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EF07LP14Língua Portuguesa · Ano · Ensino Fundamental - Anos Finais

Identificar, em textos, os efeitos de sentido do uso de estratégias de modalização e argumentatividade.

Análise linguística/semióticaModalização
CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, quando eu penso na habilidade EF07LP14 da BNCC pra galera do 7º ano, eu vejo como um passo a mais pros meninos entenderem como os textos falam com a gente. É como se eles precisassem perceber não só o que a frase tá dizendo, mas também como ela tá dizendo. Eu falo pra eles: imagina que você tá numa festa e alguém te diz "Nossa, essa roupa é bem diferente". Dependendo de como a pessoa fala isso, pode ser um elogio ou uma crítica. A habilidade de modalização e argumentatividade é mais ou menos isso, só que no texto.

O aluno precisa conseguir identificar as intenções por trás das palavras, entender se o texto tá tentando convencer ele de algo, se tá trazendo uma opinião ou então se tá simplesmente apresentando fatos. Quando a gente fala dessas estratégias de modalização, são as palavrinhas que mudam o tom do que tá sendo dito. Tipo o "provavelmente", o "talvez", o "com certeza" e por aí vai. Já a argumentatividade é perceber quando o texto quer argumentar, convencer mesmo.

Agora, lá no 6º ano eles já começam a ter algum contato com isso, mas mais na base do sentir do que entender direitinho. Eles fazem umas leituras e começam a captar quando o texto é mais opinativo ou mais informativo, sabe? Então no 7º ano eu pego essa base e vou aprofundando.

Uma atividade que eu faço bastante é usar manchetes de jornal ou site de notícias. Eu pego umas 10 ou 15 manchetes diferentes e levo pra sala. Uso papel mesmo, recorto tudo e distribuo pra eles em grupos de quatro ou cinco alunos. É coisa rápida, uns 30 minutos. Aí peço pra eles analisarem duas coisas: primeiro, qual dessas manchetes parece ser mais neutra? E qual parece querer convencer o leitor? Isso já abre um monte de discussão boa, porque às vezes uma palavra faz toda a diferença. Uma vez coloquei um trecho sobre uma notícia esportiva em que uma manchete dizia "Time A massacra Time B" e outra "Time A vence com facilidade". A discussão foi longe e quem puxou foi o João: "Professor, 'massacra' não parece demais? Tipo, até parece que foi violento." E os outros começaram a ver como isso mudava o jeito de perceberem a notícia.

Outra atividade que faço é análise de propaganda. Eu levo umas propagandas impressas, daquelas de revista ou mesmo printadas da internet. Coisa simples também. Deixo eles em duplas e dou uns 40 minutos pra discutirem quais palavras na propaganda tão tentando fazer eles comprarem o produto. É muito legal ver a reação deles; eles ficam chocados de perceber como algumas frases são montadas pra seduzir mesmo. Teve uma vez que a Maria apontou numa propaganda de perfume: "Olha aqui, prof! Tá falando 'sinta-se irresistível'. Tá querendo fazer a gente achar que só usando esse perfume vai ser assim!" E eles foram pegando outras palavras e vendo como algumas tinham essa pegada persuasiva.

Uma terceira atividade que rende bastante é criar textos opinativos em oposição a textos informativos sobre o mesmo tema. Por exemplo, escolho um tema que esteja em alta nas notícias da semana – tipo assim, alguma questão ambiental – e divido a turma em dois grupos grandes. Um grupo escreve um texto opinativo e outro um informativo sobre o mesmo assunto. Dou um tempinho maior pra eles, tipo uma aula inteira ou até duas se preciso for. O divertido é depois fazer uma apresentação onde cada grupo lê seu texto e o outro tenta identificar qual era qual só ouvindo a leitura. Na última vez que fiz isso, tinha um grupo falando sobre desmatamento na Amazônia; eles foram super criativos e até fizeram vozes diferentes e tal. O Carlos do grupo informativo fez questão de ler bem sério, aí na hora do debate depois ele comentou: "Aí professor, percebi que quando a gente quer informar mesmo sem dar opinião é melhor não colocar essas palavras tipo 'lamentavelmente' ou 'felizmente', senão vira opinião."

