Olha, essa habilidade EF69LP45 da BNCC, vou te contar, é uma daquelas que a gente olha e pensa: "Cara, como é que eu vou trabalhar isso com os meninos do 6º ano?" Mas a verdade é que, quando a gente descomplica, fica bem legal de fazer. Na prática, essa habilidade tá falando sobre ensinar os alunos a lerem coisas como as sinopses de filmes, resenhas críticas de livros, comentários em blogs culturais, e não só entender o que tá escrito ali, mas também ter uma opinião a respeito disso. É ensinar a galera a pensar se aquilo que tão lendo faz sentido, se concordam ou não, e se aquilo vale a pena pra escolher ver um filme ou ler um livro, por exemplo.
Os alunos já chegam da série anterior tendo visto algumas coisas sobre gêneros textuais. Eles já sabem diferenciar uma narrativa de uma descrição e por aí vai. Então, eles têm uma base pra entender o que é uma sequência descritiva e o que é uma avaliativa. O desafio dessa habilidade é levá-los um passo além: em vez de só identificar o que é uma descrição ou uma avaliação, eles têm que perceber o impacto disso na hora de decidir se vão assistir aquele filme ou ler aquele livro. Tipo assim, eles precisam saber fazer escolhas mais conscientes e críticas.
Agora, falando das atividades que eu faço na sala de aula pra trabalhar essa habilidade: tem três que eu gosto bastante e que a galera sempre participa bem.
A primeira é a análise de quarta-capa de livros. Eu levo alguns livros pra sala (costumo pegar emprestado na biblioteca da escola mesmo) e divido os alunos em grupos pequenos, tipo quatro ou cinco no máximo. Cada grupo fica com um livro e precisa ler a quarta-capa. Aí eu peço pra eles discutirem entre si: "O que esse texto diz sobre o livro? Vocês acham que vale a pena ler? Por quê?" Costuma levar uns 30 a 40 minutos essa atividade toda. Na última vez que fizemos isso, a Maria Clara levantou uma questão ótima sobre um dos livros: ela percebeu que a quarta-capa tava prometendo uma aventura super empolgante, mas que na verdade era meio enganosa porque o livro era mais sobre filosofia do que ação. Isso gerou uma discussão legal sobre como nem sempre as sinopses são confiáveis.
Outra atividade bacana é a análise de resenhas críticas. Aí eu imprimo algumas resenhas de filmes que os meninos conhecem ou já ouviram falar (costumo pegar da internet, nada muito longo). Faço um mix de resenhas positivas e negativas e dou umas duas ou três pra cada grupo. Eles têm que ler e depois eu peço pra cada grupo apresentar o filme pro resto da turma: "Vocês assistiriam esse filme baseado nessa resenha? Por quê?" Demora mais ou menos uns 50 minutos todo esse processo. Na última vez que fizemos isso, o João Pedro ficou surpreso ao perceber como ele tava sendo influenciado só pelo tom da resenha — ele comentou algo tipo "Nossa, eu achei que ia gostar do filme só porque tava escrito de um jeito legal". Foi bem interessante porque ele se deu conta do poder das palavras numa crítica.
A terceira atividade é focada nos comentários em blogs ou vlogs culturais. Eu peço pros alunos trazerem escritos ou impressos comentários que acharam na internet sobre músicas, filmes ou séries. A ideia é fazer eles analisarem se concordam com aqueles comentários e por quê. Aqui eu costumo fazer individualmente primeiro e depois abro pra discussão em toda a turma. Essa leva entre 40 e 45 minutos. Lembro da última vez que fizemos isso, o Lucas trouxe um comentário sobre um lançamento musical recente e falou: "Esse cara aqui tá falando mal só porque não gosta do estilo musical", o que abriu caminho pra conversarmos sobre gosto pessoal versus crítica embasada.
O resultado dessas atividades sempre me deixa animado porque vejo os meninos crescendo nesse sentido. Eles começam a perceber mais nuances nos textos críticos e desenvolvem um olhar mais aguçado pro consumo cultural deles próprios. É gratificante ver essa evolução acontecendo dentro da sala.
Bom, então é isso. Trabalhar essa habilidade pode parecer complicado no papel da BNCC, mas quando a gente traz pro cotidiano da sala e faz essas conexões com o universo deles, fica tudo mais interessante e produtivo. E vocês aí? Como têm trabalhado essa habilidade? Alguma ideia bacana pra compartilhar?
