Olha, galera, trabalhar a habilidade EF04LP07 da BNCC com a turma do 4º ano é um desafio, mas também uma diversão. Vamos combinar que concordância não é lá o assunto mais empolgante do mundo, mas quando a gente traz pro dia a dia dos meninos, fica bem mais interessante. Essa habilidade aí é sobre os alunos conseguirem reconhecer e usar corretamente a concordância entre o artigo, o substantivo e o adjetivo em textos. Na prática, quer dizer que eles precisam entender que se tiver um "os" antes de "cachorro", vai ficar "os cachorros grandes", e não "os cachorro grande". Parece bobo, mas é essencial pra escrita ficar clara e coerente.
Quando os meninos chegam no 4º ano, eles já têm uma ideia básica da concordância, porque no 3º ano a gente fala bastante sobre substantivos no plural e coisas do tipo. Eles já sabem que "um cachorro" vira "dois cachorros", mas ainda escorregam na hora de colocar tudo junto numa frase mais longa, especialmente quando entra um adjetivo no meio. Então, nosso trabalho é fazer esse ajuste fino e garantir que eles fiquem craques nisso.
Agora, deixa eu contar como eu trabalho isso na prática aqui na sala. Tenho umas atividades que sempre funcionam bem e vou compartilhar três delas com vocês.
Primeira atividade: o "detetive das palavras". Eu uso tirinhas de quadrinhos simples, daquelas que você encontra fácil na internet ou em livros didáticos mesmo. Divido a turma em duplas ou trios e dou uma tirinha pra cada grupo. A missão deles é encontrar erros de concordância nos balões. Aí eles precisam corrigir e reescrever os balões corretamente num papel separado. Dependendo da tirinha e do quanto a galera tá animada, isso leva uns 30 minutos. Na última vez que fiz essa atividade, o Marcos e o João estavam discutindo feito dois advogados sobre se era "as meninas lindas" ou "as menina linda". Até que o João sacou que o adjetivo também tinha que concordar com o plural do substantivo. Foi um momento "eureka" que valeu a aula toda!
Segunda atividade: o "jogo do mercado". Esse é um jogo de cartas que eu criei, usando fichas feitas de cartolina com nomes de produtos (substantivos), preços (números) e características (adjetivos). As crianças precisam montar frases completas como se estivessem fazendo compras: "Eu quero comprar dois tomates vermelhos por cinco reais". Organizo as crianças em pequenos grupos — até quatro alunos e dou uma porção de fichas pra cada grupo. Eles têm que negociar e formar frases certas pra ganhar pontos. Essa atividade leva mais ou menos uns 40 minutos porque tem muita interação e discussão entre eles. Na última vez que fizemos isso, a Maria e o Pedro estavam numa disputa acirrada pra ver quem conseguia fazer mais frases corretas em menos tempo. Teve até uma hora em que o Pedro gritou: "Achei! Dois sabonetes perfumados!", todo orgulhoso.
Terceira atividade: produção de pequenos textos. Aqui eu deixo a galera escolher um tema de interesse (tipo animais, esportes ou filmes) e escrevemos juntos um texto curto na lousa. Aí a gente apaga os artigos, substantivos ou adjetivos de algumas partes e eles têm que completar corretamente no caderno deles. Geralmente essa atividade leva uma aula inteira, uns 50 minutos, porque depois ainda revisamos juntos na lousa. Da última vez, escolhemos falar sobre futebol e a turma fez um texto massa sobre um jogo imaginário entre dois times. O momento engraçado foi quando a Ana corrigiu o Lucas porque ele escreveu "o jogadores talentosos" em vez de "os jogadores talentosos". O Lucas ficou vermelho como um pimentão, mas acabou rindo junto com todo mundo.
No fim das contas, trabalhar essa habilidade com eles é questão de prática constante e muita paciência. O segredo é fazer os meninos perceberem onde estão errando através da prática e da correção entre pares. E claro, sempre valorizando as pequenas conquistas deles no dia a dia. É assim que eles vão evoluindo e ficando cada vez mais seguros na hora de escrever. E a gente vai caminhando junto nessa loucura boa que é ensinar língua portuguesa!
