Olha só, a habilidade EF04LP01 da BNCC é aquela em que a gente trabalha com os meninos do 4º ano pra eles entenderem como escrever as palavras direitinho, seguindo as regrinhas de como som e letra se correspondem. Não é só saber ler, né? É saber escrever certas palavras porque aí eles conseguem comunicar melhor no papel. Na prática, é ensinar a galera que o som que ouvem tem uma forma certa de ser escrita. Tipo assim, a palavra "casa" tem o som do "c" e não do "q", por isso escrevemos com "c". É meio que usar o que ouviram até aqui, no 3º ano, mas aprofundar mais ainda.
No ano anterior, os alunos já vinham familiarizados com o alfabeto e começaram a experimentar juntar as letrinhas pra formar palavras. Agora, no 4º ano, o desafio é tornar isso mais sistemático. Eles têm de perceber que certas letras aparecem juntas por um motivo e que certos sons pedem letras específicas. Trabalhamos os sons diretos, como "pato" ou "mesa", e também aqueles onde o contexto muda tudo, tipo "cebola" e não "sebola". Eles precisam pegar essas nuances.
E aí vem a parte boa: pensar em atividades práticas pra fazer isso acontecer de verdade na sala de aula. Vou contar algumas que faço por aqui.
Uma atividade clássica minha é o ditado interativo. Eu escolho palavras que têm esses sons que queremos treinar. Uso um caderno simples e lápis mesmo. Divido a turma em duplas ou trios pra eles se ajudarem (e os alunos gostam disso porque se sentem menos sozinhos no desafio). Começo falando as palavras devagar, e eles têm de discutir entre eles como acham que se escreve certo antes de registrar no papel. A atividade toda leva uns 30 minutos. O legal é quando eu falo a palavra "girafa" e a Maria pergunta pro João: "É com 'j' ou com 'g'?" Aí começam a discutir entre eles sobre porque é com "g", lembrando da história do zoológico que vimos no livro. Vê-los conectando as coisas desse jeito sempre me anima!
Outra atividade bacana que faço é o caça-palavras temático. Eu mesmo crio, usando uma folha de papel com uma grade cheia de letras, escondendo palavras que seguem as regras fonema-grafema que estamos estudando na semana. Os alunos amam desafios, então faço tipo um campeonato: quem acha mais palavras em 10 minutos ganha uma estrelinha pra colar no caderno. A turma fica super engajada, cada um fica concentrado procurando as palavras. Da última vez, o Lucas ficou todo empolgado ao encontrar “chave” rapidinho e gritou: "Achei! Achei!", enquanto a turma toda vibrava junto.
A terceira atividade é um jogo de montar palavras com letras móveis (aqueles alfabeto de EVA, sabe?). Cada aluno tem sua caixinha com letrinhas e eu dou uma lista oral de sons. Eles precisam formar as palavras corretas na mesa, juntando as letrinhas e pensando bem nos sons que escutaram. Levo uns 40 minutos nesse jogo porque eles precisam de um tempo pra pensar e montar tudo direitinho. A Juju uma vez misturou tudo e escreveu “sapo” com ‘c’. Mas aí discutimos sobre o som inicial da palavra e ela mesma corrigiu rindo: “Ai profe, eu sabia!” Quando isso acontece, você vê que o processo tá funcionando.
No fim das contas, a ideia é tornar esses momentos divertidos e significativos pra eles. As atividades não podem ser chatas nem uma mera repetição; têm de fazer sentido pro mundo deles e pro dia a dia na escola. Aí, aos poucos, eles vão pegando as manhas das regras da escrita em português e ganhando confiança na hora de colocar as ideias no papel. E aqui é assim, cada dia um pouquinho mais longe nesse caminho da leitura e escrita!
Se alguém tiver outras ideias ou quiser trocar figurinha sobre essas atividades ou outras formas de abordar essa habilidade, tô por aqui! Boa sorte aí nas salas de vocês também!
E olha, perceber que um aluno aprendeu essa habilidade sem ter que aplicar uma prova formal é bem interessante. No dia a dia da sala de aula, dá pra notar quando a coisa tá indo bem. Quando eu tô circulando pela sala, dá pra ver como eles tão escrevendo. Tipo, quando um aluno tá lá escrevendo e confere o som com a letra antes de passar pro papel, é um bom sinal. Às vezes, eles falam baixinho enquanto escrevem, sabe? E eu fico ali prestando atenção. Outro jeito é ouvir as conversas deles, ver como eles discutem o jeito certo de colocar uma palavra na folha. Teve um dia que ouvi a Ana falando pro João: "Não, João, é com 's', não tem som de 'z', lembra do que o professor falou?" Aí eu pensei: "Ah, essa entendeu!"
Outra situação é quando eles ajudam uns aos outros. Quando um aluno explica pro outro é porque ele já tá seguro do que aprendeu. Tinha o Pedro explicando pro Lucas sobre como escrever "chave". Ele desenhou no ar com o dedo e falou: "Ó, pensa no 'ch', igual em 'chuva', mas não confunde com o som do 'x'." E essas trocas são ouro puro pra gente ver se o ensino tá funcionando.
Agora, os erros mais comuns... Ah, esses aparecem bastante! Eles costumam errar muito na hora de usar o 's' e o 'z'. O Marcos sempre confundia. Na hora de escrever "casa", ele vinha com "caza". Aí eu explicava que o som era parecido mas a regra dizia outra coisa e conversava com ele sobre palavras parecidas pra fixar a ideia. Outro erro clássico é trocar o 'g' pelo 'j'. Tipo a Gabriela uma vez escreveu "jenro" ao invés de "genro". Eu entendo que isso acontece porque a fala às vezes entrega uma pegadinha e eles acabam escrevendo do jeito que falam. Quando pego esses erros na hora, paro tudo e chamo a atenção pro erro. A gente conversa rapidinho sobre por que aquilo aconteceu e faço eles corrigirem ali mesmo, na hora.
Agora vou falar do Matheus e da Clara. Com o Matheus, que tem TDAH, eu preciso encontrar maneiras de manter ele focado mas sem pressionar demais porque sei que isso não ajuda. Uma coisa que funciona é dar pausas curtas durante as atividades. Tipo, depois de uns 10 minutinhos concentrado, dou uma pausa pra ele se movimentar um pouco e depois voltar pra tarefa. Outra coisa é usar cores nos textos pra chamar a atenção dele pros sons e as letras certas. Deu certo dividir as atividades em partes menores e mais gerenciáveis pro Matheus ir completando aos poucos.
Com a Clara, que tá no espectro autista (TEA), preciso adaptar um pouco diferente. Ela tem um jeito próprio de aprender e precisa ter clareza nas instruções. O visual funciona muito bem pra ela. Eu uso cartões com palavras e imagens associadas pra ela fazer conexões mais fortes entre som e escrita. Além disso, mantenho uma rotina constante porque sei que mudanças bruscas podem desestabilizar a Clara. Dou sempre um tempinho extra pra ela processar as informações sem pressa.
Uma coisa que não rolou muito bem foi tentar usar muitos jogos em grupo com a Clara logo no início do ano. Percebi que ficava muita informação ao mesmo tempo e isso não ajudava ela a focar no aprendizado da escrita das palavras. Com o tempo fomos ajustando e usando mais atividades individuais ou em duplas.
Bom, gente, acho que era isso que eu queria compartilhar por hoje. É sempre um desafio diferente na sala de aula, mas ver os meninos aprendendo cada vez mais faz tudo valer a pena! Espero ter ajudado vocês aí com essas experiências do dia a dia aqui em Goiânia.
Abraço!