Olha, essa habilidade EF01LP04 da BNCC, que fala sobre distinguir as letras do alfabeto de outros sinais gráficos, é uma coisa super importante pra turminha do primeiro ano. Na prática, isso significa que os meninos e meninas precisam começar a perceber que tem diferença entre as letras que formam palavras e outros tipos de símbolos, como números, sinais de pontuação, ou até mesmo desenhos e rabiscos que eles fazem. Vão entender que as letras têm um propósito específico na escrita, que é formar palavras e frases. Isso é basicamente a base pra eles começarem a ler e escrever de verdade.
A galera chega no primeiro ano já tendo algum contato com as letras. Na educação infantil, geralmente trabalham bastante com o nome próprio e algumas letras isoladas. Então, a gente parte desse ponto. Eles já sabem que A é A, B é B, mas o desafio agora é perceber que números como 1 ou 2 não têm função de formar palavras do jeito que as letras têm. E é aí que entra o nosso trabalho como professores: ajudar a desvendar esse mistério todo.
Vou contar aqui três atividades que faço com os meninos pra trabalhar essa habilidade e como funcionou na última vez que fizemos. Bom, uma das atividades que faço se chama “Caça às Letras”. É uma coisa super simples, mas eles adoram. Uso revistas velhas, que a banca aqui perto me doa, junto com tesoura sem ponta e cola. Organizo a turma em duplas porque acho que eles se ajudam bastante assim. Dou uns 30 minutos pra essa atividade. A galera tem que procurar e recortar letras nas revistas, colar em uma folha e depois identificar se aquelas letras formam palavras ou se são só letras avulsas. Da última vez fiz isso com a turma, o João ficou empolgado porque achou todas as letras do nome dele numa propaganda de carro! Ele realmente ficou radiante mostrando pros colegas.
Outra atividade bem legal é o “Jogo das Letras e Sinais”. Pro material, só preciso de cartões com letras do alfabeto e outros com sinais gráficos como pontos de interrogação, exclamação, números e até emojis. Aí eu divido a turma em pequenos grupos de quatro ou cinco alunos. Funciona assim: cada grupo recebe um conjunto de cartões misturados e precisa separar as letras dos outros sinais gráficos. Dou uns 20 minutos pra isso. Na última vez que fizemos esse jogo, percebi que a Ana estava tendo dificuldade em separar os números das letras. Ela estava colocando o número 7 junto com as letras porque achava que era parecido com o F! Aí foi uma ótima oportunidade pra explicar mais uma vez essa diferença.
A terceira atividade chamo de “Desenho das Letras”. É uma atividade onde os alunos criam um desenho usando as letras do alfabeto. Pra isso só precisamos de papel branco e lápis de cor. Eles têm uns 40 minutos pra criar seus desenhos. O interessante é depois pedir pra eles explicarem pros colegas o que desenharam e quais letras usaram. Isso acaba virando um show de criatividade! Na última vez, a Letícia desenhou uma casa onde as janelas eram feitas de retângulos formados pelas letras H e I. Adorei como ela usou as formas das letras pra compor o desenho todo.
Essas atividades não são só divertidas, mas também ajudam os alunos a pensar criticamente sobre os diferentes tipos de símbolos que encontram no dia a dia. Eles começam a ver as letras como ferramentas essenciais para comunicação escrita e isso vai facilitando o processo de alfabetização.
Mas olha, no meio dessas atividades sempre rola alguma conversa ou reação engraçada das crianças. O Pedro, por exemplo, adora fazer piadinhas com os sinais gráficos. Uma vez ele disse que o ponto de interrogação parecia estar sempre curioso demais porque tava sempre "perguntando" algo! Coisa de criança mesmo.
Bom, acho que trabalhando assim, eles vão entendendo aos poucos o papel de cada elemento gráfico na comunicação escrita. E esse entendimento vai fazer toda diferença pro sucesso deles na leitura e escrita lá na frente.
É isso aí pessoal! Espero ter ajudado com essas ideias! Vamos trocando figurinhas por aqui sempre! Até mais!
A galera do primeiro ano é cheia de energia e curiosidade, então, quando eles começam a sacar essa diferença entre letras e outros sinais, é uma alegria só! Não precisa nem aplicar prova formal pra perceber que aprenderam. A observação no dia a dia mesmo já dá pistas claras. Tipo, eu sempre fico atento quando tô circulando pela sala durante as atividades. Tem um momento que a criança tá lá desenhando e de repente solta algo como "Olha, professor, essa aqui é a letra A, não é um número 4!", aí você já sente aquela vitória. Outro dia mesmo, a Júlia tava explicando pro colega do lado que uma determinada forma era um "Bê" e não um "D", que o "D" tem barriguinha pra direita. Ver eles se corrigindo e ensinando uns aos outros é um sinal claro de que a coisa tá funcionando.
E não é só isso. Tem vezes que tô só ouvindo as conversas deles durante o recreio ou enquanto organizam os materiais. Tipo, o Lucas tava todo empolgado tentando escrever o nome dele com umas letras de material recortado e a Ana ajudou ele dizendo "Lucas, olha, esse aqui é o 'U', não é um 'V', porque o 'V' tem bico!". Esses momentos são ouro puro porque mostram que eles tão começando a pensar nas letras como algo funcional, como parte do dia a dia deles.
Claro que também rolam uns errinhos clássicos no caminho. A Bia, por exemplo, tinha uma mania de confundir a letra "O" com o número zero. É super comum isso, porque visualmente são muito parecidos e eles ainda estão começando a entender o contexto em que cada um aparece. Outro erro frequente é confundir o "P" com o "R". Outro dia peguei o João trocando um por outro numa atividade de identificação de letras. Mas aí eu faço um exercício bem prático com eles: peço pra fazerem sons das letras com a boca e mostro como a boca se movimenta diferente pra cada uma. Isso ajuda bastante!
Agora, falando do Matheus, que tem TDAH, e da Clara, com TEA, tenho que fazer algumas adaptações pra garantir que eles também estejam incluídos nas atividades. Pro Matheus, eu percebi que atividades muito longas ou que exijam muita concentração não funcionam bem. Então eu divido as tarefas em pedaços menores e dou mais pausas entre elas. Outra coisa que ajuda são materiais visuais bem coloridos e atividades que envolvem movimento. Um jogo de cartas onde ele precisa encontrar pares de letras foi uma ideia que rolou legal.
Com a Clara, a abordagem é diferente. Ela responde bem a rotinas estruturadas e previsíveis. Então mantenho sempre uma rotina clara durante as aulas e uso muitos pictogramas pra ajudá-la a entender o plano do dia. Além disso, tento garantir um ambiente mais silencioso quando estamos numa atividade mais focada. Ela adora usar fantoches feitos de papel com as letras do alfabeto pra contar histórias — ela se envolve total fazendo os personagens “falarem” entre si.
Mas nem tudo são flores sempre. Já tentei usar jogos digitais interativos com o Matheus achando que ele ia adorar, mas acabou sendo muito estímulo visual de uma vez só e ele perdeu o foco rapidinho. Com a Clara, às vezes uma mudança inesperada na rotina da aula pode deixá-la bem desconfortável, então aprendi rapidamente a importância de manter tudo bem planejado e previsível.
Bom, gente, é assim que a gente vai ajustando as velas conforme sopra o vento em sala de aula. Cada aluno tem seu jeitinho único de aprender e cabe a nós dar aquela mãozinha amiga pra cada um deles encontrar seu caminho na leitura e escrita. E vocês? Como têm feito por aí nas salas de vocês? Vamos trocando essa ideia porque sempre tem algo novo pra aprender! Até mais!