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EF69LP47Língua Portuguesa · Ano · Ensino Fundamental - Anos Finais

Analisar, em textos narrativos ficcionais, as diferentes formas de composição próprias de cada gênero, os recursos coesivos que constroem a passagem do tempo e articulam suas partes, a escolha lexical típica de cada gênero para a caracterização dos cenários e dos personagens e os efeitos de sentido decorrentes dos tempos verbais, dos tipos de discurso, dos verbos de enunciação e das variedades linguísticas (no discurso direto, se houver) empregados, identificando o enredo e o foco narrativo e percebendo como se estrutura a narrativa nos diferentes gêneros e os efeitos de sentido decorrentes do foco narrativo típico de cada gênero, da caracterização dos espaços físico e psicológico e dos tempos cronológico e psicológico, das diferentes vozes no texto (do narrador, de personagens em discurso direto e indireto), do uso de pontuação expressiva, palavras e expressões conotativas e processos figurativos e do uso de recursos linguístico-gramaticais próprios a cada gênero narrativo.

Análise linguística/semióticaReconstrução da textualidade e compreensão dos efeitos de sentidos provocados pelos usos de recursos linguísticos e multissemióticos
CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, gente, falar dessa habilidade EF69LP47 da BNCC é basicamente entrar na essência do gênero narrativo com a galera do 6º ano. Imagina a cena: você tá lá ensinando os meninos a não só ler um texto, mas a mergulhar nele, entender que cada gênero tem sua forma de contar uma história. A ideia é eles sacarem como o tempo passa num texto, como as palavras são escolhidas pra criar um clima, e como tudo isso afeta o que o leitor entende. É como mostrar que cada história é construída com peças específicas, tipo um Lego. Antes disso, eles já vinham pegando a noção do básico de gêneros textuais, mas agora é hora de aprofundar.

Primeiro, tem a tarefa de explorar as formas de compor cada gênero. Tipo: ler um conto e ver como ele é diferente de uma crônica. Eles precisam perceber que num conto o ritmo é mais dinâmico, enquanto numa crônica a linguagem pode ser mais próxima da nossa conversa do dia-a-dia. Eu gosto de fazer isso usando trechos bem curtinhos, pra não sobrecarregar a turma logo de cara.

Outra parte essencial é entender como as histórias usam o tempo. Tem texto que faz a gente viajar no tempo com flashbacks ou até dando um salto pro futuro. A Sofia, uma aluna minha, esses dias sacou que o narrador pode brincar com o tempo e isso muda tudo na nossa cabeça. Ela falou: "Tipo assim, profe, quando ele volta pro passado, parece que quer explicar melhor o presente." Isso aí é perceber o tempo psicológico versus o cronológico.

E claro, os meninos têm que identificar quem é que tá falando no texto. Pode ser o narrador que sabe de tudo ou um personagem meio perdido contando a própria história. E como isso muda a visão que temos da narrativa? É uma investigação! O Marcos outro dia percebeu que quando o personagem principal narra, a gente só vê a história pela visão dele e às vezes nem sempre dá pra confiar 100%.

Agora vou contar três atividades práticas que rolam lá na sala pra trabalhar tudo isso de um jeito bacana:

Primeira atividade: uso uma coletânea de contos curtos, simples mesmo. Divido a turma em grupos de 4 ou 5 alunos pra cada grupo pegar um conto diferente. Damos uma lida ali em sala mesmo (uns 30 min) e depois peço pra eles destacarem os verbos no passado e no presente, quem tá narrando e se tem alguma variação no tempo da história. Aí já dá pra começar a analisar os efeitos disso tudo. Numa dessas atividades, o João teve um clique quando percebeu que o tempo da história era rapidinho, mas os sentimentos do personagem davam uma profundidade maior. Ele comentou algo tipo: "Acho que ele tá lembrando rápido porque ficou marcado demais."

Segunda atividade: gosto de usar filmes ou séries curtas pra ilustrar mudança de cenário e tempo. Escolho algo que tenha acesso fácil online ou algo na Netflix (com autorização da escola). Assistimos umas cenas chave (uns 20 minutos) e depois peço pra reescreverem aquela cena em forma de texto narrativo. Eles precisam escolher bem as palavras pra descrever ambiente e personagem. Quando fizemos isso com "Stranger Things", foi interessante ver como cada um escolheu descrever o clima sombrio da floresta e a casa dos Byers - cada aluno focou em detalhes diferentes como o vento ou os retratos na parede.