Essas atividades funcionam bem porque saem da teoria e vão direto pra prática; os meninos veem ali como as palavras carregam sentidos além do óbvio e isso dá um clique muito importante neles. No início rola aquela resistência porque parece difícil pegar essas nuances todas, mas depois vão pegando gosto e até começam trazer exemplos próprios pro debate.

E é isso aí pessoal! Lá na sala minha ideia é sempre fazer esse tipo de atividade onde eles interajam bastante com os textos e percebam esses efeitos escondidos nas palavras. Assim eles vão afinando essa leitura crítica tão necessária pro mundo hoje.

Até a próxima!

Agora, como é que eu percebo se os meninos entenderam essa habilidade? Bom, não é só jogando uma prova formal neles, né? Eu vou percebendo no dia a dia, enquanto circulo pela sala, escuto as conversas deles, vejo como eles reagem aos textos. Por exemplo, teve um dia que eu tava passando pelas mesas e ouvi o João explicando pra Maria sobre como um personagem de um texto parecia estar sendo irônico. Ele disse algo tipo "Olha, ele tá falando isso, mas dá pra ver que ele não tá gostando de verdade", e eu pensei: "Aí, o João pegou a ideia!".

Outra situação foi quando a Ana tava lendo um texto e começou a rir sozinha. Fui perguntar o que era e ela me mostrou uma frase em que o autor tava usando o humor pra criticar uma situação. Ela comentou: "Tipo, ele tá zoando, mas tá falando sério também". Aí eu já sei que ela tá sacando essa questão da intenção por trás das palavras. É nesses momentos informais, muitas vezes nas conversas entre eles mesmos ou quando eles fazem essas ligações espontâneas com o que a gente discutiu em aula, que eu vejo que o aprendizado tá acontecendo.

Agora, sobre os erros mais comuns, os meninos às vezes confundem ironia com sarcasmo ou não percebem quando uma expressão tem duplo sentido. Teve um caso da Letícia que leu um texto e achou que o autor tava elogiando uma atitude quando, na verdade, tava criticando de maneira sutil. Ela chegou pra mim e disse "Professor, mas ele falou que é bom eles fazerem isso", e aí a gente parou pra reler juntos e eu mostrei como certas palavras entregavam essa crítica escondida.

Esses erros acontecem porque é uma habilidade bem abstrata, né? Nem sempre é fácil perceber essa subjetividade. Quando pego o erro na hora, tento fazer com que eles voltem ao texto e reflitam sobre o tom e as palavras usadas. Às vezes até faço uma dramatização rápida ou peço pra eles reformularem o que leram de outras maneiras.

E tem o Matheus e a Clara na turma também. O Matheus tem TDAH e a Clara tem TEA, então eu preciso adaptar as coisas pra eles. Pro Matheus, tento estruturar as atividades de forma mais dinâmica e fracionada. Uso cronômetros visuais pra ajudar ele a se concentrar no tempo certo pra cada parte da atividade. Ele funciona melhor quando as tarefas são mais curtas e objetivos claros. E eu sempre incluo pausas planejadas pra ele dar uma respirada.

A Clara já precisa de outro tipo de suporte. Eu tento usar muito material visual com ela, tipo imagens e infográficos, porque isso ajuda na compreensão dela dos conceitos mais abstratos. E eu planejo atividades em grupos pequenos onde ela possa interagir sem tanta pressão social. Uma vez fizemos uma roda de leitura onde cada um tinha que dramatizar um trecho do texto e ela foi super bem quando teve um tempo extra pra se preparar.

Ah, o que não funcionou? Uma vez fiz uma atividade coletiva com todos ao mesmo tempo explicando seus pontos de vista do texto verbalmente; foi muita informação pro Matheus processar de uma vez só. Com a Clara também já tentei usar recursos auditivos sem suporte visual e percebi que não rolou bem.

Bom, no final das contas, é sempre um aprendizado contínuo tanto pra mim quanto pros alunos. Cada dia em sala traz uma nova descoberta sobre como posso ajudá-los a entender melhor os textos e suas nuances. E é isso aí pessoal, continuo por aqui pra trocar ideia sobre esses desafios bacanas da sala de aula! Abraço!

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