Aí, gente, vou continuar o que eu tava dizendo sobre essa habilidade EF69LP45. Já falei das atividades que eu curto fazer, né? Agora, vou contar como eu percebo que os alunos tão começando a pegar a ideia, sem precisar meter uma prova formal no meio. Pra mim, o termômetro mesmo é o dia a dia na sala de aula, quando tô circulando por ali ou quando escuto as conversas deles.
Por exemplo, tem uma hora na atividade em grupo que é muito reveladora. Tipo assim, tô andando pela sala enquanto eles tão discutindo um texto. Aí escuto a Júlia falando pro Pedro: "Olha, eu acho que esse filme aí que a resenha tá falando não parece ser tão legal porque o crítico disse que o roteiro é meio fraco". Quando eu ouço esse tipo de comentário, já fico todo feliz porque a Júlia não só entendeu o que tá no texto, mas também começou a formar uma opinião própria.
Outro momento bacana é quando um aluno explica alguma coisa pro outro. Isso acontece direto com o Lucas e a Ana. Tinha uma sinopse de livro que a gente tava lendo e a Ana tava meio perdida. O Lucas virou pra ela e disse: "Ana, aqui ó, ele tá falando que o personagem principal passa por várias dificuldades pra aprender uma lição de vida. Então, ele tá querendo dizer que o livro é mais sobre crescimento pessoal". Aí você vê que quem explica tá entendendo bem mais do que só decorar conteúdo, né?
Agora vamos falar dos erros comuns. Olha, todo ano tem uns padrões. O Gabriel é um exemplo clássico. Ele lê um texto e tenta achar a resposta de bate-pronto, sem realmente parar pra pensar no que leu. Um dia ele veio com uma opinião sobre uma crítica de filme que não tinha nada a ver com o texto. A crítica dizia que o filme era ótimo pelas atuações e ele falou que era ruim por causa do roteiro, mas não tinha nada disso no texto. Isso acontece porque ele tá com pressa de terminar e acaba não prestando atenção nos detalhes.
A Maria tem um probleminha diferente. Ela entende bem o texto, mas quando vai dar a opinião dela, só repete o que leu sem adicionar nada novo. Tipo papagaio mesmo. Isso é comum porque às vezes eles acham que dar opinião significa concordar com tudo que tá no texto. Quando vejo isso acontecendo na hora, tento puxar os alunos pra se aprofundarem um pouco mais: "Maria, você concorda mesmo com tudo isso ou tem algo mais que gostaria de acrescentar?"
Agora, sobre o Matheus e a Clara... Eles são uns queridos na minha turma. A gente sabe que o Matheus tem TDAH e a Clara tem TEA, então eu sempre tento adaptar as atividades pra eles se sentirem incluídos e conseguirem acompanhar no ritmo deles.
Pro Matheus, eu sempre deixo as instruções bem claras e simples. Ele se perde fácil quando tem muita informação de uma vez só. Às vezes dou pra ele uma folha com tópicos do que ele precisa focar naquela aula específica. E sempre faço pequenas pausas nas explicações longas pra checar se ele tá acompanhando. Uma coisa que funcionou foi usar áudios pra ele ouvir resenhas em vez de só ler, assim ele se concentra melhor.
Já com a Clara, o desafio é diferente. Ela precisa de um pouco mais de estrutura e previsibilidade nas atividades. Então eu sempre aviso com antecedência como vai ser a aula e o que ela pode esperar de cada passo. Uso muitos recursos visuais, como desenhos ou esquemas da estrutura do texto que vamos trabalhar. Pra ela, funciona muito bem dar exemplos concretos antes da atividade começar.
Ah! Não posso esquecer dos fones de ouvido antirruído pro Matheus quando o barulho da sala atrapalha demais. Prova disso foi numa atividade em grupo onde ele tava super agitado por causa do barulho e depois de colocar os fones ele conseguiu focar bem melhor na tarefa.
Bom, galera, acho que é isso por hoje. Espero ter ajudado com algumas ideias e trocas de experiências aí sobre como perceber quando os alunos tão realmente aprendendo e como lidar com os desafios especiais na sala de aula. Vou nessa! Abraços!