Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF01LP01 da BNCC, a coisa é até simples de explicar, mas super importante. É sobre ensinar os meninos lá do 1º ano a entenderem que quando a gente lê ou escreve, o caminho é tipo uma estradinha: vai sempre da esquerda pra direita, e de cima pra baixo na página. Parece besteira, mas pensa só — se a criança não entende isso logo cedo, pode virar uma bagunça depois. Pode parecer uma coisa natural pra gente que já tá acostumado, mas pra eles, é uma novidade, né? No 1º ano, esses pequenos ainda estão descobrindo o mundo das letras.
Geralmente, quando chegam no 1º ano, muitos já viram os pais ou irmãos mais velhos lendo em casa, então têm uma ideia meio vaga de que existe uma ordem ali. Mas é meio confuso ainda. Aí, nosso trabalho é pegar essa noção e deixar bem claro que isso é uma regra doida que a gente segue pra tudo. Na prática, o aluno precisa conseguir olhar pra um texto e saber por onde começar. Tipo assim, se eu der um livro na mão dele, quero que ele saiba apontar o dedinho onde a leitura começa e por onde ela continua.
Agora, vamos às atividades. Uma coisa que curto muito fazer é usar aqueles livrinhos infantis cheios de figuras coloridas e frases curtinhas. Na última vez que fizemos isso, usei um monte de livrinhos que pedi emprestado da biblioteca da escola — coisa simples mesmo. Sentamos em roda no tapete (adoro usar o tapete porque parece que aproxima mais a galera) e cada um tinha um livrinho na mão. A ideia era eles tentarem encontrar onde começava cada frase e mostrar pra todo mundo. Isso não leva mais que uns 30 minutos.
Lembro que nessa atividade o Joãozinho ficou super empolgado porque ele achou primeiro numa das páginas, e saiu mostrando pros amigos. Aí, claro que acaba virando uma competição saudável entre eles. O Vinícius deu um trabalhinho porque insistia em começar pelo lado direito da página toda hora! Mas aí é isso mesmo: com paciência e muita repetição, a gente vai ajustando.
Outra atividade legal é a “leitura em escadinha”. Essa é um pouco mais elaborada porque a gente usa cartolina. Escrevo frases bem básicas em tiras de cartolina e colei na parede lá da sala, tipo um varalzinho. Cada tira de cartolina tem uma frase que vai ficando mais longa à medida que a gente lê pra baixo na parede. A turma fica de pé e a ideia é ir seguindo as frases com o dedinho. Isso geralmente ocupa uns 20 minutos do nosso tempo.
Na última vez que fizemos essa atividade, estava com a turma dividida em grupinhos menores porque facilita mais controlar quem tá acompanhando direitinho e quem tá só fingindo que tá entendendo... O Pedro sempre se distraía e começava a brincar com as tiras de papel em vez de ler! Mas com ajuda dos coleguinhas ele pegou o jeito rapidinho. Importante é manter o estímulo sem pressionar muito.
E uma terceira coisa que faço bastante é usar os nomes deles mesmos pra formar frases no quadro. Eu escrevo algo como "A Maria gosta de brincar" ou "O Lucas adora correr". Os alunos adoram ver os nomes deles escritos — chama muita atenção! Uso esse momento pra mostrar como as palavras se organizam da esquerda para direita e como as frases são feitas de várias palavras juntas numa linha só.
Da última vez que fizemos isso, foi engraçado porque a Ana começou a dar sugestões de frases loucas com o nome dela — tipo "A Ana voou na lua" — mas foi ótimo porque todo mundo queria participar e inventar suas próprias frases também. No final das contas, mesmo uma frase maluca ajuda eles a entenderem essa lógica do texto.
