Olha, a habilidade EF05LP09 da BNCC, na prática, é a gente fazer com que os meninos do 5º Ano consigam ler e entender sozinhos textos que ensinam a fazer alguma coisa. Pode ser a regra de um jogo, receita de bolo, manual de brinquedo, essas coisas do dia a dia. O que acontece é que eles já chegam no 5º Ano sabendo ler, mas a gente precisa ajudar eles a entender o que o texto quer dizer, pra que serve aquele texto, qual é a linguagem, quem escreveu, por que escreveu daquele jeito. O aluno precisa não só decifrar as palavras, mas sacar a intenção do autor e como usar aquela informação. É como se fosse dar um passo além do simples “ler as palavras” e entrar no “ler com objetivo”.
Um exemplo concreto disso é quando os meninos leem as regras de um jogo novo. Não adianta só ler as regras, eles têm que entender qual é o objetivo do jogo, como se ganha ou perde, quais são as opções de jogada. E isso meio que vai além da leitura básica: eles precisam interpretar, fazer conexões com jogos que já conhecem e pensar nas estratégias. Na série anterior, eles já começavam a ter contato com esses textos instrucionais mais simples, começando pelas receitas e algumas instruções básicas. Agora no 5º Ano, a ideia é avançar para textos um pouquinho mais complexos, sabe?
Uma das atividades que faço na minha sala é a famosa “Oficina de Jogos”. Eu trago alguns jogos de tabuleiro simples, tipo Dama ou Uno, e também uns jogos mais novos que a galera ainda não conhece bem. Primeiro, eu entrego só as instruções escritas do jogo pra eles em grupos de 4 ou 5. Essa parte leva uns 15 minutos. Eles têm que ler e entender como o jogo funciona antes de começar a jogar. Normalmente, eu dou uns 30 minutos pra leitura e discussão. Eles ficam empolgados porque sabem que depois vão poder jogar. É engraçado ver como cada grupo se vira; sempre tem aquele aluno mais proativo que começa a liderar o grupo na leitura. Da última vez que fizemos isso, o Joãozinho pegou as instruções do Jenga e começou a explicar pros outros como se fosse um professor. Foi um sucesso! Depois da leitura, liberamos mais uma hora pra jogar e aí é pura diversão e aprendizado.
Outra atividade bacana é o “Desafio da Receita”. Cada aluno traz uma receita simples de casa – pode ser de bolo de caneca ou sanduíche natural – coisas que não precisem de fogão ou faca. Eles trocam as receitas entre si e precisam seguir as instruções pra preparar na sala mesmo (com materiais que combinamos antes de trazer). Uso uns 50 minutos pra isso: 10 pra troca das receitas e leitura inicial e uns 40 pra execução. É uma atividade muito prática e eles curtem demais porque tem comida envolvida, né? A Ana Clara da última vez fez um bolo de caneca de micro-ondas seguindo a receita do Luiz Felipe e ficou tão animada quando deu certo que até repetiu em casa no fim de semana.
E tem também o “Projeto Instruções Virtuais”, onde usamos tutoriais do YouTube pra aprender alguma coisa nova. A galera adora vídeos então isso já ajuda a prender a atenção deles. Eu monto duplas pra assistir o vídeo junto (se puder ser no computador ou tablet da escola, melhor ainda) e depois eles têm que escrever um passo a passo baseado no vídeo assistido. Essa atividade leva umas duas aulas: na primeira aula (50 minutos), assistimos os vídeos e discutimos em duplas; na segunda aula (mais 50 minutos), cada dupla apresenta sua versão escrita das instruções pros colegas. É sempre interessante ver como eles interpretam o vídeo. Na última vez, o Pedro e o Rafael escolheram um vídeo sobre como fazer origami em forma de coração e transformaram num texto super bem detalhado que deixou todo mundo conseguindo fazer direitinho.
Essas atividades são maneiras práticas não só de trabalhar essa habilidade específica mas também de integrar outras disciplinas e conteúdos do dia-a-dia dos alunos. E é incrível ver como eles se desenvolvem ao longo do ano com essas oportunidades de aprendizado prático associado ao conteúdo teórico. Claro que cada turma reage diferente e às vezes é preciso ajustar aqui ou ali mas no geral são atividades que sempre dão certo. Além disso tudo ainda ajuda muito nessa coisa da autonomia porque eles precisam lidar com essas situações quase sozinhos mesmo tendo o apoio dos colegas.
