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EF69LP23Língua Portuguesa · Ano · Ensino Fundamental - Anos Finais

Contribuir com a escrita de textos normativos, quando houver esse tipo de demanda na escola – regimentos e estatutos de organizações da sociedade civil do âmbito da atuação das crianças e jovens (grêmio livre, clubes de leitura, associações culturais etc.) – e de regras e regulamentos nos vários âmbitos da escola – campeonatos, festivais, regras de convivência etc., levando em conta o contexto de produção e as características dos gêneros em questão.

Produção de textosTextualização, revisão e edição
CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, pessoal, essa habilidade EF69LP23 da BNCC é uma daquelas que a gente tem que desdobrar um pouco pra entender direitinho o que é esperado dos nossos alunos. Ela fala sobre os meninos contribuírem na escrita de textos normativos, como regimentos e regras de convivência na escola. Na prática, isso quer dizer que eles precisam aprender a escrever documentos que vão ajudar a organizar a bagunça, digamos assim. Então, se tiver uma eleição do grêmio ou um campeonato de futsal, por exemplo, a molecada tem que saber criar os regulamentos, pensar nas regras, escrever de forma clara e direta.

Quando eu penso nessa habilidade, vejo que é uma continuação do que eles já começaram a aprender no 5º ano. Lá eles já estavam escrevendo textos mais simples, tipo cartas e bilhetes, e já tinham uma noção de como organizar as ideias no papel. Agora no 6º ano, a gente aprofunda isso com textos mais formais e mais organizados. A ideia é que eles consigam pensar em como cada regra ou norma vai ser aplicada lá na prática mesmo. Não adianta escrever um monte de regra bonita se ninguém vai seguir ou se ninguém entende o que tá escrito.

Então, vou contar como eu tenho trabalhado isso com a minha turma. A primeira atividade que eu sempre faço é uma espécie de debate sobre o que são regras e por que elas são importantes. Eu não preciso de muito material pra isso, só um quadro branco e algumas canetas coloridas pra anotar as ideias deles. Divido a turma em pequenos grupos e dou uns 30 minutos pra eles conversarem. Depois, cada grupo apresenta pro restante da sala o que discutiram. Da última vez que fiz isso, o Lucas e a Ana Clara acabaram debatendo sobre a importância de regras nos jogos do recreio. O Lucas achava que tinha muita regra chata e a Ana Clara dizia que as regras evitavam briga. No fim das contas, eles perceberam que dá pra ter meio termo e trabalharam juntos pra sugerir algumas mudanças.

Depois dessa introdução, passo pra uma segunda atividade onde os alunos criam regras pra um campeonato fictício de algum esporte ou atividade. Aqui eu levo um papel grande, tipo cartolina, pros grupos escreverem as ideias. Dou cerca de 50 minutos porque eles precisam discutir quais regras são essenciais e quais podem ser flexíveis. É legal ver como nessa hora eles começam a pensar nos detalhes, tipo horário dos jogos ou critérios de desempate. Numa dessas atividades o João Pedro insistiu em colocar uma regra sobre o tempo de cada partida porque ele ama futebol e não queria deixar nenhuma brecha pra confusão. E olha só: ele mesmo anotou tudo direitinho na cartolina e até desenhou umas pequenas tabelas pra ilustrar.

A última atividade é quando a coisa fica um pouco mais séria: a gente faz uma simulação de assembleia pra aprovar essas regras que eles criaram. A sala vira meio que um mini parlamento. Uso um microfone (daqueles simples) pra dar mais realidade. Cada grupo apresenta suas regras para os outros e aí começa a discussão de verdade: eles podem criticar, sugerir mudanças ou aprovar como tá. Essa parte leva mais tempo, cerca de 1 hora e meia porque quero garantir que todos tenham chance de falar e argumentar suas ideias.

Um momento marcante foi quando a Mariana apresentou as regras pro campeonato de vôlei e o Gabriel questionou algumas coisas tipo o tamanho da quadra (que ela tinha anotado errado). Eles tiveram uma discussão super produtiva onde cada um trouxe suas experiências pessoais (o Gabriel joga vôlei em casa com os irmãos) pra chegar num consenso sobre o melhor tamanho da quadra.

Os meninos reagem muito bem às atividades porque acabam se sentindo parte do processo todo. Eles veem que suas opiniões importam e isso faz muita diferença na forma como encaram as aulas depois disso. Outro ponto interessante é perceber como cada aluno tem seu jeitinho na hora de escrever as normas: alguns são mais detalhistas, outros mais práticos.

