Olha, essa habilidade EF03MA06 da BNCC, que fala sobre resolver e elaborar problemas de adição e subtração, é uma das mais importantes que a gente trabalha com os meninos no 3º ano. Na prática, significa que os alunos precisam conseguir entender situações do dia a dia em que eles precisem somar ou subtrair. Mas não é só saber fazer a conta de cabeça ou no papel, é importante mesmo entender o que está acontecendo na situação. Por exemplo, se eu digo que o João tinha 5 figurinhas e ganhou mais 3 de presente, o aluno precisa perceber que ele vai juntar as figurinhas que já tinha com as novas pra saber quantas tem agora. Ou se a Maria tinha 10 balas e comeu 4, ele tem que entender que ela vai retirar essas balas da quantidade inicial.
Quando os meninos vêm do 2º ano, eles já têm uma noção básica de somar e subtrair, mas muitas vezes é tudo mais mecânico. Eles sabem fazer a conta, mas não sabem muito bem o porquê. Então, no 3º ano, a gente foca em dar significado pras operações. Eles têm que começar a perceber esses contextos: juntar um monte de coisas, retirar algumas, acrescentar outras, e por aí vai. A ideia é trazer essas operações pro mundo real deles. Ah, e sem esquecer do cálculo mental! Porque não dá pra ficar dependendo sempre do papel e caneta.
Uma das atividades que gosto de fazer é usar material concreto que eles mesmos trazem de casa. Pode ser qualquer coisa: tampinhas de garrafa, feijões, pecinhas de lego... Eu peço pras crianças trazerem um saquinho com uns 20 ou 30 objetos pequenos. A gente usa isso pra criar situações de juntar e separar quantidades. Tipo assim: "O Pedro trouxe 12 tampinhas e a Ana trouxe 15. Quantas tampinhas eles têm juntos?" Aí os alunos trabalham em duplas pra resolver a situação usando as tampinhas mesmo. Essa atividade costuma levar uns 30 minutos. Os meninos se divertem bastante porque é quase como brincar, mas estão aprendendo sem perceber.
Na última vez que fizemos isso, o Lucas e o Bruno estavam numa dupla e resolveram inventar uma historinha com as pecinhas deles enquanto resolviam o problema. Eles disseram que as tampinhas eram moedas de um tesouro escondido num navio pirata. Foi engraçado ver como eles se empolgaram pra resolver a soma porque dava um sentido maior pra atividade.
Outra atividade que funciona bem é o "mercadinho". Eu monto um mercadinho improvisado na sala com embalagens vazias de produtos (leite, biscoitos, etc) que eu guardo em casa. Aí dou um valor fictício pras coisas, tipo assim: uma caixa de suco custa 3 reais, um pacote de biscoito custa 5 reais. A ideia é eles fazerem contas de compra e venda, tipo: "Se você tem 10 reais, o que você consegue comprar?" ou "Se você comprar duas caixas de suco e pagar com uma nota de 10 reais, quanto vai receber de troco?" Isso ajuda muito na parte do cálculo mental porque eles têm que pensar rápido pra não perder muito tempo na 'fila'. Leva uns 40 minutos essa brincadeira toda.
Numa dessas vezes, a Sofia tava pagando por dois produtos e percebeu sozinha que tinha dado dinheiro demais pro 'caixa', aí ela mesma falou: "Peraí! Me devolve porque eu te dei 10 reais mas era só 8!" Foi muito legal ver essa autonomia surgindo na prática.
A última atividade que gosto de usar é contar histórias com números. Eu trago algumas histórias simples ou peço pros alunos inventarem as suas próprias. Tipo assim: "O Joãozinho tinha uma coleção de carrinhos e perdeu alguns na mudança." Aí cada aluno inventa quantos carrinhos ele tinha no começo e quantos ele perdeu, então resolvem as contas pra saber quantos sobraram. O legal dessa atividade é ver como cada criança cria uma situação diferente e usa as contas pra resolver o problema delas mesmas. Essa leva uns 30 minutos também.
Semana passada a Letícia trouxe uma história sobre um cachorro dela que enterrou alguns ossos no quintal. Ela disse que o cachorro tinha 7 ossos escondidos por lá e depois encontrou mais 4 enterrados pelo irmãozinho dela. Os colegas ajudaram ela a somar tudo e acharam divertido imaginar o cenário todo.
