Olha, vou te contar como eu trabalho a habilidade EF15LP05 com os meninos do 1º Ano lá na escola. Pra começar, essa habilidade fala sobre planejar um texto, né? Então, o que eu entendo disso é que os pequenos precisam começar a pensar antes de sair escrevendo. Eles têm que se ligar pra quem estão escrevendo, por quê, onde esse texto vai parar e tal. Então é tipo assim: antes de começar a escrever, dou aquela cutucada neles pra pensarem nessas paradas. Se vão escrever uma cartinha pros pais, por exemplo, não dá pra ser igual a uma lista de compras ou um convite de aniversário.
Agora, pensando nos meninos que vêm do infantil, muitos já têm noção de contar histórias ou descrever algo. Mas aí entra a diferença: no 1º ano, eles têm que começar a entender que cada texto tem um propósito e um jeito de ser feito. Não é só juntar palavras bonitas e pronto. A gente vai ajudando eles a entender isso com paciência.
Deixa eu contar então umas atividades que rolam na minha sala pra trabalhar essa habilidade.
A primeira coisa que eu faço é uma atividade bem legal chamada "Carta ao Futuro". Eu começo perguntando pra eles o que gostariam de dizer pra eles mesmos lá na frente, tipo quando estiverem no 5º ano ou até mais velhos. Aí eu explico direitinho quem é o interlocutor (eles mesmos no futuro) e qual é a finalidade (guardar lembranças e expectativas). Uso papel sulfite e lápis de cor mesmo, coisa simples. Eles escrevem ou desenham suas ideias antes de passarem a limpo. A galera adora! Sempre sai cada coisa linda e engraçada! Na última vez, o João escreveu que queria ser astronauta e casar com uma princesa. Depois que todos terminam, guardamos as cartas num envelope grande pra abrir só mais tarde. Todo mundo fica super empolgado com essa ideia de mensagem pro futuro!
Outra atividade é o "Jornal da Turma". A gente escolhe algumas notícias simples da escola ou do bairro — pode ser algo que tá acontecendo na escola ou até uma descoberta nova em ciências — e aí discutimos juntos qual é a melhor maneira de contar isso pros outros. Dividimos a turma em pequenos grupos e cada grupo fica responsável por uma parte do jornal: manchete, reportagem, fotos (desenhos), etc. Levo algumas folhas grandes tipo cartolina e marcadores coloridos pra eles capricharem. Em cerca de duas aulas já conseguimos montar um mural bem bacana na sala. Da última vez, a Maria ficou encarregada das "fofocas do parquinho" e deu um show contando sobre as brincadeiras novas que inventaram no recreio!
A terceira atividade que gosto muito de fazer é o "Convite para Festa". Nesse exercício, a turma planeja um convite para uma festa imaginária (às vezes aproveitamos aniversários reais). A gente discute pra quem vai ser o convite (os amiguinhos), tipo de festa (aniversário, piquenique) e o que precisa ter no convite (data, hora, local). Uso papel colorido e adesivos pra dar aquele toque especial. Os pequenos se organizam em duplas ou trios e têm cerca de uma aula pra finalizar. É muito divertido ver como eles capricham! Da última vez, o Lucas escolheu fazer um convite para uma "festa do pijama" com direito a sessão de desenho animado! Ele desenhou uns travesseiros e cobertores ao redor do texto.
Essas atividades ajudam os meninos a compreenderem melhor a importância do planejamento na escrita. E olha que não tem erro: toda vez sai coisa boa! É claro que precisa ter paciência e dar aquele apoio nas dúvidas deles, mas é gratificante demais ver como eles se desenvolvem.
Bom, galera, espero que isso dê uma ideia bacana de como trabalhar essa habilidade com os pequenos. Na prática é assim mesmo: mãos à obra e coração aberto! Se alguém tiver outras ideias ou quiser compartilhar experiências, tamo aí!
Agora, pensando em como perceber se os meninos realmente captaram a ideia, eu não fico só dependendo de prova, não. Na verdade, até prefiro essa coisa do dia a dia, que vai dando uma noção mais real do que tá acontecendo. Sabe quando você tá circulando pela sala e de repente para pra ouvir as conversas? Aí é o melhor termômetro! Você escuta um aluno explicando pro outro como começar uma história ou como escrever uma frase direito, e pronto, você já saca que ele entendeu o recado.
Teve um dia, por exemplo, que eu fiquei todo bobo quando a Júlia tava ajudando o Pedro. Ela disse assim: "Pedro, não esquece de colocar quem é o personagem antes de falar o que ele tá fazendo, senão ninguém entende". Olha que maravilha! Nesse momento você vê que a questão do planejamento do texto tá ali. Outra vez, vi o Lucas parando pra pensar antes de começar a rabiscar o papel. Ele ficou olhando pro nada uns minutos e depois começou a escrever com aquela carinha de quem sabe o que tá fazendo. Eu só fiquei de olho e pensei: "Esse pegou o espírito da coisa".
Mas claro, nem tudo são flores, né? Tem uns erros que são comuns e até esperados. Tipo assim, o João é um daqueles meninos que escrevem tudo de uma vez só sem respirar. Ele não para pra colocar ponto final nem vírgula. Sai tudo junto e misturado. E isso acontece porque a cabeça tá tão cheia de ideia que ele quer jogar tudo no papel rapidinho. Quando eu pego um erro desses na hora, dou aquele toque: "João, pensa que você tá contando uma história pro amiguinho, tem hora de pausar pra ele entender". Aí ele dá aquela risadinha e tenta arrumar.
Outra situação engraçada foi com a Mariana. Ela tem essa mania de querer colocar tudo em maiúscula porque acha "mais bonito". Então lá vou eu explicar que contar uma história é diferente de fazer um cartaz bonito. Vou falando que cada coisa tem seu lugar e tal.
Agora falando do Matheus e da Clara... O Matheus tem TDAH e precisa mesmo de um ritmo diferente. Com ele, aprendi que atividades mais curtas e bem direcionadas funcionam melhor. Então, divido as tarefas em etapas menores e vou liberando aos poucos. Uso muito cartões coloridos com palavras ou pequenas frases pra que ele ordene ou crie histórias rápidas. E olha, funciona bem quando eu peço pra alguém trabalhar em dupla com ele. Ele se encanta mais fácil e fica motivado.
Com a Clara, que tem TEA, percebi desde cedo que coisas visuais ajudam muito. Usar imagens ajuda ela a montar uma ideia concreta do texto antes mesmo de começar a escrever. Fizemos um mural na sala com desenhos dos personagens favoritos dela e, assim, ela vai escolhendo quem quer nas histórias dela. Outra coisa legal é dar um tempinho extra quando ela precisa. Às vezes as mudanças de rotina afetam ela mais do que os outros.
Ah, não posso esquecer de falar sobre as coisas que tentei e não deram certo! No começo do ano passado eu achei que uma roda de leitura com todo mundo interagindo ao mesmo tempo ia dar super certo pra integrar geral. Mas foi um caos! O Matheus ficou super disperso e a Clara não conseguiu acompanhar tanta conversa ao mesmo tempo. Então tive que repensar essa dinâmica e trazer atividades mais personalizadas pra eles.
No fim das contas, esse acompanhamento diário dá muito certo porque cada aluno tem seu jeito de aprender e sua forma única de expressar isso. A gente vai aprendendo junto com eles também a ter paciência e adaptar as coisas no caminho.
E aí, pessoal, é assim que vou levando essas aulas por aqui! Se tiverem outras dicas ou quiserem compartilhar alguma experiência parecida, tô aqui pra trocar ideia com vocês. Até a próxima!