certo. É bacana porque dessa forma eles vão construindo confiança pra corrigir os próprios textos.
Sobre o Matheus e a Clara, olha, cada um tem seu jeitinho especial e suas necessidades. O Matheus, com TDAH, precisa de um ambiente mais estruturado. Então procuro dar instruções bem claras e dividir as atividades em partes menores. Ele também se dá melhor quando tem alguma coisa prática pra fazer junto, tipo recortar revistas pra achar palavras ou usar fichas de letras pra montar frases. E tem o tempo também: deixo ele fazer pausas curtas durante as atividades pra não perder a concentração.
Já com a Clara, que tem TEA, uso muitos visuais. Ela responde super bem a cartões com imagens e palavras-chave que ajudam na hora de planejar o texto. Também uso quadros de rotina visual pra ela saber o que vem depois e isso dá mais segurança pra ela se organizar. O desafio com a Clara foi descobrir como ela gosta de trabalhar em grupo sem se sentir pressionada demais. Então às vezes deixo ela escolher se quer trabalhar sozinha ou em dupla.
Uma coisa legal foi quando fizemos uma atividade onde cada aluno precisou escrever uma carta coletiva da turma. Deixei a Clara desenhar enquanto ouvia as ideias dos colegas e depois ela contribuiu com frases dela pras ilustrações correspondentes. Funcionou bem porque ela se sentiu parte do grupo sem ter que falar muito em frente aos outros.
Agora uma coisa que não funcionou foi tentar fazer uma atividade longa de escrita sem pausas com o Matheus. Achei que ele tava bem tranquilo naquele dia mas foi só passar dos 20 minutos que ele já começou a se mexer sem parar. Aprendi que preciso mesmo respeitar os limites dele.
Bom pessoal, é isso por hoje! Espero que essas histórias ajudem vocês a pensar em estratégias de ensino aí nas suas salas também. Vamos juntos nessa jornada! Até mais!