Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF02LP19 da BNCC, o que estamos vendo na prática é ensinar os meninos a criarem notícias para um jornal falado. Não é só escrever por escrever, mas sim pensar em como contar uma história de verdade, que faça sentido pras outras crianças ouvirem. A ideia é que eles planejem e escrevam juntos, com a nossa ajuda, claro. Aí a gente grava ou produz em vídeo. O grande lance aqui é desenvolver essa capacidade de comunicação deles, fazendo com que entendam como funciona uma notícia e qual a importância de comunicar bem. Eles já vêm do 1º ano sabendo um pouco sobre as letras e as palavras, mas agora é hora de juntar tudo isso pra contar algo interessante pros outros.
Bom, vou contar como faço isso na minha turma do 2º ano. Primeiro, o básico: a gente começa sempre com alguma rodada de conversa sobre notícias do dia a dia. Pergunto se alguém ouviu algum acontecimento legal na escola ou no bairro. Isso faz a turma entrar no clima e perceber que notícia tá em todo lugar, não só na TV. Da última vez que fizemos isso, o Pedro contou todo animado que tinha um cachorro novo na rua e que ele tinha "salvado" um gatinho preso numa árvore! Aí já começamos bem, porque todo mundo ficou interessado.
A primeira atividade prática que faço é a "Roda de Notícias". Uso apenas papel e caneta ou lápis, nada muito elaborado. Divido a turma em pequenos grupos, geralmente quatro ou cinco alunos. Cada grupo tem a tarefa de escolher um "fato" que gostariam de transformar em notícia. Dou uns 15 minutos pra escolha e discussão do tema. Aí chegam pro professor querer saber se tá bom ou não. Na última vez, a Júlia achou que um piquenique que fizeram entre primos era super noticiável! Encorajo essa espontaneidade e explico como seria transformar isso numa notícia pra outras crianças ouvirem. Depois disso, dou uns 30 minutos pra eles planejarem o que vão falar: quem vai falar o quê, qual é o começo, meio e fim da notícia.
Outra atividade bacana é o "Repórter por um Dia". Aqui a gente tira um tempinho maior - uma aula inteira - porque envolve gravação com o celular mesmo (da escola ou dos próprios alunos). Antes disso, discutimos como é ser um repórter, quais perguntas devemos fazer para investigar uma notícia. Eles adoram bancar os repórteres! No dia da atividade, cada aluno tinha um papel: enquanto uns escreviam as perguntas e respostas baseadas no planejamento anterior, outros gravavam. Na última vez que fizemos isso, o Lucas foi muito bem como cameraman! Ele ficava todo empolgado dizendo "corta", igual viu na televisão. A galera se diverte muito.
Por fim, tem também o "Jornal da Sala", onde realmente montamos um pequeno jornal falado pra ser apresentado pra outra turma ou até pros pais quando possível. É uma atividade de culminância pra fechar essas semanas de trabalho com chave de ouro. Nessa atividade, uso cartolina e canetinhas pra fazer banners e pôsteres do nosso jornalzinho. Podemos também usar algum aplicativo simples no tablet da escola pra editar vídeos ou áudios gravados anteriormente. Cada grupo apresenta sua parte da notícia e no final juntamos tudo num único áudio ou vídeo. Lembro quando a Ana ficou morrendo de vergonha de falar na frente de todo mundo numa dessas apresentações. Mas aí o Davi deu aquele apoio moral típico: "Vai lá Ana, você consegue!" E ela foi! Esses momentos são legais porque mostram crescimento deles.
Os meninos reagem muito bem a essas atividades porque não ficam só na teoria: eles veem seus projetos ganharem vida, seja numa folha de papel ou numa gravação toda caseira mas cheia de empenho. Além disso, eles aprendem a importância do trabalho em equipe e começam a entender que cada um tem sua própria voz e espaço num projeto conjunto.
Acho essencial trazer esses momentos práticos pro cotidiano dos meninos porque isso não só ajuda eles a desenvolverem habilidades específicas que a BNCC pede, mas também faz com que se sintam mais confiantes em suas capacidades comunicativas. No final das contas, vê-los felizes ao participar dessas atividades é o mais gratificante pra qualquer educador.