Olha, continuando o papo sobre a habilidade EF04LP07, uma das coisas mais legais é perceber quando os meninos vão pegando o jeito, sabe? E nem precisa de prova formal pra sacar isso. No dia a dia mesmo, enquanto eu dou aquela circulada pela sala, já dá pra sentir quem tá entendendo ou não. Quando tô circulando, às vezes paro atrás de um ou outro e vejo o que tão escrevendo. Aí vejo uns que tão acertando tudo sem pensar muito e outros que ainda dão uma escorregada.
Eu gosto de prestar atenção nas conversas deles também. Às vezes é só ficar de ouvido ligado quando eles tão discutindo uma atividade em dupla ou grupo. Já aconteceu de ver a Ana explicando pro João porque tinha que ser "as bonecas lindas" e não "as boneca linda". Ali eu percebi que ela tinha entendido a concordância certinho. Isso é muito bacana porque mostra que eles tão usando esse conhecimento de forma natural e até ajudando os colegas.
Outra coisa é quando eles tão apresentando algum trabalho na frente da turma. Teve um dia que o Pedro tava lendo uma história que ele mesmo escreveu e falou tudo no plural certinho. Quando errou, ele mesmo se corrigiu na hora! Isso é sinal de que ele internalizou a regra, sabe?
Mas claro, ninguém acerta 100% das vezes. Os erros mais comuns, por exemplo, são confundir o singular com o plural. O Lucas, por exemplo, sempre escreve "os cachorro grande" em vez de "os cachorros grandes". Isso acontece muito porque na hora de falar a gente não presta tanta atenção nisso, né? Outra coisa é quando eles misturam adjetivos no masculino e artigos no feminino. Tipo assim: "os meninos bonita".
Quando pego esses erros, geralmente dou uma paradinha e pergunto: "Ei, Lucas, dá uma olhada aqui. Tem certeza que é assim mesmo? E se tivesse dois cachorros?". Tento fazer ele mesmo perceber o erro. Em muitos casos, só de reformular a frase eles já se tocam do erro.
Agora, falando do Matheus e da Clara... Olha, cada um tem suas particularidades e a gente precisa estar atento pra ajudar da melhor forma. O Matheus tem TDAH e, com ele, tento sempre ter atividades mais dinâmicas. Coisas que envolvem movimento ajudam muito. Então quando possível, transformo uma atividade de escrita numa caça ao tesouro ortográfico pela sala ou uso jogos de memória com cartas que eles têm que combinar correto as concordâncias. Isso ajuda ele a se concentrar mais porque tem um elemento de jogo.
Já com a Clara, que tem TEA, o foco é um pouco diferente. Eu busco adaptar as instruções de forma bem clara e visual pra ela. Uso cartões com cores diferentes onde cada cor representa um tipo de palavra: azul pros substantivos, vermelho pros adjetivos e verde pros artigos. Isso dá uma boa pista visual pra ela entender o que tá fazendo e ajuda bastante.
Uma coisa bem importante também é ter paciência com o tempo deles. Nunca pressiono nem o Matheus nem a Clara a seguir o mesmo ritmo dos outros. Dou um tempo extra se necessário e deixo claro que tá tudo bem demorar mais um pouco pra entender.
Ah, e nem tudo funciona sempre de primeira... Teve uma vez que tentei usar tecnologia com a Clara num aplicativo cheio de sons e animações achando que ia ser super divertido pra ela. Mas acabou sendo estímulo demais e ela ficou super agitada na hora. Aprendi ali que preciso ir devagar com essas coisas e sempre observar como ela reage.
Bom, acho que é isso! Ensinar concordância pros meninos é sempre um desafio cheio de nuances diferentes pra cada aluno, mas é muito gratificante ver quando eles começam a acertar mais do que errar. Cada pequeno passo deles já vale muito! E vamos trocando ideias por aqui porque sempre tem algo novo pra aprender nessa jornada educativa. Até mais!