Bom, pessoal, trabalhando dessa forma eu vejo que os alunos começam a entender o valor das normas não só na escola mas também fora dela. Eles estão aprendendo a tomar decisões em grupo respeitando as opiniões dos colegas enquanto desenvolvem habilidades essenciais como argumentação e escrita formal. E olha só: muitas vezes acabam levando essas discussões pra casa, pros amigos ou pros próprios professores das outras matérias! É um aprendizado que vai muito além da sala de aula.

E é isso aí! Espero ter ajudado com alguma ideia ou inspirado vocês a tentarem algo parecido na sala de aula. Se alguém tiver outra abordagem sobre essa habilidade ou quiser compartilhar experiências também, vou adorar ouvir! Valeu!

Quando eu quero saber se os meninos realmente entenderam essa habilidade sem fazer uma prova formal, é tudo uma questão de observação. Na aula, enquanto eles estão lá escrevendo, eu vou circulando pela sala. Aí, você começa a pegar as nuances. Por exemplo, quando o Pedro vira pro Marcelo e diz assim: "Cara, isso aqui não tá claro. Como a gente vai garantir que todo mundo entenda essa regra do jeito certo?" Aí é aquele momento que eu penso: "Ah, o Pedro captou a mensagem!" Esse tipo de questionamento mostra que ele entendeu a importância da clareza na escrita. Ou quando a Júlia se oferece pra explicar pra Mariana como organizar as ideias antes de escrever, porque "senão ninguém vai seguir isso aqui". Isso também é um sinal claro de que ela sacou o lance da estrutura e organização das ideias.

Um erro comum que vejo é a galera achar que tudo precisa ser super formal e cheio de palavras difíceis. O Caio, por exemplo, uma vez escreveu um regulamento cheio de "considerando que" e "conforme o exposto". E eu sei que ele achou que tava arrasando! Então, eu tenho que explicar que a intenção é ser direto e acessível. Digo: "Caio, pensa assim, se a sua avó lesse isso aqui, ela entenderia? A ideia é usar uma linguagem que qualquer um possa pegar e seguir". Outro erro é a questão das regras serem muito amplas e deixarem brechas. Teve vez que a Luana tava escrevendo sobre um campeonato de vôlei e disse: "A equipe deve comparecer". Aí eu pergunto: "Que horas? Onde exatamente? Precisa trazer alguma coisa?" E ela percebeu que tinha deixado espaço pra dúvidas. Isso acontece porque muitos ainda não têm essa prática de pensar no leitor, no cara que vai pegar o texto e tentar entender tudo sem precisar perguntar depois.

Agora com o Matheus, que tem TDAH, e a Clara, que tem TEA, eu faço algumas adaptações nas atividades. Com o Matheus, por exemplo, eu uso fichas visuais para ajudar na organização das ideias. Tipo, cartões com passos: "1. Pense na regra", "2. Escreva por que ela existe", "3. Como ela deve ser aplicada". Isso ajuda ele a manter o foco e ir seguindo sem se perder. Também procuro dar intervalos mais curtos entre as atividades pra ele não ficar muito ansioso ou disperso.

Já com a Clara, que tem TEA, a coisa vai mais no sentido de rotina e previsibilidade. Eu sempre aviso com antecedência quando vamos mudar de atividade ou fazer algo diferente do habitual. Outra coisa é dar tempo extra pra ela processar as informações. Funciona bem usar exemplos concretos e visuais. Tem vezes que os textos dela são muito literais ou faltam detalhes, então trabalhamos juntos em como incluir esses detalhes sem fugir do contexto.

Uma coisa que tentei com os dois foi colocar música instrumental de fundo na hora das atividades escritas, mas não rolou bem com o Matheus. Ele acabou ficando mais agitado do que concentrado. Já pra Clara ajudou bastante na concentração dela.

Enfim, são essas trocas do dia a dia que ajudam a gente a perceber como tá sendo o aprendizado real dos alunos. E cada turma é uma turma, né? O jeito é ir ajustando conforme eles vão dando sinais do que funciona ou não.

Então é isso aí pessoal, espero ter dado uma ideia de como esse aprendizado acontece fora daquelas provas formais. Qualquer coisa estamos aqui pra trocar mais ideias e experiências! Até mais!

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