Bom, acho que isso dá uma boa ideia de como eu trabalho essa habilidade por aqui com os meninos. Espero ter ajudado quem tá buscando ideias novas ou só quer trocar ideia sobre práticas em sala de aula! Até a próxima conversa!
eles precisassem se tornar pequenos detetives da informação, sabe? E a gente vai guiando eles nisso. Agora, como é que eu percebo que eles estão pegando o jeito? Bom, tem várias formas de sacar isso, mesmo sem aplicar uma prova formal.
Quando eu circulo pela sala, geralmente é ali que eu pego os sinais. Estou ali andando entre as mesas e escuto a conversa da Ana com o Lucas sobre uma receita que estão lendo. A Ana de repente diz algo tipo "Ah, então a gente tem que misturar isso antes de colocar no forno porque senão não cresce!" Nesse momento, eu já sei que ela entendeu a sequência e a importância daquela etapa. Isso é um sinal claro de compreensão.
Outra coisa que faço é observar quando um aluno explica pro outro. Teve uma vez que o Pedro estava com dificuldade numa instrução de montagem de brinquedo. Aí o João chega e fala "Pedro, primeiro você encaixa essa peça aqui, tá vendo a figura? É igual ao que tá desenhado." Quando um aluno consegue usar o texto para ajudar o colega a entender, é sinal de que ele próprio já entendeu.
Claro que nem tudo são flores, né? Os erros mais comuns aparecem bastante e é daí que a gente tira muito aprendizado também. Por exemplo, tem vezes que os meninos confundem ordem de passos porque não prestam atenção nas palavras que indicam sequência, tipo "depois", "em seguida", "por último". Lembro do caso da Júlia que, numa atividade de receita, foi direto pro passo final sem passar pelo meio. Ela tava tão empolgada com o bolo pronto na foto que se perdeu no caminho. Aí tive que sentar com ela e fomos reler juntos o texto, mostrando essas palavras-chave e como elas ajudam a guiar a gente.
Outra confusão comum é entender propositadamente o tom do texto. O Henrique uma vez achou que todas as instruções tinham tom de ordem militar porque "tava mandando fazer", ele disse. Expliquei pra ele que a linguagem instrucional é assim mesmo, direta, mas não significa ser autoritária. Usei exemplos de instruções engraçadas pra ele ver o lado mais leve.
Agora, com o Matheus e a Clara, faço algumas adaptações pra ajudar eles a acompanhar no ritmo deles. O Matheus tem TDAH e se distrai fácil. Então dou pra ele atividades mais curtas intercaladas com momentos de movimento. Às vezes, ele lê um parágrafo em voz alta enquanto anda pela sala - isso ajuda ele a focar melhor. Já usei marca-texto colorido pra ele destacar palavras-chave e isso funcionou bem também.
Com a Clara, que tem TEA, procuro usar materiais visuais mais claros e objetivos. Se estamos lendo uma receita, por exemplo, trago as coisas pra sala pra ela ver e tocar nos ingredientes ou utensílios. Isso torna mais concreto e acessível pra ela. Organizo as instruções em quadros ou gráficos simples porque ela responde bem a informações visuais estruturadas.
Testei usar vídeos explicativos tanto pro Matheus quanto pra Clara pensando em diversificar os estímulos, mas percebi que nem sempre funciona; às vezes os vídeos têm informações demais ao mesmo tempo e isso confunde mais do que ajuda.
Enfim, cada dia na sala de aula é um aprendizado tanto pros alunos quanto pra mim. É na observação diária das pequenas conquistas e dos tropeços que vejo o quanto eles crescem e se desenvolvem. E aí sigo ajustando meu jeito de ensinar conforme vou conhecendo cada um deles melhor.
Bom pessoal, esse é um pouquinho de como percebo o aprendizado dos meninos por aqui. Espero ter ajudado vocês aí do outro lado da tela! Qualquer coisa, tô por aqui pra trocar mais ideias ou ouvir como vocês têm feito também! Valeu!