Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF03LP11 da BNCC, a ideia é que os meninos consigam ler e entender textos que dão instruções, né? Tipo receitas, manuais de brinquedos, instruções de jogos. Então, é fazer com que eles sejam capazes de seguir uma receita de bolo, por exemplo, ou montar um brinquedo só lendo o manual. O lance é que eles precisam identificar e entender bem aqueles verbos no imperativo, como "misture", "recorte", "cole", e também perceber a ordem das coisas, os passos que têm que seguir. Além disso, esses textos muitas vezes têm imagens, diagramas, setas e tudo isso ajuda na compreensão, então é importante que eles aprendam a usar esses recursos também.
A turma já vem do segundo ano com uma base de leitura legal, então o desafio agora é mais essa autonomia em entender e executar as instruções sozinhos. No ano anterior, eles já trabalhavam com compreensão de textos narrativos e descritivos, então meu trabalho é fazer essa transição pra um tipo de texto mais funcional. O texto injuntivo é mais prático do dia a dia deles.
Uma atividade que eu gosto muito de fazer é a "Receita do Sanduíche Maluco". É bem simples. Eu levo os ingredientes de um sanduíche básico — pão, presunto, queijo, alface, tomate — e um ingrediente surpresa, tipo geleia ou chocolate. Entrego uma receita impressa para cada aluno com os passos para montar o sanduíche. Divido eles em duplas ou trios pra incentivar o trabalho em grupo. Eles têm meia hora pra ler e montar o sanduíche conforme as instruções. No início, geralmente tem aquela bagunça gostosa — tipo a Júlia começar a colocar o recheio antes do pão ou o Pedro passar manteiga no lugar errado. Mas aí a gente para tudo e vai passo a passo: "Vamos ler juntos o primeiro passo? O que tá pedindo aqui?" Eles adoram essa atividade porque no final ainda podem comer o sanduíche que fizeram. E sempre tem boas risadas quando alguém descobre que passou geleia em vez de maionese!
Outra coisa que faço é um pequeno projeto de montagem de origami. Trago alguns papéis coloridos e manuais simples de dobraduras fáceis — tipo coração, cachorro e barquinho. Cada aluno escolhe um manual e segue as instruções. A galera adora porque os papéis são coloridos e eles ficam super concentrados tentando acertar as dobras. Dá pra ver na cara deles a satisfação quando conseguem concluir uma forma legal. Uma vez o Lucas conseguiu dobrar um barco quase perfeito e saiu mostrando pra todo mundo. Como cada origami tem uns cinco passos, geralmente essa atividade leva uns 40 minutos.
Por último, tem uma atividade que sempre rende bons momentos: um jogo de tabuleiro com regras em português. Escolho jogos simples como "Damas" ou "Jogo da Velha", mas trago as regras impressas pra turma ler antes de jogar. Primeiro lemos as regras juntos em voz alta e depois deixo eles jogarem em duplas. Essa atividade ajuda eles a entenderem como seguir regras escritas pra conseguir jogar um jogo corretamente. O legal é que alguns já chegam sabendo como jogar, mas não como explicar as regras pros outros — aí entra a leitura das instruções pra nivelar todo mundo. Lembro uma vez da Mariana tentando explicar o jogo da velha pro João só pela leitura das instruções e vendo ele finalmente entender foi super bacana.
Essas atividades são maneiras legais de trabalhar a autonomia na leitura desses textos instruccionais porque fazem parte do cotidiano deles. Afinal, quem nunca tentou seguir uma receita ou montar algo novo? Eles sentem esse gostinho de independência quando percebem que conseguem fazer as coisas sozinhos seguindo as instruções dos textos. E isso dá confiança pra enfrentar outros tipos de texto mais complexos no futuro.
Então é isso pessoal! Espero que essas ideias possam ajudar vocês também aí na sala de aula! Abraços!
Aí, continuando sobre a habilidade EF03LP11. Uma coisa que eu percebo que o aluno aprendeu mesmo é quando ele começa a usar o que leu na prática, sem nem perceber. Tipo, na hora que eu tô circulando pela sala e eles estão em grupos montando um brinquedo com peças de encaixe. Se o Joãozinho pega o manual e lê em voz alta pros colegas e depois já vai direto colando as peças como tá lá, é sinal de que ele tá entendendo. E é tão legal ver quando um aluno ajuda o outro! Tinha uma situação em que a Ana tava meio perdida na receita que a gente tava fazendo, aí a Bia chegou e falou: "Ana, olha aqui, não é só misturar, tem que mexer até ficar homogêneo", e mostrou a figura no texto.
Outra coisa é ouvir as conversas deles. Teve um dia que tava passando pelos grupos e o Pedro explicou pra Mariana como usar a tesoura direitinho no lugar certo só porque leu assim no manualzinho que eu tinha dado pra eles montarem uma pipa. Essa parte das conversas é muito rica porque eu consigo ver se eles realmente sacaram a ideia ou se tão só indo no automático.
Mas olha, os erros acontecem bastante também. O Lucas, por exemplo, sempre confunde os verbos no imperativo com os no infinitivo. Eles têm uma sonoridade parecida, ele acaba falando "corte" no lugar de "cortar". Isso acontece porque num texto de instrução os verbos têm um papel super importante, né? Então, quando percebo erro assim, já dou uma paradinha e explico: "Ei, Lucas, aqui é pra você FAZER a ação agora mesmo, por isso 'corte', entendeu?". E quando dá tempo coloco algum desenho ou faço um gesto pra ajudar também.
E quando a galera perde a ordem dos passos? Nossa, isso é comum. A Júlia sempre começa pelo meio da receita porque acha mais fácil. Eu falo para ela: "Ju, tenta seguir a setinha aqui" e mostro no texto onde tá o começo e o fim da sequência.
Agora vamos falar do Matheus e da Clara. Bom, com o Matheus que tem TDAH, a questão principal é mantê-lo engajado e focado. Eu faço adaptações nas atividades pra serem mais curtas e variáveis. Às vezes uso cartões coloridos com instruções bem simples e claras e vou dando por etapas para não sobrecarregar. Outra coisa é deixar que ele se movimente um pouco mais pela sala quando achar necessário. Ele tem um timer visual de ampulheta que ajuda a gerenciar melhor o tempo que fica numa atividade específica.
Com a Clara que tem TEA, o grande lance é simplificar as instruções e usar muito suporte visual. As atividades dela têm sempre uma ilustração bem clara ao lado do texto. Também tento manter a rotina no máximo possível porque sei que mudança brusca pode atrapalhar. Ah, ela tem uma prancheta com símbolos que ajudam na compreensão das etapas. Uma vez fizemos um exercício em dupla onde ela e outra colega tinham que montar um quebra-cabeça seguindo instruções bem específicas num papel com diagramas coloridos. Foi ótimo ver como ela conseguiu interagir.
O que não funcionou foram aquelas atividades muito abertas, tipo "crie suas próprias instruções". Matheus rapidamente perdia o foco e precisava de mais estrutura; já com Clara era visível que ficava confusa sem um passo-a-passo claro.
Aí é isso, pessoal! É um desafio diário adaptar essas práticas pra todos os alunos na sala de aula, mas ver eles entendendo e aplicando mesmo o que aprenderam não tem preço! E vocês? Como lidam com essas situações nas suas escolas? É sempre bom trocar ideias por aqui! Valeu quem leu até aqui! Abraço!