Olha, a habilidade EF03MA03 da BNCC é uma daquelas que parecem simples quando a gente lê, mas na prática requer um baita trabalho. Basicamente, ela diz que a criançada tem que saber usar os fatos básicos da adição e multiplicação, tanto de cabeça quanto no papel. Isso significa que a turma precisa estar bem afiada com somas e multiplicações básicas, tipo saber que 5 + 3 é 8 rapidinho ou que 4 x 2 dá 8 sem precisar contar nos dedos.
Agora, pra entender isso na prática, a primeira coisa é garantir que os meninos já estão com a base de adição bem consolidada do 2º ano. No ano anterior, eles trabalharam bastante com a adição e também começaram a ter contato com a subtração. Então, quando chegam no 3º ano, eles já têm alguma noção de como os números se comportam. O que faço é pegar essa base e ir incrementando com a introdução da multiplicação. Não só como conta, mas como conceito mesmo. Tipo assim, eles precisam perceber que multiplicar é basicamente somar várias vezes o mesmo número.
Pra dar um exemplo concreto, se eu digo "3 x 4", quero que o aluno perceba que é o mesmo que fazer "4 + 4 + 4". Claro que inicialmente muitos ainda contam nos dedos ou até usam os lápis como ajudinha. E tá tudo bem! O importante é eles entenderem o conceito pra depois irem memorizando os fatos mais básicos.
A primeira atividade que faço é bem descontraída. Uso tampinhas de garrafa PET, sabe? Peço pros alunos trazerem de casa durante a semana. A gente faz uma competição de grupos onde cada equipe precisa resolver contas de multiplicação usando as tampinhas pra representar os números. Divido a turma em grupos de quatro ou cinco alunos — geralmente faço isso com umas mesas redondas improvisadas na sala — e dou umas contas pra cada grupo resolver. O tempo é limitado, uns 15 minutos por conta, e o grupo tem que mostrar quantas tampinhas usou pra cada fator da multiplicação. Os alunos ficam super empolgados competindo entre si. Da última vez, o João e a Laura estavam numa equipe e ficaram tão animados em ganhar que até criaram uma musiquinha durante a atividade. A música nem fazia muito sentido, mas foi divertido ver eles tão engajados.
A segunda atividade envolve cartões de números. Fizemos um conjunto de cartões numerados de 0 a 9 e alguns com sinais de adição, multiplicação e igualdade. A ideia é fazer duplas de alunos e distribuir alguns cartões pra cada dupla. Eles têm 10 minutos pra montar o máximo possível de equações verídicas usando os cartões disponíveis. Os alunos adoram porque é quase como um jogo de tabuleiro pra eles. Na última vez que fizemos isso, o Pedro e o Miguel viraram mestres em montar equações rapidinho. Tinha uma competição acirrada entre eles e as duplas do fundo da sala, muitos risos e algumas reclamações engraçadas quando uma dupla achava que outra tinha trapaceado.
Por último, tem uma atividade um pouco mais silenciosa que envolve o uso da reta numérica desenhada no chão da sala com fita adesiva colorida. Cada aluno recebe um problema simples de adição ou multiplicação pra resolver usando saltos na reta numérica — tipo se tivesse que andar quatro passos duas vezes pra resolver 4 x 2. É ótimo pra aqueles alunos que são mais visuais ou têm dificuldade em ficar parados por muito tempo. E olha, quem diria que algo tão simples ia virar uma das atividades favoritas da turma! Na última vez, a Sofia tava meio receosa no começo em pular nos números — acho que tava achando meio infantil — mas depois entrou na brincadeira e acabou ajudando os colegas a entenderem melhor onde deviam parar.
O tempo gasto nessa última atividade depende muito do engajamento dos alunos e do tempo disponível na aula, mas em geral gasto uns 30 minutos. A gente sempre encerra com uma conversa rápida sobre o que aprenderam ou se tiveram alguma dificuldade.
