Olha, quando eu olho pra essa habilidade EF04MA06, o que eu vejo mesmo é a necessidade dos meninos entenderem que multiplicação não é só decorar tabuada. É algo que tá presente no dia a dia deles, na vida real mesmo. A multiplicação tem vários significados, não é só somar várias vezes o mesmo número. Tem a ver com organizar coisas em retângulos, pensar em proporções. Então, na prática, o aluno precisa conseguir pegar um problema que ele vê no cotidiano e conseguir resolver usando essas ideias de multiplicação.
Por exemplo, quando a gente fala de adição de parcelas iguais, é isso mesmo: se o Joãozinho precisa comprar 4 pacotes de figurinha e cada pacote custa 3 reais, olha aí uma multiplicação. São quatro vezes o 3, ou seja, 4 pacotes de 3 reais. Agora, se a gente pensa em organização retangular, aí é legal porque a gente pode falar do espaço físico também. Tipo montar fileiras e colunas com cadeiras, ou até arrumar as carteiras na sala para ver quantas cabem. E tem ainda a proporcionalidade, que é mais avançado, mas os meninos já vão pegando a ideia de que duas coisas estão relacionadas por um fator constante.
Lá no terceiro ano, eles já começam com essas ideias de somar parcelas iguais, mas ainda não tão familiarizados com multiplicação mais abstrata como proporção. Então no quarto ano a gente aprofunda isso, e eu gosto de fazer algumas atividades para deixar bem concreto.
Primeira atividade que eu faço é com materiais bem simples: tampinhas de garrafa. Junto um monte delas do tipo que todo mundo tem em casa e traz pro colégio. Aí divido a turma em grupos de quatro ou cinco alunos e dou um monte dessas tampinhas pra cada grupo. Peço pra eles organizarem em fileiras e colunas, como se estivessem montando uma matriz. Dou uns 15 minutos pra isso e depois peço pra cada grupo contar quantas tampinhas tem em cada linha e coluna pra gente ver quantas tem no total sem contar uma por uma. E essa parte é engraçada: da última vez, a Mariana e o Lucas estavam discutindo porque ela dizia que dava pra fazer tudo só imaginando enquanto o Lucas queria contar tudo pra ter certeza. É ótimo porque eles veem que multiplicar é contar rápido.
Outra atividade que faço é relacionada ao cotidiano deles: mercado simulado. Levo folhetos de supermercado — aqueles com preços dos produtos — e uma folha de papel pra cada dupla da turma. Eles têm que escolher produtos que somem um certo valor usando multiplicação. Por exemplo: "Você tem 20 reais, como pode comprar pacotes de biscoito?" Isso leva mais ou menos uns 30 minutos porque eles ficam discutindo estratégias entre si. O João Pedro da última vez fez um monte de conta errada porque não pensou nas moedas e teve que refazer tudo. Ele ficou bravo mas aprendeu errando.
E tem uma atividade que gosto muito sobre proporcionalidade: fazer suco! Levo suco em pó e peço pra turma decidir quanto devem colocar para cada litro d'água. Divido eles em trios e cada trio experimenta fazer até chegar na proporção perfeita segundo o gosto deles. Essa leva uns 40 minutos contando o tempo da bagunça e limpeza depois (porque sempre dá bagunça). Da última vez o Felipe ficou todo orgulhoso que achou a proporção certa do suco mais rápido que os outros trios — ele até brincou dizendo que abriria uma fábrica de suco!
Essas atividades são maneiras porque os alunos reagem bem melhor quando percebem que aquilo faz sentido na vida deles. E eu vejo neles essa vontade de se desafiar e discutir entre si até encontrar soluções. Claro que às vezes rola uma confusão aqui ou ali — como aquele dia que a Alice achou que tava tudo errado porque esqueceu uma tampinha no chão — mas faz parte do aprendizado.
