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EM13LGG303Linguagens e suas Tecnologias · 2º EM Ano · Ensino Médio

Debater questões polêmicas de relevância social, analisando diferentes argumentos e opiniões, para formular, negociar e sustentar posições, frente à análise de perspectivas distintas.

CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha só, pessoal, se tem uma coisa que eu acho bacana na BNCC é como ela faz a gente pensar em como preparar os alunos pro mundo de verdade. Aquela habilidade EM13LGG303, que fala de debater questões polêmicas, é um baita exemplo disso. Traduzindo pra vida real, a ideia é ajudar os meninos a lidarem com temas que não têm resposta certa, entender diferentes pontos de vista e, principalmente, conseguirem argumentar e defender o que eles acreditam. É tipo preparar eles pro boteco, pra reunião de trabalho, pro almoço em família. Porque a vida tá cheia dessas questões polêmicas, né?

Lá no segundo ano do ensino médio, a galera já vem com uma bagagem do primeiro ano. Eles já sabem identificar argumentos mais básicos e começaram a ver como um debate funciona. Mas agora é aprofundar. E não é só falar "eu acho", tem que sustentar com argumento bom, entender o outro lado, e quem sabe até mudar de ideia. Eu sempre falo: "vocês têm que ser advogados das suas próprias ideias!". A habilidade está aí pra ajudar a formar cidadãos críticos e conscientes.

Agora vou contar como a gente trabalha isso na aula. Eu gosto de fazer três atividades principais que dão conta do recado.

A primeira atividade é um debate formal. Eu divido a classe em grupos de quatro ou cinco alunos e escolho um tema que tá na boca do povo. Na última vez, usei a questão dos aplicativos de transporte e como eles impactam o trânsito e o emprego na cidade. É algo que eles vivenciam no dia a dia, né? Aí pego uns artigos de opinião bem simples, que tiro da internet mesmo, prós e contras sobre o tema e dou pra eles lerem. Cada grupo tem que se preparar pra defender um lado da questão. Isso leva umas duas aulas pra eles prepararem os argumentos.

Na hora do debate, as coisas ficam interessantes! Um grupo vai lá na frente da turma defender seu lado, outro grupo faz perguntas ou contesta os argumentos. É engraçado como tem aluno que se descobre nessa hora. Lembro do Felipe, que era super tímido e acabou dando show defendendo o uso dos aplicativos como uma oportunidade de renda extra pra quem tá desempregado. A turma vibra junto e no final a gente faz uma reflexão sobre os argumentos apresentados, o que poderiam melhorar e tal. Isso consome umas três aulas no total.

Outra atividade legal é o "jogo das perspectivas". Funciona assim: a gente escolhe um tema – da última vez foi sobre cotas em universidades –, e eu dou um pedaço de papel com uma perspectiva diferente pra cada aluno. Tem desde o ponto de vista do aluno cotista até o do professor universitário que é contra as cotas por acreditar que elas diminuem o mérito acadêmico. Cada aluno lê sua perspectiva e aí começa o jogo: eles precisam conversar com pelo menos cinco colegas diferentes, explicar sua perspectiva e ouvir as dos outros.

Eles têm uns 15 minutos pra essa troca toda, depois voltam pro lugar deles e escrevem uma pequena reflexão sobre como foi essa troca e se mudaram ou não suas opiniões. Essa atividade é rapidinha – coisa de uma aula –, mas é incrível ver como alguns se surpreendem com perspectivas que nunca tinham considerado. Da última vez, a Ana Clara comentou comigo que entendeu melhor porque alguns pais são contra as cotas mesmo sem serem preconceituosos.

A terceira atividade é a produção de um texto argumentativo sobre um tema contemporâneo. Aqui não tem muito mistério: eles escolhem entre alguns temas que a gente já discutiu em sala ou propõem um tema novo, pesquisam por conta própria durante uma semana e aí produzem o texto em casa ou na sala de informática da escola. Eu dou umas dicas de estrutura (introdução clara, desenvolvimento com pelo menos 3 argumentos bem sustentados e conclusão), mas deixo eles livres pra colocarem sua voz no texto.

O interessante é depois na hora da devolutiva individual – leio os textos e dou feedback personalizado pra cada aluno. Muitos têm dificuldade em sustentar coerentemente seus argumentos no começo, mas vão melhorando com o tempo. O Lucas, por exemplo, escreveu sobre legalização das drogas e trouxe uns dados interessantes que eu mesmo não conhecia; foi legal ver ele crescendo nesse aspecto crítico.

