Olha, essa habilidade EF03LP19 da BNCC, no dia a dia, é sobre a gente ajudar os meninos a entenderem como a publicidade usa algumas artimanhas pra convencer a gente. Tipo assim, quando eles veem uma propaganda, precisam sacar que as cores, as imagens, o tipo de letra e até as palavras escolhidas têm um propósito. A ideia é que eles consigam perceber que não é só beleza ou enfeite, mas sim uma maneira de influenciar a gente a querer comprar algo ou acreditar numa ideia. E claro, isso se conecta com o que eles já viram nas séries anteriores sobre textos e imagens. Já aprendemos sobre o básico da leitura e interpretação de textos, então agora é levar isso pra um nível mais crítico, pra eles questionarem e não comerem mosca na hora de consumir informação.
Uma das coisas que faço é trazer anúncios de revistas e jornais pra sala. Eu mesmo guardo alguns bem coloridos e chamativos. Aí, divido a galera em pequenos grupos, geralmente de quatro ou cinco alunos, e dou um anúncio pra cada grupo. Eles têm uns 20 minutos pra analisar e depois apresentarem o que perceberam. A ideia é eles notarem o uso das cores vibrantes e das imagens chamativas. Uma vez, com o grupo da Maria Clara e do Pedro, eles pegaram um anúncio de refrigerante com aquelas imagens de pessoas felizes no verão. Maria Clara logo falou: “Eles querem que a gente ache que beber isso vai deixar a gente feliz assim.” Todo mundo riu, mas entenderam o recado.
Outra atividade que a gente faz é criar um anúncio em sala. Eu levo papel sulfite, canetinhas coloridas e revistas velhas pra eles recortarem. Em duplas, eles inventam um produto – pode ser qualquer coisa maluca, desde que consigam usar as estratégias de persuasão. Eles têm uns 30 minutos pra bolar tudo. Depois, cada dupla apresenta o anúncio pros colegas e explica por que escolheram aquelas cores ou aquelas palavras. Uma vez o João e o Lucas inventaram um "chocolate mágico" que aumentava a inteligência! Usaram letras enormes e brilhantes com estrelas ao redor. Quando perguntamos por quê, o João disse que queria que todo mundo achasse especial. Foi hilário! E ao mesmo tempo eles estavam sacando como essas coisas realmente funcionam.
E por último, faço um exercício bem interessante que é assistir a comerciais curtos na internet (com tudo revisado antes). Passo um ou dois comerciais rapidinhos e depois a gente discute em roda de conversa. A turma toda participa e eles vão dizendo o que notaram: as músicas de fundo, as palavras-chave repetidas, os slogans. Isso leva uns 15 minutinhos no máximo. Quando fizemos isso na semana passada com um comercial de carro, o Rafael comentou que sempre tinha um locutor falando rápido no final e aí discutimos por que isso acontece. A galera começou a prestar mais atenção nesses detalhes.
Os alunos reagem super bem às atividades porque são práticas e mexem com coisas do cotidiano deles. Eles se surpreendem como as empresas usam estratégias simples pra captar nossa atenção. E acho importante eles perceberem isso desde cedo porque empodera eles como consumidores conscientes.
Essas atividades ajudam muito na compreensão deles sobre os textos publicitários e expandem essa visão crítica pro mundo em geral. Afinal, ser crítico é uma habilidade essencial hoje em dia. E cara, é muito gratificante ver os meninos crescendo nessa capacidade de leitura crítica! Bom, por aqui eu vou encerrando esse post e espero que tenha ajudado vocês a pensar em como trabalhar essa habilidade com os alunos também! É isso aí!
E aí, continuando sobre como eu percebo que a galera tá entendendo essa habilidade sem precisar de uma prova formal... Bom, quando eu tô circulando pela sala, dou uma olhada no que eles andam rabiscando. Por exemplo, teve um dia que a Letícia tava fazendo um cartaz sobre um produto imaginário que inventou, tipo um suco mágico. E eu vi que ela usou umas cores chamativas e escreveu "o melhor sabor do mundo" em letras bem grandes e coloridas. Aí fiquei pensando: "Essa aí pegou a ideia de usar cores e palavras pra chamar atenção!"
Nas conversas entre eles também dá pra sacar se entenderam. Uma vez, o João tava explicando pro Pedro por que a propaganda de um brinquedo que passou na TV era tão legal. Ele falou algo como "é porque o fundo era azul bem chamativo e as crianças no comercial tavam se divertindo muuuito". Isso mostra que ele percebeu a intenção da propaganda de passar aquela ideia de diversão irresistível.
Agora, os erros mais comuns... Ah, tem uns clássicos! A Mariana, por exemplo, sempre esquece de pensar no público-alvo. Teve um dia que fez uma propaganda de um carro esportivo e usou uns desenhos bem infantis, tipo nuvens com carinhas sorrindo. Eu percebo que isso acontece porque eles ainda estão pegando o jeito de conectar a estética com quem vai ver a propaganda. Quando pego isso na hora, aproveito pra sentar do lado e perguntar: "Mariana, quem você acha que vai querer esse carro? E o que essas pessoas gostam de ver?" Aí ela vai ajustando.
Outro erro é não pensar no contexto. O Lucas fez uma propaganda de comida e usou imagens de praia, mas o produto era sopa! Eu rio pra dentro nessas horas, mas tento mostrar pra ele que a imagem precisa combinar com o produto. Tipo assim: "Lucas, imagina tomar sopa nessa praia quente... não faz muito sentido né? O que você acha que combina mais com sopa?"
Sobre o Matheus, que tem TDAH, eu geralmente faço algumas adaptações nas atividades. Ele tem muita energia e às vezes se distrai fácil. Então procuro dar tarefas mais curtas e dividir as atividades em partes menores. Por exemplo, ao invés de pedir pra ele criar uma propaganda inteira de uma vez só, sugiro que comece só pelo slogan. Uso também materiais visuais bem chamativos pra manter a atenção dele e dou pausas regulares pra ele poder levantar e dar uma volta rápida na sala.
A Clara, que tem TEA, precisa de mais estrutura nas atividades. Com ela, sempre faço questão de ter um roteiro claro do que ela precisa fazer, passo a passo. Um dia adaptei uma atividade usando figuras recortadas em vez de pedir pra ela desenhar ou escrever diretamente. Isso ajudou bastante, porque ela foi montando a propaganda com essas figuras e depois conversamos sobre as escolhas dela. Tentar deixar as instruções bem visuais funciona muito bem com ela.
Ah, já teve coisa que não deu certo... Tentei usar música durante uma atividade achando que ia ajudar o Matheus a focar mais, mas acabou distraindo ele ainda mais! Com a Clara já testei dar um tablet pra ela criar algo digitalmente achando que ia ser mais interessante, mas ela ficou ansiosa com tantos aplicativos diferentes. Tem vezes que a gente erra a mão mesmo.
Enfim, acho que é isso! No final das contas, perceber se os meninos entenderam vai muito além da tal da prova escrita. É na interação do dia a dia, nos detalhes pequenos das atividades e nas conversas soltas entre eles que eu vou vendo se estão sacando ou não. E quando a gente erra ou acerta nas adaptações pros alunos como o Matheus e a Clara, é sempre um aprendizado tanto pra mim quanto pra eles.
Bom, espero ter ajudado alguém aí no fórum com essas histórias da minha sala! Qualquer coisa, tô por aqui pra trocar mais ideias.
Até a próxima!