Olha, pessoal, essa habilidade EF69LP17 da BNCC é, basicamente, ensinar os meninos a entenderem e analisarem os textos jornalísticos e publicitários. A gente quer que eles percebam aqueles detalhes que fazem diferença, tipo como uma notícia pode parecer imparcial, mas tem todo um jeito de escolher palavras e organizar os eventos. E aí, a gente também entra na questão dos textos publicitários, onde a ideia é eles sacarem como as propagandas usam verbos e palavras pra convencer a gente a comprar alguma coisa. Os meninos precisam entender que não é só ler e pronto, tem um monte de coisa por trás que faz a mensagem ser do jeito que é.
Na prática, eu vejo isso como ajudar os alunos a desenvolver uma espécie de "radar" pra esse tipo de coisa. Eles têm que conseguir olhar pra um texto e perceber se tá tentando convencer, informar ou entreter, e como isso é feito. E é legal porque essa habilidade se conecta com o que eles já vêm aprendendo desde o 5º ano sobre leitura crítica. Antes, eles já começaram a aprender a diferenciar fato de opinião, então agora é aprofundar mais nesse entendimento com esses gêneros específicos.
Agora vou contar umas atividades que eu faço com a galera. A primeira delas é um exercício bem interessante que chamo de "Caça ao Sensacionalismo". Eu pego algumas manchetes de jornais sensacionalistas e outras de jornais mais tradicionais e levo pra sala. Imprimo essas manchetes em papel mesmo, pra deixar tudo bem visual. Divido a turma em grupos de quatro ou cinco alunos e dou 10 minutos pra eles discutirem entre si quais manchetes são sensacionalistas e quais são mais informativas. Depois disso, a gente faz uma discussão geral onde cada grupo explica suas escolhas. Na última vez que fizemos isso, o João ficou indignado porque uma manchete sobre extraterrestres era totalmente inventada, mas com palavras tão chamativas que dava vontade de acreditar. Essa atividade leva uns 30 minutos no total.
Outra atividade que sempre rende é a "Análise de Anúncios", onde a gente trabalha com propagandas impressas ou mesmo comerciais curtos acessados pelo celular (com o som baixo pra não atrapalhar). Eu peço pra cada aluno trazer um exemplo de propaganda que goste ou ache interessante. Aí nós assistimos ou olhamos cada um deles em duplas e analisamos os elementos persuasivos: qual é o verbo principal usado? Como as imagens ajudam na mensagem? Tem alguma metáfora? O desafio é eles identificarem essas estratégias e depois apresentarem pros colegas. Da última vez, a Maria trouxe uma propaganda de chocolate que usava muito o humor, e ela mesma disse depois: "Agora entendi porque sempre caio nesses comerciais!". Essa atividade toma uns 50 minutos.
A última atividade que eu costumo fazer se chama "Notícia do Futuro". Aqui eu dou uma notícia verdadeira, mas os meninos têm que reescrever ela como se fosse acontecer no futuro. Eles têm que mudar todos os verbos para o tempo futuro e ainda fazer com que pareça uma notícia argumentativa sobre as possíveis consequências daquele evento. A gente usa notícias simples, do dia a dia, nada muito pesado. A turma se divide em duplas ou trios e cada grupo trabalha com uma notícia diferente por cerca de 20 minutos. Depois disso, partimos para uma rodada de leitura em voz alta das notícias reescritas. Na última vez que fizemos isso, o Carlos e o Lucas transformaram uma notícia sobre reciclagem numa previsão onde todo mundo do futuro vai morar em casas feitas só com material reciclado. E foi engraçado porque eles usaram expressões bem típicas de jornal pra deixar tudo mais formal.
Essas atividades ajudam muito porque trazem o aprendizado pra perto da realidade deles. Eles começam a ver o mundo ao redor com outros olhos, pensando no que tá por trás das palavras que leem ou escutam. E olha, não dá pra negar que ver esse insight acontecendo na cabeça deles é muito gratificante. A gente termina as aulas com discussões ótimas e até aqueles alunos mais quietos acabam participando bastante quando percebem que entender essas coisas faz parte do dia a dia deles também.
Bom gente, por hoje é isso! Espero ter ajudado aí quem tá buscando ideias pra trabalhar essa habilidade na sala de aula. Se alguém tiver mais sugestões ou quiser compartilhar experiências também, tô por aqui!
Bom, falando de como a gente percebe que os meninos aprenderam, é algo que não dá pra medir só com prova formal, né? No dia a dia, quando tô circulando pela sala e fico de ouvido atento pras conversas, é onde o aprendizado realmente aparece. Tipo, às vezes tô ali só observando e vejo a Maria explicando pro João que uma manchete pode mudar a impressão que a gente tem sobre uma notícia. Aí eu penso: "Ah, essa aí entendeu." Outro dia mesmo, tava ouvindo o Lucas e a Ana discutindo sobre uma propaganda de refrigerante e como a escolha das cores e das palavras fazia parecer que aquele era o melhor refrigerante do mundo. Fiquei só na minha, mas por dentro pensei: "É isso, eles pegaram o espírito da coisa."
Às vezes também rola de eu lançar uma pergunta no meio da aula e ver quem consegue responder com algo mais além do óbvio. Tipo assim, quando falo "Por que vocês acham que essa propaganda usou essa palavra específica aqui?" e vejo um aluno como o Pedro se levantar e explicar que é pra criar um senso de urgência. O jeito como ele fala, com confiança e clareza, me mostra que ele sacou o conteúdo.
Agora, sobre os erros mais comuns... Ah, tem de monte. Tipo aquele erro de achar que todo texto jornalístico é imparcial só porque tá num jornal ou num site conhecido. Peguei o Gabriel outro dia dizendo que "se tá no jornal é verdade absoluta". Aí tive que puxar ele de canto e mostrar algumas manchetes diferentes sobre o mesmo evento. Quando ele viu como cada uma apresentava o fato de um jeito diferente, caiu a ficha.
Na parte dos textos publicitários, muitos ainda focam só na imagem e esquecem do texto. A Júlia vira e mexe vinha com análise dizendo "Ah, a imagem é bonita". Tive que incentivá-la a ler o slogan, prestar atenção nos verbos usados. Mostrei pra ela como um verbo como "compre" ou "experimente" não tá lá à toa.
Sobre lidar com o Matheus e a Clara, olha... é um desafio bom. O Matheus tem TDAH e precisa de um pouco mais de estrutura. Então, sempre passo atividades divididas por etapas pra ele. Tipo assim: primeiro lê o texto; depois faz uma lista do que achou importante; por último escreve a análise. E dou sempre um tempo extra porque ele se distrai fácil. O que não funcionou foi deixar ele em atividades muito abertas porque aí ele se perde.
A Clara tem TEA e eu percebi que ela se beneficia muito de tarefas visuais. Então, uso sempre mapas mentais ou esquemas coloridos pra ajudá-la a organizar as ideias. Ela fica super concentrada quando pode usar essas ferramentas e ainda gosta de compartilhar o resultado com os colegas. O que não deu certo foi tentar forçar ela a trabalhar em grupo sem ela querer; precisei ir aos poucos até encontrar um jeito dela se sentir confortável.
Enfim, pessoal, cada dia na sala é uma nova descoberta. Acho que o segredo é estar sempre aberto pra observar e adaptar tudo conforme cada aluno, né? Bom, fico por aqui, mas adoraria saber como vocês lidam com essas situações nas salas de vocês também!