No fim das contas, o importante aqui é proporcionar um espaço seguro pra galera experimentar argumentar sem medo de errar – porque errar faz parte do aprendizado também! E olha, ver eles evoluindo nisso ao longo do semestre é gratificante demais. Bom demais ver esses meninos virando adultos pensantes! Enfim, espero ter dado umas ideias úteis aí pro pessoal! Bora continuar compartilhando experiências!

Lá no segundo ano, quando a gente começa a trabalhar essa habilidade, eu sempre fico de olho em como os meninos interagem uns com os outros. Aí, tipo, sem precisar aplicar prova formal, eu percebo que o aluno entendeu quando ele começa a se expressar melhor durante as discussões. Por exemplo, quando estou andando pela sala e eles estão discutindo em grupos, eu vejo que eles começam a usar aqueles argumentos que trabalhamos nas atividades. Quando o João, por exemplo, vira pro amigo e fala: "Cara, mas se você pensar pelo lado do meio ambiente, isso que você tá falando tem um impacto grande", aí eu penso: "Ah, esse pegou o jeito!".

Outra coisa legal é quando o aluno explica pra outro. Tinha uma situação outro dia em que a Mariana tava com dificuldade de entender um ponto de vista lá na discussão sobre legalização de alguma coisa e aí o Pedro virou pra ela e explicou usando um exemplo da vida real que discutimos em aula. Ele disse algo tipo: "Lembra daquela história do outro dia? É mais ou menos assim que funciona". E quando a Mariana acenou com a cabeça entendendo, foi quando eu percebi que não só o Pedro tinha entendido, mas ele também tinha ajudado a Mariana a entender.

Agora, falando dos erros mais comuns, tem vários. Às vezes os alunos ficam tão empolgados em defender o ponto de vista deles que esquecem de ouvir o outro lado. O Lucas é um que sempre comete esse erro. Ele tá lá defendendo com unhas e dentes o que acredita ser certo e não para um minutinho pra ouvir o que o colega tá dizendo. Isso geralmente acontece porque eles acham que precisam convencer todo mundo da mesma opinião ao invés de tentar entender as diferentes perspectivas. Quando eu pego isso na hora, eu paro a discussão e falo algo tipo: "Lucas, você ouviu o que a Ana falou agora? Como você responderia pensando no argumento dela em vez do seu?". Isso ajuda eles a verem que ouvir é tão importante quanto falar.

Outra situação comum é ver os alunos usando argumentos muito rasos ou baseados só na opinião pessoal sem fundamento nenhum. A Rafaela faz isso direto, sempre diz "acho porque acho" e aí eu tenho que puxar ela pra realidade perguntando: "Mas Rafaela, como você pode provar isso? Tem alguma informação ou dado pra sustentar essa ideia?". Isso geralmente faz eles pensarem duas vezes antes de simplesmente jogarem uma opinião solta.

Agora, sobre os alunos como o Matheus e a Clara, eu tento adaptar bastante as atividades pra incluir todo mundo na discussão. O Matheus tem TDAH e precisa de atividades mais dinâmicas e fragmentadas ao longo da aula pra manter o foco. Então o que faço é dividir a discussão em blocos menores e sempre coloco ele em grupos com colegas que têm paciência e conseguem ajudar ele a acompanhar. Tipo assim, usamos cartões com questões-chave que ele pode responder ou usar pra se guiar durante o debate. Funciona bem porque mantém ele engajado sem sobrecarregar.

Já a Clara tem TEA e precisa de um pouco mais de estrutura nas atividades. Então eu costumo passar pra ela um roteiro ou até mesmo pedir pra ela preparar algo escrito antes do debate oral. Isso ajuda ela a se sentir segura e mais confortável na hora de participar. Teve uma vez que a gente tava discutindo sobre igualdade de gênero e ela trouxe um texto bem legal que escreveu em casa, daí ela se sentiu super confiante pra ler na frente da turma. Coisas assim fazem toda diferença.

Claro que nem todo método funciona sempre né? Tentei uma vez usar vídeos como material complementar por achar que seria visualmente interessante pro Matheus e mais estruturado pra Clara, mas acabou sendo um caos porque ficou difícil manter todo mundo focado ao mesmo tempo. Então aprendi que às vezes o melhor é simplificar mesmo.

Bom pessoal, acho que é isso! Essas são algumas das práticas que venho usando no dia a dia da sala de aula pra desenvolver essa habilidade nos meninos. A gente vai ajustando conforme vê o que funciona ou não né? No final das contas, tudo é um grande aprendizado tanto pros alunos quanto pra gente mesmo como professor. Espero ter ajudado de alguma forma com essas histórias do cotidiano!

Até mais!

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