Então, pessoal, olha só, a habilidade EF02CI01 da BNCC, do jeito que eu vejo, é sobre ajudar os meninos a entenderem de que materiais são feitos os objetos do dia a dia. Sabe quando a gente tá com a turma e percebe que eles ainda não têm muita noção do que é metal, madeira ou vidro? Pois é, essa habilidade quer que eles consigam identificar esses materiais nos objetos que usamos e também saibam como eram feitos no passado. É como se quisessem fazer uma viagem no tempo e ver como as coisas mudaram. Para os pequenos do 2º Ano, essa habilidade é tipo pegar no objeto e sentir de verdade do que ele é feito e conversar sobre isso.
Quando a gente trabalha essa habilidade, é importante lembrar que eles já vêm com uma bagagem do 1º Ano. Eles têm aquela curiosidade natural de criança e algumas noções básicas de material devido à vivência deles. No 1º Ano, muitos deles já começam a observar e questionar: “Professor, isso aqui é de quê?” Então quando chegam no 2º Ano, querem entender um pouco mais sobre o porquê de as coisas serem feitas desses materiais e como era antigamente. Por exemplo, o Eduardo lá na turma já sabia que uma cadeira pode ser de madeira ou de plástico, mas não tinha ideia de como eram as cadeiras no tempo da vovó dele.
Uma das primeiras atividades que faço é o "Caça ao Material". Para essa atividade, eu trago um saco cheio de objetos variados da minha casa: colheres, tampas de panela, pedaços de madeira, pedaços de tecido e por aí vai. A ideia é liberar esses objetos pra galera explorar. Divido a turma em grupos pequenos pra que possam discutir entre eles – em grupo eles sempre se soltam mais. Aí dou uns 20 minutos pra eles mexerem nos objetos. A reação é sempre muito divertida. Da última vez que fiz essa atividade, a Mariana ficou encantada com uma colher de pau e não largava por nada. Perguntei o porquê e ela disse que "parece coisa de bruxa mexendo caldeirão". Depois da exploração, eles apresentam o que descobriram pro resto da turma, e a gente conversa sobre as diferenças dos materiais.
Outra atividade que dá super certo é quando fazemos um "Museu do Passado". Nessa atividade, peço para cada aluno trazer algum objeto antigo ou uma foto do avô ou da avó usando algo antigo. Pode ser uma panela velha ou uma foto em preto e branco com um rádio antigo. Eles ficam todos orgulhosos de mostrar as histórias das famílias deles. Organizo isso meio que em um debate aberto. Cada um fala um pouco sobre o objeto ou a foto e tenta identificar os materiais usados. Essa leva bem mais tempo, uns 40 minutos ou até uma aula inteira às vezes, porque os meninos se empolgam contando as histórias! O João trouxe uma xícara antiga da bisavó dele e contou que ela era feita de ferro porque antigamente não tinha tanta louça assim... O legal é ver eles fazendo essas conexões com as histórias das famílias.
Por fim, tem a atividade "Mestre Cuca". Simulamos ser chefes de cozinha mas com um detalhe: temos que entender os materiais dos utensílios antes de começar as receitas! Levo pra aula várias tigelas de diferentes materiais – vidro, plástico, metal – e talheres também variados. E vamos falando sobre qual material é mais seguro pra usar na cozinha e quais cuidados precisam ter para prevenir acidentes domésticos. Aí entra aquele papo sério mas importante sobre segurança. E claro, deixo os alunos darem sugestões sobre como evitar acidentes em casa – tem sempre aqueles mais espertinhos que já sabem muito bem o que não pode fazer na cozinha! Quando fizemos essa atividade pela última vez, o Lucas levantou a mão todo empolgado pra contar que não se pode usar panela de alumínio no microondas – fiquei impressionado! Além disso tudo dura uns 30 minutos porque depois nem sempre dá tempo da gente ir pro "cozinhando" de verdade.
Acho muito massa ver como essas atividades simples abrem o olhar deles pro mundo ao redor. É incrível ver a evolução dos meninos ao longo do ano letivo: aquela colher ou xícara velha não são mais só utensílios velhos – eles contam histórias! E isso tudo faz parte do nosso jeito goiano e brasileiro de sempre puxar pras raízes familiares né?