Então aí tá como eu trabalho essa habilidade no dia a dia mesmo. Tentando conectar matemática com coisas práticas e descontraídas pros meninos entenderem de verdade o porquê das coisas ao invés só aceitar tudo decorado. Isso é importante demais porque vai acompanhando eles por muito tempo ainda.
Bom, é isso! Espero ter ajudado quem tá começando ou quem tá repensando as práticas aí na escola. Vamos sempre aprendendo uns com os outros!
Bom, continuando aqui, eu percebo que os meninos entenderam a EF04MA06 quando eles começam a aplicar a multiplicação de jeitos diferentes, sem aquele formato de prova, sabe? Tipo, quando eu tô circulando pela sala e vejo que eles tão resolvendo problemas e de repente um deles fala "ah, isso aqui é como fazer duas vezes aquilo ali", aí já começo a sentir que a coisa tá indo bem. Tem uma garota, a Ana, que é um exemplo disso. Ela tava ajudando o Pedro outro dia. Eles tinham um exercício daqueles de organizar frutas em cestas e ela explicou: "Se a gente tem 4 cestas e cada uma tem 3 maçãs, então é só fazer 4 vezes 3". Quando ela falou isso, eu pensei: "Ah, essa já pegou o lance".
E nas conversas entre eles, é legal ouvir quando começam a usar termos de multiplicação mesmo sem perceber. Tipo, às vezes um ajuda o outro com tarefas do dia a dia. Outro dia mesmo o João tava explicando pro Lucas que juntar as figurinhas repetidas pra trocar ficava mais fácil se pensasse em 'pacotes' iguais. Ele falou algo assim: "Se você juntar de 5 em 5, rapidinho você conta quanto tem". Essas falas mostram que eles tão incorporando o pensamento multiplicativo no cotidiano.
Agora, os erros comuns são aqueles que qualquer professor vê por aí. A Maria Clara, por exemplo, sempre se confunde quando troca adição por multiplicação. Quando tinha lá "3 grupos de 4", ela fazia 3+4. E isso acontece porque muitos deles ainda tão com a ideia de somar tudo na cabeça. E quando eu pego um erro assim na hora, eu paro tudo e faço uma representação concreta. Pego os blocos de montar ou desenhamos juntos na lousa pra mostrar como multiplicação é diferente de soma.
Outro erro que surge muito é esquecer que multiplicação também é uma forma de divisão. Como assim? O Vinícius outro dia tava tentando entender uma questão de repartir coisas igualmente e não conseguia ver que era o mesmo raciocínio da multiplicação. Então, a gente sentou junto e fizemos o processo inverso pra ele ver que dividir também é pensar em quantas vezes algo cabe num todo.
Aí vem a parte do Matheus e da Clara. O Matheus tem TDAH, então ele precisa de mais movimento, mais coisas concretas. Eu uso muito material manipulativo com ele. Blocos, cartões coloridos. Uma coisa que funciona é dar pra ele atividades onde ele monta grupos com esses materiais. Ele gosta porque tá sempre mexendo com as mãos e isso ajuda a focar. O que não funcionou foi deixar só exercícios escritos longos; ele perde o interesse rápido.
Já com a Clara que tem TEA, eu adapto mais o ambiente em termos de previsibilidade e estrutura. Faço tabelas visuais pra ela acompanhar as atividades do dia e deixo tudo bem explicado no começo da aula. Procuro usar histórias em quadrinhos ou cenários visuais porque ela responde melhor a imagens. Uma coisa concreta que deu certo foi usar histórias em quadrinhos com problemas de multiplicação incorporados na narrativa pra ela resolver.
No geral, é um ajuste constante né? A gente vai experimentando até encontrar algo que funciona melhor pra cada um deles. E olha, cada vitória dos meninos é um alívio e alegria pra mim.
Por enquanto é isso pessoal! Se alguém tiver dicas ou quiser compartilhar experiências parecidas aqui no fórum, tô sempre aberto pra trocar ideia. Grande abraço pra todo mundo!