Por fim, terceira atividade: leitura dramática de um diálogo fictício qualquer. Dou um texto onde dois personagens falam sobre algo importante que aconteceu (inventado por mim ou adaptado de algum livro). A turma lê em duplas e depois discutimos como a pontuação e as escolhas das palavras impactam no sentido do diálogo e na emoção dos personagens. Da última vez, usei uma cena sobre dois amigos discutindo se deviam contar um segredo pra turma toda. A reação foi ótima porque o Ricardo leu numa entonação tão dramática que fez até a Mariana rir sem parar - mas ao mesmo tempo entenderam como mudar uma palavrazinha pode deixar tudo mais sério ou até engraçado.

Essas atividades são maneiras de fazer os meninos explorarem bem essa habilidade na prática, é vê-los se apropriando do texto de verdade e não só lendo por ler. E assim vamos indo, construindo juntos esse conhecimento pouco a pouco. É sempre um desafio, mas ver eles pegando o jeito não tem preço!

e agora a gente tá aprofundando. Aí, na sala de aula, eu vou vendo que eles aprenderam de uns jeitos que nem sempre são óbvios. Sabe quando você tá circulando entre as mesas e escuta a conversa dos meninos sobre o que tão lendo? É aí que você percebe.

Outro dia, tava lá o João e a Maria discutindo uma historinha que a gente tinha lido. O João falou assim: "Ah, mas eu acho que quando o autor disse tal coisa, ele queria fazer a gente sentir medo, tipo quando ele descreveu a tempestade, entendeu?". E a Maria respondeu: "Verdade, é como se o autor pegasse uma peça de Lego e jogasse no meio do castelo pra tudo mudar". Nesse momento eu pensei: "Ah, esses entenderam". Sem precisar de prova, é esse tipo de interação que mostra que os conceitos têm ressoado.

E tem também quando um aluno explica pro outro. Vi isso num trabalho em dupla que propus. O Pedro tava com dificuldade de entender como o tempo passava na narrativa. Aí o Lucas virou pra ele e disse: "Imagina que a história é um filme, aí cada parágrafo é uma cena diferente. Sacou?". A cara do Pedro iluminou na hora. Quando vejo essas pequenas luzes acendendo nas cabeças deles, é sinal de que tão pegando a ideia.

Mas, claro, nem tudo são flores. Tem uns erros que vejo a galera cometendo direto. Tipo assim, o Vinícius sempre confunde narração com descrição. Ele lê um parágrafo super detalhado sobre o lugar onde acontece a história e acha que aquilo ali tá movimentando o tempo da narrativa. Tenho que ficar de olho e explicar de novo: "Vinícius, pensa assim: a narração é como se você estivesse contando os lances de um jogo de futebol, enquanto a descrição é só o cenário".

E com a Ana é outra história. Ela às vezes se perde na sequência dos eventos. Sabe quando a gente lê e fica parecendo que tá vendo um filme todo bagunçado? Pois é! Isso acontece muito porque ela não percebe algumas pistas ocultas no texto sobre a ordem dos acontecimentos. Quando pego isso no ato, chamo ela e pergunto: "Vamos voltar aqui, o que aconteceu primeiro?". Aí ela vai ajustando as peças.

Agora, lidar com o Matheus e a Clara requer um pouco mais de adaptação. O Matheus tem TDAH e precisa de atividades mais dinâmicas pra manter o foco. Eu tento usar bastante material visual e dividir as atividades em etapas menores. Por exemplo, quando a gente tá discutindo um texto, eu peço pra ele desenhar as cenas do jeito que imagina. Isso ajuda ele a se concentrar porque torna a leitura mais ativa.

Já com a Clara, que tem TEA, é diferente. Ela precisa de previsibilidade e clareza nas instruções. Eu costumo montar um roteiro do que vamos fazer no dia e deixo com ela desde o início da aula. E olha, tá funcionando! Outro dia fizemos uma atividade onde montávamos nosso próprio conto usando quadrinhos (aqueles tipo HQ). Ajuda muito ela ver as sequências visuais e entender melhor o fluxo da história.

Por outro lado, já tentei usar áudios para ajudar o Matheus enquanto lê, mas percebi que ele fica ainda mais disperso com isso. Com a Clara, tentei jogos mais abstratos pra estimular a criatividade dela com as narrativas, mas não deu muito certo. Ela fica bem mais confortável com tarefas estruturadas.

Bom, gente, é isso aí! Cada dia na sala de aula traz novos desafios e aprendizados – tanto pros meninos quanto pra mim! Espero que compartilhar essas experiências ajude vocês também com suas turmas. Se alguém tiver dicas ou quiser trocar ideia sobre essas estratégias, tamo junto!

Até mais!

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