Então é isso aí pessoal! Trabalhar essa habilidade aqui no 1º ano é muito sobre paciência e criatividade. Tem dia que parece que eles nunca vão entender, mas quando rola aquele clique... nossa! É bom demais ver aquele brilho nos olhos deles quando percebem que as letrinhas fazem sentido numa ordem certa. E claro, quanto mais prática melhor! Vamos lá seguir nessa missão juntos!
É isso aí! Se alguém tiver mais ideias ou quiser compartilhar como tem feito por aí também, manda ver! É sempre bom aprender junto com vocês. Abraço!
Geralmente, quando chega alguém novo na sala, já dá pra perceber quem tá pegando o jeito e quem ainda tá meio perdido só de observar a dinâmica deles. Durante as atividades, eu gosto de ficar circulando pela sala, sabe? Aí dá pra ver bem como cada um tá se virando. Por exemplo, teve um dia que eu tava andando por entre as mesas e vi a Sofia ajudando o Pedro a entender uma frase. Ela falou "Olha, Pedro, você tem que começar a ler daqui e vai indo assim", e mostrou com o dedinho na direção certa. Naquele momento, senti que ela entendeu direitinho a ideia da leitura da esquerda pra direita. E mais, quando os meninos começam a fazer perguntas ou comentar sobre as histórias que lemos em sala, isso é um sinal claro de que eles estão captando a mensagem e se envolvendo.
Aí tem as conversas entre eles. Ouvir as conversas é um ótimo termômetro pra ver o quanto eles tão entendendo das coisas. Um dia desses, ouvi a Larissa contando pro João que uma história que lemos tinha "uma parte no começo igual à outra no final", e fiquei pensando: ela tá percebendo a estrutura do texto! Quando um aluno consegue explicar pro outro, isso não só mostra que ele entendeu o conteúdo, mas também dá confiança pra ele seguir aprendendo.
Claro, nem tudo são flores. Cometer erros faz parte do aprendizado, né? E os erros mais comuns que vejo são tipo começar a ler do meio da página ou pular linhas sem perceber. Teve uma vez que o Caio ficou todo confuso porque começou a ler uma palavra do final da linha anterior achando que era início de frase! Isso acontece muito porque eles ainda tão se acostumando com essa "estradinha" do texto. Aí o que eu faço é parar ali na hora e mostrar: "Olha aqui, Caio, começa desse lado", e aí ele vai tentando de novo.
E olha, com a Matheus que tem TDAH, faço algumas adaptações nas atividades. Ele precisa de um pouco mais de movimento e intervalos curtos entre as tarefas, então procuro intercalar atividades em pé com aquelas de leitura. Uma coisa que funciona bem é usar fichas grandes com palavras e deixá-lo organizar no chão. Assim ele pode mexer o corpo enquanto aprende. Já uma vez tentei fazer uma atividade só de leitura sentada pra turma toda, mas percebi que pro Matheus isso não rola — ele fica inquieto.
Por outro lado, com a Clara que tem TEA, preciso adaptar de outra forma. Com ela é importante ter previsibilidade e rotinas bem estabelecidas. Materiais visuais são fundamentais. Por exemplo, uso cartões coloridos pra mostrar o começo e fim das páginas pra ajudar na orientação visual. E ela precisa de um tempo extra em algumas atividades pra processar as informações no ritmo dela. Teve um dia que tentei introduzir uma música nova sem avisar antes e ela ficou super desconfortável — aí aprendi que é melhor preparar esses momentos com antecedência.
Claro que tem dias mais desafiadores, mas ver esses pequenos avanços no dia a dia faz tudo valer a pena. A gente segue tentando entender como cada um aprende melhor e ajustando o caminho conforme necessário. É tipo assim: todo dia é uma nova oportunidade de aprender junto com eles.
Bom, pessoal, essas são algumas das maneiras como eu percebo o aprendizado dos meus alunos nas nossas aulas do 1º ano. Espero que essas histórias ajudem vocês também a encontrar jeitos novos de observar e ensinar os pequenos aí na sala de aula. Valeu pela conversa!