Pessoal, hoje vou falar sobre uma habilidade da BNCC que a gente trabalha aqui no 5º Ano, que é a EF05LP16. Basicamente, essa habilidade pede que os alunos consigam comparar informações sobre o mesmo fato que aparecem em diferentes tipos de mídia e consigam decidir qual delas é mais confiável. Parece complicado quando a gente lê assim, mas na prática é mais simples. Olha só, o aluno precisa olhar para uma notícia e perceber se ela tem cara de verdade ou se tá meio estranha, sabe? Eles já vêm de um trabalho anterior onde aprendem a diferenciar fato de opinião, então a ideia agora é aprofundar isso. Por exemplo, se eles veem duas notícias sobre o mesmo evento — digamos, um jogo de futebol que a galera adora —, eles devem conseguir perceber qual notícia tá com um ar mais sério ou traz informações mais completas.
Agora, como eu faço isso em sala? Deixa eu contar pra vocês três atividades que rolam por aqui.
A primeira atividade é bem simples e chama atenção dos meninos porque envolve internet, né? Eu trago dois artigos sobre o mesmo assunto, um de um site confiável e outro de um site mais duvidoso. Pode ser sobre algo que eles curtam, tipo uma banda famosa lançando música nova ou um jogo que vai sair. Da última vez, peguei duas matérias sobre a estreia de um filme de super-herói. O material é só isso: duas impressões das matérias. Divido a turma em grupos de três ou quatro alunos e dou umas perguntas pra guiar: quem escreveu? Quem é a fonte? Tem opinião ou só informação ali? Eu dou uns 30 minutos pra esse trabalho em grupo e depois fazemos uma roda pra discutir. O grupo do João sempre capricha e já encontrou que uma matéria dizia que "fontes confiáveis" confirmaram uma coisa, mas nem citava quem eram essas fontes, enquanto a outra falava que era um rumor sem confirmação. Eles ficam super empolgados em achar esses detalhes.
Outra atividade é usar vídeos. Eu mostro dois vídeos curtos sobre o mesmo tema — pode ser algo local como o trânsito aqui em Goiânia — um de um noticiário tradicional e outro de um youtuber comentando. Cada vídeo tem lá seus cinco minutos. Divido a turma em duplas dessa vez, pra garantir que todos falem e participem ativamente. Depois dos vídeos, cada dupla precisa fazer uma lista com pelo menos três pontos sobre o que acham mais confiável e por quê. Dou uns 20 minutos pra isso e depois a gente conversa todos juntos. Uma vez, a Mariana levantou uma questão ótima: "O cara do YouTube fala como se estivesse contando uma fofoca". Isso gerou uma baita discussão sobre tom de voz e forma como a informação é passada.
A última atividade é uma espécie de projeto semestral onde cada aluno escolhe um assunto que gosta — futebol, música, animais, qualquer coisa — e tem que encontrar três textos sobre isso: um de jornal impresso, outro online e outro da TV ou rádio. Eles fazem isso como dever de casa porque aí têm tempo de procurar com calma. Depois, na escola, cada um apresenta pro resto da turma qual das fontes acha mais confiável e por quê. Esse projeto leva umas duas semanas até todo mundo apresentar, mas vale a pena. Na última edição desse projeto, o Pedro escolheu falar sobre times de futebol e acabou mostrando como as informações às vezes mudam bastante dependendo da fonte. É legal ver como eles crescem com essa atividade.
Bom, acho que a chave pra trabalhar essa habilidade é sempre trazer temas que interessem os meninos e meninas. Eles adoram discutir e acabam levando essas habilidades pra vida toda. Importante também é garantir que as discussões sejam respeitosas e todos tenham chance de falar.
E assim vai... Se alguém tiver outras ideias ou sugestões, tô aqui pra ouvir! Um abraço!
E aí, então, como é que eu vejo que os meninos tão pegando a habilidade na prática? Bom, não é só na prova formal que a gente percebe, né? Quando circulo pela sala e ouço eles discutindo entre si sobre uma notícia que eu trouxe, dá pra notar quem tá começando a desconfiar daquelas manchetes sensacionalistas. Outro dia, tava passando pelas duplas e ouvi a Júlia falando pro Lucas: "Mas olha o jeito que esse site escreve, tudo em caixa alta e com erro de português, deve ser fake". Nesse momento, eu fiquei tranquilo, porque é ali que você vê o aluno usando o que aprendeu.
Outra coisa legal é quando eles começam a explicar um pro outro. O Felipe tava comentando com a Ana: "Eu acho que essa notícia aqui é mais confiável porque veio do site da Prefeitura e tem uma data de quando foi escrita". Aí eu pensei: "Ahá, entendeu o recado!" E é ali, na conversa deles, na forma como eles argumentam e se questionam, que a gente percebe o aprendizado acontecendo.
Mas claro, nem tudo são flores. Os erros mais comuns sempre aparecem. O Pedro, por exemplo, tem mania de acreditar em tudo que tá no Facebook. Ele trouxe uma notícia dizendo que um famoso tinha morrido e quando perguntei onde viu isso ele disse que só leu o título e nem clicou no link. Isso acontece porque a galera acaba confiando demais em informações sem checar direito. Na hora, expliquei pra ele sobre como os títulos chamativos muitas vezes são só pra ganhar clique e que é sempre bom verificar a data da notícia e de onde ela tá vindo.
Outra situação comum é quando os alunos confundem opinião com fato. A Beatriz tava lendo um artigo e disse que era verdade porque tava bem escrito e parecia sério. Aí tive que parar tudo pra mostrar como ele tava cheio de opinião pessoal do autor. Esse erro acontece bastante porque na internet muita informação vem misturada com opinião. Eu costumo voltar pro básico nesses casos, revisando com eles o que é fato e o que é opinião.
Agora falando do Matheus e da Clara... Bom, cada aluno tem sua especificidade e merece nossa atenção especial. O Matheus tem TDAH e manter ele concentrado é sempre um desafio. A estratégia aqui é usar jogos educativos relacionados ao conteúdo pra prender a atenção dele. Uma vez fizemos uma atividade em forma de quiz no celular sobre notícias verdadeiras e falsas, e foi sucesso! Ele amou e acertou várias perguntas. O tempo também precisa ser bem administrado pra ele, então dou intervalos mais curtos durante as atividades longas.
A Clara tem TEA e precisa de uma abordagem mais visual pra entender as coisas. Com ela funciona muito bem usar infográficos ou vídeos curtos sobre o tema. Uma vez mostrei um vídeo simples explicando como identificar fake news e depois fizemos um mural na sala com exemplos reais de notícias verdadeiras e falsas. Ela se engajou tanto que até pediu pra levar uma cartolina pra casa pra continuar o trabalho por conta própria.
Já experimentei algumas coisas que não deram tão certo também. Tipo assim, tentei usar um aplicativo com notificações frequentes de notícias pra ajudar o Matheus a ler mais durante a semana, mas ele acabou se distraindo demais com outras notificações do celular. Com a Clara, já ofereci textos muito longos achando que ela ia gostar de ler mais sobre um assunto específico, mas a leitura extensa acabou confundindo ela um pouco.
Aí tá aí pessoal! É assim que vou lidando com os desafios dessa habilidade EF05LP16 no dia a dia das aulas. Os erros fazem parte do processo de aprendizagem e cabe a nós professores estar atentos e prontos para agir na hora certa. Espero ter ajudado vocês com essas situações práticas e fico por aqui sempre aberto pra trocar mais ideias se precisarem.
Abraço!