Bom pessoal, espero que essas ideias ajudem quem tá começando ou procurando novas formas de trabalhar essa habilidade tão bacana da BNCC com os pequenos. Bora lá ensinar essa galerinha a comunicar suas histórias!
Aí, então, como é que eu percebo que a turma tá pegando o jeito dessa habilidade sem precisar dar uma prova formal? Bom, é tudo na observação do dia a dia mesmo. Quando eu tô circulando pela sala, vejo como os meninos estão se envolvendo nas atividades. Se eu percebo que eles tão ali, discutindo entre eles sobre o que colocar no texto da notícia, é um sinal de que estão entendendo. Sabe aquele momento em que um ajuda o outro? Tipo, outro dia, o Lucas tava meio perdido sobre como começar a notícia. Aí a Sofia veio e disse: "Olha, você precisa pensar no que aconteceu primeiro pra depois contar o resto." Naquela hora, eu pensei: "Ah, essa entendeu direitinho!"
E tem também quando a gente ouve as conversas deles. Às vezes, tô ali no canto da sala, só de ouvido ligado, e escuto uns papos ótimos. Teve uma vez que o João e o Pedro tavam debatendo se uma palavra cabia ou não no título da notícia deles. O Pedro dizia que não tava claro o suficiente e o João insistia que deixava curioso. Esse tipo de discussão mostra que eles tão pensando na audiência, na clareza e no objetivo da notícia. Pra mim é um baita indicativo de aprendizado.
Agora, claro, nem tudo são flores, né? Tem uns erros comuns que aparecem muito quando eles começam a trabalhar nesse conteúdo. Por exemplo, a Mariana tem mania de querer contar tudo de uma vez só. Ela começa a notícia pelo meio da história e só depois lembra de explicar o começo. Eu já expliquei pra ela: "Mariana, a gente precisa primeiro contar o que aconteceu pra depois explicar os detalhes." Acho que isso acontece porque às vezes elas ficam muito empolgadas com o tema e querem colocar tudo de uma vez.
Outro caso comum é com o Felipe. Ele sempre esquece de quem tá ouvindo a notícia. Ele escreve só pro pessoal da sala dele entender e esquece que quem vai ouvir pode não saber do que se trata. Então, eu sempre falo: "Felipe, quem vai ouvir essa notícia pode não saber de nada disso ainda. Explica direitinho!" São coisas assim que a gente pega na hora e já tenta corrigir ali mesmo.
E aí tem o Matheus e a Clara, né? Cada um com suas necessidades especiais e suas formas de aprender. Com o Matheus, que tem TDAH, precisei ajustar algumas coisas nas atividades. Eu percebi que ele se dispersa fácil quando precisa ficar muito tempo numa mesma tarefa. Então, divido as atividades em etapas menores pra ele conseguir acompanhar melhor. Uso cronômetro às vezes pra ele ter noção do tempo e ajudo a manter o foco com lembretes visuais no caderno dele.
Já com a Clara, que tem TEA, é um pouco diferente. Descobri que ela trabalha melhor quando tem um roteiro visual do que precisa fazer. Então faço cartazes simples com imagens mostrando cada passo das atividades. Também tento sempre deixar as instruções bem claras e objetivas pra ela não ficar perdida no meio das palavras.
Algo que não funcionou com a Clara foi quando tentei fazer ela trabalhar em dupla sem uma preparação prévia. Faltou combinar mais antes sobre como seria essa interação e ela acabou ficando desconfortável. Depois disso passei a fazer combinações antes de partir pras duplas ou grupos.
Bom pessoal, acho que é isso. Espero ter conseguido passar um pouco do meu dia a dia e das estratégias que uso na sala com essa habilidade EF02LP19. Se alguém tiver mais dicas ou quiser compartilhar suas experiências também, tô aqui pra ouvir! Fiquem à vontade pra comentar ou perguntar qualquer coisa. A gente se vê por aqui!