Olha, ensinar a habilidade EM13CO23 da BNCC é um negócio bem interessante, viu. É aquela coisa de ajudar a molecada a entender o que acontece nas comunidades virtuais, tipo as redes sociais e essas coisas, sabe? Eles têm que perceber como as interações e as comunicações que rolam nesses espaços impactam a vida deles e a sociedade em geral. Então, na prática, essa habilidade é sobre fazer os meninos ligarem os pontos entre o que eles veem e vivem online com o mundo real.
Por exemplo, se um aluno lê uma notícia falsa no Instagram e acredita, isso pode mudar a opinião dele sobre alguma coisa importante na vida real. Eles têm que aprender a questionar: será que essa informação é verdadeira? Quem postou isso? Qual o interesse por trás? Além disso, tem toda a questão de como eles se comportam e se relacionam nas redes. Tem que entender que aquilo ali também é vida social e traz consequências. É um processo de amadurecimento digital, digamos assim.
Na série anterior, eles já brincaram um pouco com essas ideias, mas mais no sentido de usar as ferramentas digitais e entender algumas regras básicas. Agora é hora de ir mais a fundo. Tipo assim, eles já sabem criar uma conta numa rede social ou mandar uma mensagem. Agora vão pensar mais sobre as implicações do que compartilham ou consomem.
Falando das atividades, gosto de fazer algumas coisas diferentes pra manter a galera interessada e engajada.
Uma das atividades que faço é uma espécie de debate simulado. Uso notícias reais, coisas que estão bombando na internet no momento. Aí, eu pego uns artigos impressos ou algo que eles mesmos trazem dos celulares. Coloco eles em grupos pequenos, uns quatro ou cinco alunos por grupo. Cada grupo fica com uma parte da notícia e precisa analisar: de onde vem, se é confiável, o possível impacto dela na sociedade... Dou uns 30 minutos pra isso e depois cada grupo apresenta suas conclusões pra turma toda. Da última vez que fizemos isso, o Lucas trouxe uma notícia sobre uma celebridade que tinha feito um comentário polêmico no Twitter. Gerou uma discussão boa sobre liberdade de expressão e limites.
Outra atividade que eles gostam é a análise de casos sobre fake news. Trago exemplos antigos e outros mais recentes. A ideia é eles entenderem como esse tipo de coisa se espalha. Normalmente uso projeções ou levo os casos impressos mesmo (sempre fico na torcida pra escola ter toner suficiente na impressora). Divido a turma em duplas pra não ficar bagunçado e dou uns 20 minutos pra análise. Depois disso, cada dupla tem que apresentar qual o impacto daquela fake news teve e como poderia ter sido evitada a disseminação. Uma vez o Pedro e a Camila trouxeram um caso do Facebook sobre saúde, aqueles milagres de cura que na verdade são perigosos. A gente conversou bastante sobre responsabilidade ao compartilhar informações.
A terceira atividade é mais prática e os alunos curtem demais: criar campanhas de conscientização online. A ideia é usar o conhecimento deles sobre redes sociais pra bolar algo educativo ou informativo usando vídeo, imagem ou texto. Aqui deixo eles bem livres pra usar celular ou computador da escola mesmo. Costumo dar duas aulas pra isso: uma pra planejar e iniciar a criação, outra pra finalizar e apresentar pros colegas. No final do semestre passado, o grupo da Mariana fez um vídeo super criativo sobre respeito nas interações online, usando exemplos do dia a dia deles mesmos.
No geral, os alunos interagem bem com essas atividades porque conseguem ver ligação direta com as vidas deles fora da escola. Tipo, não é só teoria chata; são coisas que eles realmente vivem todo dia. Às vezes dá trabalho fazer todo mundo participar ativamente, mas sempre aparece um mais empolgado pra puxar os outros.