Essas atividades têm dado muito certo por aqui porque são práticas e permitem que os alunos explorem as operações matemáticas de maneira mais concreta antes de se prenderem às contas no papel ou à memorização pura e simples. Claro que cada turma é diferente e sempre rola ajustar alguma coisa conforme vejo o andamento deles na sala. Mas é isso aí! Se você tiver alguma ideia nova ou quiser trocar figurinhas sobre como trabalhar essa habilidade aí na sua escola, tô por aqui!
Aí, galera, continuando aqui sobre a habilidade EF03MA03. Então, como é que a gente percebe que os meninos aprenderam mesmo esse lance de adição e multiplicação sem apelar pra prova formal? Ah, é no dia a dia mesmo, sabe? Eu circulo pela sala enquanto eles estão fazendo as atividades e vou observando. Quando você escuta um aluno explicando pro outro como chegou numa soma ou multiplicação, é um bom sinal. Tipo o Joãozinho outro dia. Tava lá explicando pro colega como fazer 7 x 5, dizendo algo como "é só pensar em 7 vezes 4 que é 28 e depois somar mais 7 que dá 35". Aí eu pensei, "Opa, esse entendeu o conceito de multiplicação!"
Outra coisa que ajuda a perceber é durante os jogos e atividades mais lúdicas. Tem uma atividade com cartelas de bingo de multiplicação que uso com a turma. Quando vejo uma aluna como a Maria acertando várias seguidas sem ficar pensando muito, já sei que a coisa tá fluindo. Ela tava lá super concentrada e acertava rapidinho, sem precisar contar nos dedos ou ficar olhando pro quadro.
Agora, claro que nem tudo são flores. Tem uns erros que são campeões na sala. O clássico é a confusão entre adição e multiplicação. Tipo, semana passada o Lucas tava resolvendo uma série de multiplicações e na hora de fazer 3 x 4 ele colocou 7. Aí eu perguntei como ele chegou naquele número e ele me disse que somou os números em vez de multiplicar. Isso acontece porque às vezes eles ainda estão presos na ideia de somar tudo que veem pela frente. O que eu faço nessas horas é sentar com o aluno e mostrar na prática a diferença, usando objetos concretos como lápis ou bloquinhos pra eles verem de forma mais visual.
Outra coisa são os erros de tabuada por falta de treino mesmo. A Ana, por exemplo, sempre se enrola nas multiplicações do 6 pra cima. E isso é pura falta de prática e confiança. Então eu incentivo muito o uso dos jogos, das musiquinhas de tabuada e até desafios entre eles pra dar aquela animada na prática.
Falando agora do Matheus com TDAH e da Clara com TEA na turma. Olha, com o Matheus o esquema é diversificar os estímulos e dar pausas frequentes. Ele se beneficia muito quando eu uso jogos online de matemática porque prendem mais a atenção dele. Também coloco atividades curtas entre uma pausa e outra pra garantir que ele não perca o foco completamente. Ah, e o quadro branco portátil é uma mão na roda! Deixo ele rabiscar enquanto pensa nas respostas.
Já com a Clara, a coisa muda um pouco. Ela prefere atividades mais estruturadas e previsíveis. Então, sempre deixo claro o que ela vai fazer em cada momento do dia e uso muitos visuais. Ela curte muito planilhas coloridas que ajudam a fixar as tabuadas e somas. Os fones de ouvido com música calma também têm ajudado bastante quando ela precisa se concentrar sem distrações externas.
Agora, uma coisa que testei e não funcionou: tentei fazer uma competição em grupo achando que ia engajar todo mundo incluído Matheus e Clara juntos nos grupos maiores, mas foi uma bagunça! O Matheus acabou se distraindo ainda mais com tanto estímulo ao redor e a Clara ficou desconfortável com o barulho e o ritmo agitado dos colegas.
Enfim, a gente vai adaptando e ajustando as estratégias conforme conhece mais cada aluno. E é isso, pessoal! Devagarzinho vamos descobrindo juntos o que funciona melhor pra cada um deles. Cada sala é uma nova aventura! Até mais, espero que esse papo tenha sido útil pra vocês! Abraço!