Acho que a chave dessas atividades é deixá-los serem criativos dentro das limitações das contas simples. Eles se sentem mais envolvidos quando podem imaginar além dos números frios no papel. E sempre encorajo bastante o uso do cálculo mental porque isso vai ser útil pra vida toda deles. No fim das contas, o importante é fazer com que os meninos entendam pra quê serve a matemática no cotidiano deles.
Bom, é isso aí! Espero ter ajudado quem tá começando nesse caminho ou procurando novas ideias pro terceiro ano! Vamos continuar trocando experiências aqui no fórum!
Aí, gente, no dia a dia da sala de aula a gente percebe que o aluno aprendeu mesmo quando ele começa a aplicar o que a gente discutiu sem nem perceber. É como se fosse natural, sabe? Quando tô circulando pela sala, sempre dou um jeito de ouvir as conversas deles, principalmente quando estão fazendo atividades em grupo ou até mesmo nas brincadeiras. Outro dia vi a Mariana explicando pro Pedro que eles precisavam juntar as tampinhas das garrafas que tinham achado pela escola para ver quem tinha mais. E ela não só fez a conta de cabeça rapidinho como também explicou pro amigo como ela chegou naquele resultado. Aí eu pensei: "Ah, essa entendeu o recado!"
Outro momento que percebo que os meninos tão pegando o jeito é quando trocam ideia entre eles e usam o conhecimento pra resolver probleminhas do cotidiano. O Tiago esses dias tava na cantina e calculou rapidinho que se ele comprasse um salgadinho e um suco ainda ia sobrar um troco. E aí foi engraçado que ele ainda explicou pros amigos por que dava pra comprar aquilo tudo sem problema. Esse tipo de situação mostra que eles não estão só decorando a matéria, mas estão realmente aplicando com entendimento.
Agora, sobre os erros mais comuns, sempre tem aquele aluno que se enrola na hora de saber o que é pra somar e o que é pra subtrair. A Juliana, por exemplo, vive confundindo essas operações quando tenta resolver um problema mais complexo. Tava lembrando de uma vez que pedi pra turma resolver quantos alunos faltaram numa excursão se tinham ido 22 e só 18 apareceram. A Juliana resolveu somar os números em vez de subtrair e chegou num resultado completamente sem sentido. É meio engraçado, mas acontece porque às vezes eles tão animados demais e não prestam atenção direito no enunciado ou porque ainda tão desenvolvendo aquela compreensão mais lógica do problema. Quando vejo esse tipo de erro na hora, paro tudo e chamo a atenção pro enunciado: "Olha aqui, Ju, o que tá pedindo mesmo?"
No caso do Matheus, que tem TDAH, preciso estar sempre me policiando pra deixar as atividades mais dinâmicas e conseguir captar a atenção dele. Uma estratégia que funciona é usar bastante material visual e manual. Tipo assim, ao invés de só escrever o problema no quadro, tento trazer objetos concretos ou figuras coloridas. Ele se conecta muito mais quando pode mexer com as peças do que quando fica só ouvindo ou olhando pro quadro. Teve uma vez que usei caixas pequenas pra representar quantidades e ele se envolveu tanto que acabou ajudando os colegas mais próximos a entenderem também.
A Clara, que tem TEA, já é um pouquinho diferente. Ela se dá muito bem com rotinas bem estruturadas e previsíveis. Então, sempre tento avisar antes as atividades do dia e manter essa lógica toda semana pra ela não se perder no meio do caminho. O uso de cartões visuais com passos claros em cada atividade ajuda bastante também. Um desafio foi quando tentei uma dinâmica em grupo sem ter explicado direitinho antes como íamos fazer; ela ficou confusa e não conseguiu participar bem. Aprendi daí a importância de sempre antecipar essas novidades pra ela.
E aí vou falando sobre como cada um tem seu jeitinho de aprender melhor e como cada esforço vale a pena quando você vê aquele brilho no olhar deles ao entender alguma coisa nova. Acho que a gente vai aprendendo tanto quanto os alunos nesses processos todos.
Bom, gente, é isso aí! Espero ter dado uma luz sobre minhas experiências com essa habilidade tão importante. Sempre gosto de trocar ideias por aqui e ouvir o que vocês também têm feito nas suas salas. De qualquer forma, tamo junto nessa missão de ensinar e aprender. Até a próxima!