Bom, acho que esses exemplos dão uma ideia do meu jeito de trabalhar essa habilidade aí com a turma do segundo ano do ensino médio. Às vezes penso que estou ajudando eles não só pro ENEM ou pro mercado de trabalho futuro, mas pro dia a dia atual mesmo. É isso aí, vamos trocando experiências!
Então, continuando aqui. Como é que eu vejo que a galera realmente entendeu tudo isso sobre as comunidades virtuais e tal? Bom, não é só com prova, né? Eu gosto de observar eles no dia a dia, tipo quando tô circulando pela sala e escuto as conversas. Tem uma coisa que faço muito: prestar atenção quando um aluno explica pro outro. Aí você vê se o moleque tá realmente manjado do assunto.
Teve uma vez que o João tava explicando pra Maria como identificar uma notícia falsa. Ele falou algo do tipo: "Se liga, Maria, antes de acreditar em qualquer coisa, você precisa ver se a fonte é confiável. Se for um site que você nunca ouviu falar, desconfia". Na hora eu pensei: "Ah, esse entendeu." Porque não foi só repetir, ele aplicou o que discutimos na prática, né?
Outra situação foi com a Ana e o Pedro. Eles estavam debatendo sobre um comentário polêmico em um post de uma rede social. E aí a Ana disse: "Mas olha, a gente tem que entender de onde essa pessoa tá vindo e o contexto dela antes de julgar." Isso mostra que ela percebeu a importância de considerar múltiplas perspectivas, algo que a gente bateu muito na aula.
Agora sobre os erros mais comuns... Tem sempre aqueles tropeços, né? Um erro clássico é acreditar cegamente em tudo que tá online. A Letícia, por exemplo, uma vez chegou toda animada falando de uma promoção absurda que viu no Facebook. Tive que explicar pra ela sobre spam e golpes online. Acontece porque muitos ainda têm aquela confiança cega na internet como se fosse um livro didático.
Quando pego esse erro na hora, tipo assim, dou sempre o exemplo prático. Falo pra eles lembrarem das vezes que acreditaram em algo e depois descobriram que era mentira. Pede pra pensarem se alguma vez receberam notícia duvidosa no grupo da família... sempre tem história! Isso ajuda eles a internalizarem melhor.
Agora sobre o Matheus, com TDAH, e a Clara, com TEA... Olha, cada um é diferente. Pro Matheus, eu tento sempre deixar as atividades bem dinâmicas e divido elas em partes menores. Ele funciona melhor com tarefas curtas e tem dificuldade em ficar parado muito tempo. Tento usar mais vídeos curtos ou podcasts que ele pode escutar enquanto faz outra coisa. E olha só, isso ajuda ele demais!
Já pra Clara é diferente. A Clara precisa de previsibilidade. Ela gosta de saber exatamente o que vai acontecer na aula. Então sempre passo um roteiro pra ela antes. Além disso, costumo usar mais imagens e gráficos com ela porque ajuda na compreensão do conteúdo. E tem vezes que preciso dar alguma pausa ou um tempo extra pra ela absorver tudo.
Um exemplo concreto foi quando fizemos uma atividade em grupos sobre como se proteger online. Pro Matheus dividi todo o processo em passos pequenos e dei liberdade pra ele escolher a ordem de execução. Pra Clara, ofereci um esquema visual do que precisava ser feito com sugestões de como dividir as tarefas entre os membros do grupo.
Olha, já tentei algumas coisas que não deram certo também. Tentei uma vez usar jogos complexos online na aula pensando que seria legal pra todo mundo, mas pro Matheus foi confuso demais e pra Clara teve informação demais ao mesmo tempo. Tive que ajustar rapidinho!
Então é isso, gente... Cada dia é um desafio novo lá na sala de aula com essa galera ligada no 220V! Mas sabe, cada pequeno avanço deles é uma vitória importante. E assim vamos indo. Quando vejo eles debatendo e questionando as coisas online com mais esperteza, aí percebo que estamos no caminho certo.
Vou ficando por aqui agora. Espero que essas minhas experiências aí ajudem vocês também nas suas salas! Abraços!