Olha, a habilidade EF09MA12 da BNCC é aquela que pede pra gente trabalhar com os alunos do 9º ano o reconhecimento das condições necessárias e suficientes pra que dois triângulos sejam semelhantes. Na prática, isso quer dizer que os meninos precisam entender quando dois triângulos têm a mesma forma, mas não necessariamente o mesmo tamanho. É mais ou menos como reconhecer que duas pizzas podem ter fatias mais finas ou grossas, mas o formato continua o mesmo, entende?
Então, o que esperamos é que eles consigam olhar dois triângulos e perceber se eles têm ângulos iguais ou lados proporcionais, porque é isso que determina a semelhança. Vê se entende: imagina que a turma já aprendeu no 8º ano sobre ângulos e proporções, então agora é como se estivéssemos juntando essas peças. E eles precisam aplicar isso em problemas práticos também, tipo calcular alturas de edifícios usando sombras – aquelas coisas de matemática que a gente nunca entende direito onde vai usar na vida, mas que no fim acaba sendo até interessante.
Agora, falando das atividades práticas que faço com os meninos aqui na escola, vou compartilhar três que sempre funcionam bem e animam a galera.
Na primeira atividade, gosto de usar papel quadriculado. É bem simples: eu distribuo uma folha pra cada dupla de alunos e peço pra eles desenharem dois triângulos quaisquer. Depois, eles têm que medir os lados e os ângulos dos triângulos desenhados e ver se conseguem achar uma relação entre eles. Aí começa a mágica: muitos percebem que calcular a razão entre os lados ou comparar ângulos acaba levando eles a descobrir semelhança entre os triângulos. Essa atividade leva geralmente uma aula inteira, uns 50 minutos. A última vez que fiz isso, o João e o Pedro começaram a discutir se haviam desenhado um triângulo escaleno corretamente – foi uma beleza ver eles argumentando sobre ângulos e medidas.
A segunda atividade já é mais ativa. Eu arranjo barbantes de diferentes tamanhos e coloco a turma em grupos de quatro. Cada grupo recebe três pedaços de barbante e precisa formar triângulos no chão. O desafio é formar triângulos semelhantes uns aos outros dentro do grupo. Eles têm que provar oralmente pros colegas por que acreditam que os triângulos são semelhantes – aí vem os conceitos de ângulos iguais e lados proporcionais de novo. Essa atividade ocupa uns 30 minutos da aula e a reação dos alunos é sempre bem positiva, porque eles gostam dessa coisa de levantar da cadeira e mexer com as mãos. Na última vez, a Maria e a Júlia ficaram encarregadas de explicar pro resto do grupo por que os triângulos delas eram parecidos – foi engraçado ver o esforço delas em comunicar isso claramente.
Por último, tem uma atividade bem bacana usando sombras na quadra da escola. Levo a turma lá fora num dia ensolarado e faço algumas medições com eles: a altura de um objeto conhecido (tipo uma trave de futebol) e a sombra projetada no chão. Depois faço eles medirem a própria sombra, com uma régua ou fita métrica. Usando essa ideia de semelhança entre triângulos formados pelas alturas e sombras, eles podem calcular suas próprias alturas ou até prever a altura de alguma coisa alta demais pra medir diretamente – tipo uma árvore. Essa atividade pode levar até duas aulas se quiser ir bem fundo nas discussões e medições. Da última vez que fiz isso, o Lucas estava todo empolgado tentando provar pros colegas que ele tinha crescido desde o último semestre por causa da diferença nas medidas das sombras.
E olha só, acho super importante essa questão da prática porque traz significado pro aprendizado deles. Muitos alunos ficam surpresos em ver como conceitos abstratos como semelhança de triângulos podem ser aplicados em situações do cotidiano. É sempre legal quando vejo aqueles momentos "ahá!" nos olhos deles.
Enfim, é mais ou menos desse jeito que trabalhei essa habilidade por aqui com os meninos do 9º ano. Confesso que ver eles aplicando esse conhecimento em atividades práticas dá aquele orgulho de professor que está vendo as coisas fazerem sentido pra turma. E vocês aí? Como trabalham essa habilidade na escola de vocês?
E aí, pessoal! Continuando aqui sobre a habilidade EF09MA12, que é um baita desafio, mas também uma satisfação quando a galera pega o jeito. No dia a dia da sala de aula, perceber que um aluno aprendeu sem aplicar uma prova formal é quase uma arte, né? Eu gosto de circular pela sala, olhar os cadernos, e principalmente ouvir as conversas entre eles. É ali que a gente sente o clima.
Por exemplo, outro dia eu tava passando perto da mesa da Júlia e do Pedro e ouvi ela explicando pra ele como dois triângulos eram semelhantes porque tinham ângulos iguais. A Júlia falou algo como "Olha, se esses dois ângulos aqui são iguais, o terceiro já é automaticamente". Na hora eu pensei "ah, essa entendeu!". É tipo ver uma lâmpada acendendo na cabeça deles. E às vezes quando um aluno explica pro outro é mais valioso do que a gente falando mil vezes.
Outro jeito que percebo que eles entenderam é quando começam a fazer perguntas mais aprofundadas ou tentam relacionar com coisas do dia a dia. Tipo o Lucas que me perguntou se os rótulos das latas de refrigerante têm triângulos semelhantes pra caber certinho com o design. Aí eu vejo que eles tão aplicando o conceito fora do papel.
Mas claro, nem tudo são flores. Tem erros bem comuns que a galera comete nesse conteúdo. Um deles é confundir semelhança com congruência. É o caso da Mariana, que sempre acha que triângulos precisam ter lados exatamente iguais pra serem semelhantes. Eu explico que não é bem assim: basta ter ângulos iguais ou lados proporcionais. Daí eu pego duas réguas de tamanhos diferentes e mostro pra ela como os ângulos continuam sendo iguais mesmo com tamanhos diferentes.
Outro erro comum é na hora de calcular a proporção dos lados. O João sempre troca as ordens ou esquece de simplificar a fração, aí acaba errando o resultado. Nesse caso, eu procuro corrigir na hora e mostrar passo a passo como fazer devagarzinho. Às vezes faço um desenho no quadro pra ele visualizar melhor e entender onde tá escorregando.
Agora falando sobre o Matheus, que tem TDAH, e a Clara com TEA, cada um tem suas particularidades e desafios. O Matheus é super ativo e perde o foco rapidinho. Com ele, eu tento manter as atividades curtas e interativas. Descobri que usar jogos ou desafios rápidos entre as explicações funciona bem. Uma vez fizemos um jogo com cartões de triângulos onde ele tinha que encontrar os pares semelhantes em duplas. Isso prendeu a atenção dele e ele mandou muito bem.
Já com a Clara, que tem TEA, eu percebo que ela precisa de mais previsibilidade e clareza nas instruções. Pra ela, faço questão de usar materiais visuais bem definidos e sempre reviso individualmente se ela tá entendendo antes de avançar. Como ela gosta de padrões, às vezes uso puzzles ou figuras geométricas coloridas pra ela montar no seu tempo. Mas já tentei uma vez usar vídeos longos achando que ia ser legal e foi um fiasco; ela acabou se distraindo porque perdeu o fio da meada.
No fim das contas, adaptar as atividades pros diferentes ritmos é desafiador mas também recompensador quando vejo eles avançando no seu próprio tempo. Cada vitória deles acaba sendo uma vitória minha também.
Bom, gente, acho que é isso por enquanto! Espero que essas histórias possam ajudar vocês na sala de aula também. Vou indo nessa e depois volto pra contar mais peripécias dos meninos. Abraço!