Bom é isso aí pessoal! Espero que essas ideias possam ajudar quem tá começando ou quem quer variar um pouco nas aulas. Valeu demais pela troca aqui no fórum! Até mais!
é feito. E olha, saber que eles entenderam isso sem ter que aplicar uma prova formal, pra mim, é uma arte! Quando tô circulando pela sala, dá pra perceber o entendimento deles de várias formas. Por exemplo, outro dia eu tava andando entre as mesas e ouvi a Maria explicando pro João: "Tá vendo esse copo aqui? Ele é de vidro, igual as janelas lá de casa. E vidro, se você deixar cair, quebra!" Nessa hora, eu pensei: "É isso! Ela pegou a ideia." Esses momentos são ouro, porque mostram que os meninos tão fazendo a conexão entre o que a gente conversa na aula e o mundo deles.
Outra situação foi quando a turma tava fazendo uma atividade em grupo sobre identificar os materiais dos objetos que eles trouxeram de casa. Aí, o Pedro, todo empolgado, explicou pra galera: "Esse brinquedo aqui é de plástico porque é leve e não quebra fácil como o vidro." É nessas horas que eu consigo ver que eles tão entendendo os conceitos. Eles começam a usar as características dos materiais pra justificar suas observações e explicações.
Agora, falando dos erros mais comuns, um que aparece bastante é quando os alunos confundem materiais com as funções dos objetos. Tipo o Lucas uma vez falou que a colher era feita de sopa porque ele sempre usava pra tomar sopa. Eu entendi na hora que ele tava confundindo a função com o material. Aí parei tudo e expliquei com exemplos mais concretos: peguei uma colher de metal e uma de plástico, mostrei as diferenças e perguntei: "E aí, qual dessas você acha que fica quente mais rápido na panela?" Isso ajuda eles a separarem o que é material e o que é função.
Outro erro frequente é achar que madeira é só aquilo que vem da natureza e não passa por qualquer transformação. A Ana uma vez achou que um lápis não era de madeira porque tinha cor e era liso. Daí eu peguei uma madeira bruta e um lápis e mostrei como um vira o outro depois de passar por processos. Essa parte do erro vem muito da experiência limitada deles com diferentes tipos de madeira.
Agora, falando do Matheus e da Clara, cada um tem suas particularidades. O Matheus tem TDAH e ele precisa de atividades mais dinâmicas. Então com ele, eu uso muito material colorido e atividades práticas. Ele adora quando pode mexer nas coisas! Um dia fizemos uma rotação de estações onde ele podia tocar nos materiais: metal, papel, plástico. E aí ele se engajou muito! O problema é que precisa ter sempre algo novo pra prender a atenção dele. O desafio é manter esse nível de estímulo sem sobrecarregar os outros alunos.
Já com a Clara, que tem TEA, eu percebo que ela reage melhor a rotinas estabelecidas e previsibilidade nas atividades. Então comecei a usar cartões visuais com imagens dos materiais pra ajudá-la a identificar e categorizar os objetos. Isso ajudou muito! Um dia ela até me surpreendeu levantando a mão e dizendo: "Professsor Carlos, isso é madeira!" E era mesmo! Mas às vezes atividades muito barulhentas ou confusas podem fazer ela se isolar. Uma vez tentei fazer um jogo em equipe e ela preferiu ficar no cantinho dela. Aprendi que preciso sempre adaptar a atividade pra garantir que ela tenha um espaço tranquilo se precisar.
No fim das contas, cada dia na sala é diferente e cada aluno aprende do seu jeito. Mesmo os erros são oportunidades maravilhosas de aprendizado — tanto pra eles quanto pra mim! A gente tá sempre ajustando as estratégias pra tentar atingir todos os alunos da melhor forma possível.
Bom, pessoal, vou ficando por aqui! Espero que essas histórias ajudem vocês aí nas salas também. Qualquer coisa estamos juntos nesse fórum pra trocar ideias. Até mais!